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Eu sempre amei comida.

Mas comer para mim envolvia muito mais do que mastigar, saborear e engolir.

Comer foi por muito tempo a minha resposta para todos os males. Hoje comer é prazer, viver, saborear sem culpa, experimentar o novo e não olhar mais para o ontem.


 

Eu comia todas as emoções que eu não queria sentir e por alguns instantes elas iam embora, mas deixavam um sabor amargo de culpa, vergonha e desesperança.

 

O meu maior sabotador era eu mesma, ou melhor, esta versão distorcida de mim que destruía meus maiores esforços em tentar ser uma pessoa saudável e capaz de ter uma relação normal com a comida.

Só quem é uma comedora emocional para entender o que é se ver dia após dia perdendo o controle da vida, desesperada para encontrar equilíbrio e tranquilidade, lutando para fechar o zíper da calça que servia até um mês atrás.

E tudo começava com aquele aperto no peito que aparece sem avisar, a mente inquieta e o coração batendo acelerado. Naqueles momentos, eu sabia onde encontrar calma para a agitação. E, de repente, aquele chocolate ganhava um significado bem maior e era nele que eu encontrava a paz que tanto procurava. Se não era o chocolate, havia sempre a bolacha recheada, o leite condensado, o salgadinho. Haviam tantas possibilidades.

Podia levar alguns pacotes ou colheradas, mas eu acabaria me acalmando e esqueceria minhas aflições.

E por alguns instantes tudo estava resolvido. A ansiedade e o cansaço que eu sentia davam lugar ao bem-estar.

A cada mordida o prazer invadia a minha boca e a liberdade de poder fazer o que eu queria, de comer tudo e o quanto eu queria era um sentimento maravilhoso.

Aquele momento com o alimento era só meu e lá não havia julgamentos, só amor. Eu me sentia completa, entendida e relaxada.


 

Através do alimento eu me libertava de todas as incertezas e responsabilidades, do estresse, da falta de intimidade e das contas do fim do mês. 

 

Infelizmente o sentimento de liberdade não durava muito e eu saia em busca de mais alimento para a minha inquietação. Talvez o resto do jantar que ainda estava na panela, ou a geléia na geladeira. Era só uma questão de procurar um pouco e a tranquilidade estava lá escondida na geladeira.

Eu começava então a comer mais rápido porque tinha pressa em me acalmar, porque o momento de prazer havia passado e eu começava a me olhar com desgosto e embaraço. O estômago já reclamava da quantidade de comida, mas eu não conseguia parar porque ainda procurava aquele prazer enorme da primeira mordida.


 

Os pensamentos confusos começavam a invadir a minha cabeça e eu me sentia gorda e fraca. Eu simplesmente não entendia como é que não conseguia nem ao menos controlar o que eu colocava na boca. Naquele momento eu me odiava.

 

Eu, assim como muitas de nós, não comia apenas comida, eu comia as minhas emoções.