Perguntas Frequentes

1. COMO SURGIU O BRIGADEIRO DE ALFACE?

O ideia do blog surgiu quando eu consegui emagrecer 20 quilos depois de uma dieta bem restritiva. Eu acreditava então ter encontrado a fórmula para emagrecer e queria dividir isso com as pessoas. Meses depois de ter alcançado um peso considerado ideal, eu ainda estava insatisfeita com o meu corpo, com baixa autoestima, lutando contra a balança todos dias e passando horas na academia para queimar as calorias dos dias em que eu havia comido compulsivamente.

Eu estava errada. Eu não tinha encontrado a fórmula. Ali estava eu magra, infeliz, fissurada por perfeição e me sentindo gorda. Eu desisti de iniciar o blog, embarquei em uma viagem de autoconhecimento, procurei ajuda para lidar com os meus problemas, estudei muito para entender o que acontece quando a comida vira válvula de escape e, no final de 2013, comecei o blog com um discurso completamente diferente.

Hoje percebo que eu tive que passar por tudo isso para entender que, às vezes, dieta não é a resposta.

Clique aqui para entender melhor.

 

2. COMO FOI A SUA HISTÓRIA COM A COMIDA E A CONCLUSÃO DE QUE DIETAS NÃO FUNCIONAM? 

A minha história com a dieta começou aos sete anos sentada na cadeira do consultório de uma pediatra. Naquele dia, eu voltei para casa com um papel que descrevia como a minha alimentação deveria ser dali em diante. Eu só consigo me lembrar que a médica me proibiu de comer doces e frituras e que eu deveria evitar banana, uva e laranja. A dieta, como esperado, só durou alguns dias.

Aquela foi apenas uma das dezenas de dietas seguidas, eu praticamente passei a adolescência e os meus vinte anos emagrecendo e engordando, sentindo-me péssima cada vez que uma dieta dava errado. Tudo que eu queria era ser saudável, bonita e atraente como qualquer mulher jovem, mas por alguma razão a fórmula da dieta não funcionava para mim. Quando a contagem de calorias falhou, eu tentei a dieta das proteínas, quando ela falhou, eu tentei a dos pontos. Teve também a da lua, a da sopa, a da banana, a do abacate, a do South Beach, isso para citar apenas algumas. Eu tentei até mesmo medicamentos para emagrecer, mas nem eles conseguiram acalmar a minha fome.

Você vai encontrar mais sobre a minha história neste post e neste vídeo

 

3. QUAL É A SUA EXPERIÊNCIA PESSOAL COM TRANSTORNO ALIMENTAR?

Eu sempre adorei um bom prato e de vez em quando tinha umas comilanças descontroladas, mas nada muito grave. Depois que eu segui a última dieta que me fez emagrecer 20 quilos, comecei a comer compulsivamente várias vezes por semana. Eu ficava desesperada depois de comer tanto, me sentindo culpada e desgostosa, sem saber direito o que fazer e com um medo enorme de colocar todo o meu esforço a perder. Na época, eu já estava malhando todos os dias, mas comecei a malhar horas seguidas para compensar os excessos cometidos. Não demorou muito até que isso tomasse conta da minha vida. Eu me resumia em dieta, academia e compulsão. Foi então que eu decidi procurar ajuda em um centro para tratamento de transtornos alimentares achando que eu tinha o Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP). Depois de muitas entrevistas e exames, fui diagnosticada com Bulimia do tipo não purgativo, uma surpresa e um grande choque para mim, que sempre acreditei que bulímicas vomitavam e eram magrinhas.

Quando comecei o tratamento, eu queria me curar mais do que tudo na vida, então me joguei de cabeça. Segui todas as regras, envolvi amigos e familiares na minha recuperação, conversei com quem já havia tido experiência com TA e consegui me curar.

Eu explico em detalhes sobre o meu tratamento aqui.

 

4. O QUE FAZER PARA QUEM VIVE DE DIETA? 

É cada vez mais comum encontrar pessoas que vivem de dieta e muitas delas não sofrem de um transtorno alimentar. O blog é para qualquer mulher cansada de passar a vida entrando e saindo de dieta e odiando o que vê no espelho. 

  • Para quem tem transtorno alimentar:

O primeiro passo a ser tomado para quem tem ou acredite que tenha um transtorno alimentar é procurar ajuda e começar um tratamento especializado. Pode demorar um pouco até encontrar um profissional ou tratamento que funcione, mas eu diria para não desistir nas primeiras tentativas. Estar curada vale a pena qualquer esforço.

  • Para quem não tem transtorno alimentar:

Já para as mulheres que sentem que a dieta tomou conta da vida, mas no entanto não sofrem de um transtorno alimentar, o primeiro passo seria começar a confiar que o nosso corpo é capaz de regular o quanto precisamos comer, mas há algumas estratégias para alcançar uma alimentação mais intuitiva que eu divido aqui no blog. Eu acho válido procurar um nutricionista para quem quiser aprender mais sobre alimentação, mas a nutrição não pode virar um terror que divide as nossos alimentos em bons e ruins. Perfeição na alimentação é promovida como algo positivo, mas é um dos maiores males da atualidade.

O objetivo é que tenhamos autonomia e liberdade para fazer as melhores escolhas e não simplesmente seguir o que o outro nos manda comer. Quando conseguimos identificar o sentimento de fome e saciedade não precisamos mais seguir dieta alguma. O emagrecimento sem dieta é mais lento, mas é muito mais duradouro e não nos priva do prazer de comer.

 

5. POR QUE ACHAMOS QUE TEMOS QUE SER MAGRA PARA SER FELIZ?

Ser magra está na moda e há diversas razões para isso que eu vou debatendo no blog. Querer ser magra é muito mais do que um conceito estético, é o desejo de alcançar tudo o que o conceito de magreza tem nos vendido nas últimas décadas.

A mídia tem um papel fundamental na percepção que temos sobre nós mesmas. Infelizmente, a representação midiática do corpo feminino é distorcida, objetificada e irreal. 

A explicação é simples: a mídia sobrevive dos anúncios publicitários e a publicidade sobrevive da nossa procura pela felicidade.

Se a mídia nos convence que é preciso ser de determinada forma para ser feliz, a publicidade tem como usar este espaço para nos oferecer o que falta para que possamos alcançar a tão sonhada felicidade. 

Ao adquirirmos o produto ou serviço que promete nos deixar como as mulheres que vemos na mídia, estamos comprando a ideia de que seremos felizes. 

O ideal seria se todos saíssemos satisfeitos ao final do ciclo, mas não é isso que acontece. Não há produto no mercado que deixe toda a população do mundo loira, rica, magra, com a pele dourada, sem manchas, torneada, jovem, alta, sexy, feminina, delicada, sensual, com cabelos longos e volumosos, cheirosa, depilada e perfeita.  Então continuamos consumindo dietas, produtos e tratamentos que nos deixem mais próximas do ideal da felicidade feminina.

A mídia desconsidera que é possível ser feliz se você não for assim.  

Se você estivesse satisfeita com a sua aparência, não haveria razão para consumir muitos dos produtos e serviços que geram bilhões para a indústria do emagrecimento e beleza.

Se estiver interessada em saber mais, leia o post sobre a romantização da magreza e o como a mídia trata o corpo feminino.

 

6. DEVO DESISTIR DO DESEJO DE EMAGRECER PARA ME ACEITAR?

De forma alguma. É fundamental que todas entendamos o que está por trás da ideia de ser magra, mas o desejo de emagrecer é legítimo e deve ser respeitado.

Eu não acredito que você tem que desistir do emagrecimento para se aceitar, nem tampouco para provar que a mídia não tem influência alguma sobre as suas escolhas. Nós estamos falando sobre o seu corpo e você é a única pessoa que convive com ele diariamente. Ele é seu e as decisões são suas. 

Da mesma forma, ninguém precisa emagrecer para se sentir aceita. O movimento plus-size e de autoaceitação abriu uma porta maravilhosa para essa discussão. Quando representantes do movimento são acusadas por não serem gordas o suficientes ou por expressarem o desejo em emagrecer, acho que estamos replicando o mesmo controle social do qual somos vítimas. Ninguém é obrigada a ser magra e ninguém é obrigada a ser gorda. 

Se o emagrecimento te confunde um pouco, leia este post sobre emagrecer ou se aceitar.

Tem outros posts que também podem ajudar:

 

7. COMO É A SUA ALIMENTAÇÃO E ROTINA DE EXERCÍCIOS? 

Desde que parei de fazer dieta, não consumo mais alimentos diets, lights ou zero. Se vou consumir um iogurte, sempre escolho a sua versão integral, pois percebo que fico mais saciada do que consumindo a versão light, além de achar mais saboroso.

Eu também não consumo mais adoçantes químicos. Se quero substituir o açúcar refinado, sempre uso um adoçante natural como o mel, melaço ou frutas secas. Eu sempre cozinho a minha própria comida e procuro evitar os alimentos industrializados, mas tudo sem extremismos. Se a vontade de comer fast food for grande eu como, mas não faço isso regularmente.

Como o meu fraco são doces, sempre reservo um ou dois dias por semana para comer algo bem saboroso, como pudim, bolo ou tortas. Faço isso porque eu acredito que comida também é prazer e que saúde é saber equilibrar o que faz bem para o corpo com o que faz bem para a alma.

Eu consumo pão, brigadeiro, manteiga, batata-frita, bolo e vinho sem encanações, mas prestando atenção na quantidade.

Exercícios físicos também são parte da minha rotina semanal. Para quem já viveu no extremo de malhar horas por dia e de viver no completo sedentarismo, eu posso afirmar que o movimento do corpo é parte fundamental na saúde física e mental. Atualmente eu me exercito de três a quatro vezes por semana e isso me faz um bem enorme. Todos os dias eu me movimento de alguma forma.

 

8. QUANTO VOCÊ MEDE E PESA?

Esta é uma das perguntas mais frequentes que eu recebo. 

A minha altura é 1.72m e o meu BMI está no range saudável. Eu prefiro não dividir o meu peso porque não quero que leitoras comecem a se comparar comigo, nem me promover como um exemplo a ser seguido.

Cada um tem uma formação corpórea e percentual de gordura e massa magra que resulta em diferenças de peso, o que torna a balança um método injusto de comparação.

Mais importante do que isso é o fato de que o nosso corpo é resultado do nosso estilo de vida. Comparar uma mãe que trabalha no escritório a semana inteira com uma blogueira fitness que tem como ganha-pão manter o corpo malhado não é apenas injusto, mas irreal.

 

9. VOCÊ PODE ME AJUDAR PESSOALMENTE?

Fique a vontade para me enviar um email ou um desabafo, mas eu não ofereço nenhum tipo de ajuda em forma de tratamento quando o assunto é transtorno alimentar.

Eu dou dicas práticas de como melhorar o seu relacionamento com o alimento e com você mesma aqui no blog, mas elas não têm a intenção e nem devem de maneira alguma substituir o acompanhamento de um especialista da área de saúde.

Faça a sua pesquisa e não desista em encontrar alguém que possa te ajudar viver em paz com a comida; e evite profissionais com fórmulas prontas de emagrecimento ou com pensamento ultrapassado de alimentos permitidos e proibidos. Fuja de extremismos.