Eu continuo dizendo sim

Hoje faz dois anos que eu disse sim à pessoa que mudou completamente a minha vida. É ele quem será o primeiro a ler este post, o primeiro a comentar no pé do meu ouvido o que achou, o primeiro a me elogiar e a criticar o que pode ser melhorado.

Casamento em lugares inusitados

De todas as ideias radicais que eu já tive, a mais radical de todas foi me jogar nos braços de alguém sem garantias e acreditar que o amor poderia dar certo, independente das diferenças culturais e linguísticas. Este post é especialmente para você, meu primeiro leitor. Eu já estava com um post pronto a ser publicado quando te vi ontem jantando e fui invadida por uma onda morna e gentil de alegria. Eu tinha que dedicar este post a você, meu amor.

Antes de te conhecer eu achava que haviam certas regras universais para o casamento, que casar era também anular uma parte de nós em prol de algo maior, mas eu estava errada. Casamento pode ser soma e não subtração. Aliás, a maior lição de todas nesses dois anos casada é que um relacionamento para dar certo não precisa seguir fórmulas, nem precisa de magia, porque o amor é uma escolha diária. Não foi o amor que nos escolheu, somos nós que o escolhemos todos os dias.

Casamento e Feminismo
Casamento em São Paulo

Eu não sei dizer se a forma como amamos é igual para todo mundo, mas eu sinto uma alegria infantil quando nos cruzamos na rua por acidente. Uma alegria genuína de ver o seu rosto no meio da multidão e de me sentir instantâneamente em casa. Isso para mim é amor. É ficar feliz com a ideia de que terei a cama por um dia só para mim, mas quando esse dia chega, sentir falta de ter o seu cotovelo na minha costela novamente. Só pode ser amor.

Não tem nada mais valioso do que passar horas sentados à mesa discutindo sobre a vida, filosofando, dividindo pensamentos sobre mulheres, política e sonhos. Nós sonhamos, imaginamos, criamos cenários fantásticos em nossas cabeças e rimos de tudo isso. Você me faz rir. Eu adoro ver o seu brilho nos olhos em falar sobre o que podemos fazer para nos tornarmos pessoas melhores, sua paixão pela música e por livros. Você me inspira.

Você me liberta todas as vezes que me apóia a ser quem eu sou, a dizer o que penso e a fazer o que eu quero, com a certeza de que quando eu voltar para casa você estará me esperando de braços abertos. Obrigada. Obrigada por ter me ensinado a respeitar as nossas diferenças e a fortalecer as nossas semelhanças. Eu adoro o fato de não saber onde acaba o homem e começa a mulher na nossa relação, porque não acreditamos em papéis de gênero. Nós criamos as nossas próprias regras, o nosso próprio jogo.

Como ser feliz no casamento

Eu continuo dizendo sim ao amor, continuo dizendo sim a esta ideia romântica da união entre pessoas que se amam, ao casamento. Eu digo sim ao amor sem fórmula e sem rótulos, que te liberta e cria espaço para que o incrível aconteça. As coisas mais preciosas que eu tenho na minha vida são os meus relacionamentos e você, Matt, é o melhor de todos eles.

Obrigada por me fazer sentir a pessoa mais especial do mundo. Eu amo você.

Perguntas que vocês querem saber

Uma entrevista sobre dieta, obesidade, transtorno alimentar e representação midiática

Há alguns dias eu fui entrevistada pelo site Ravishly para a sessão Ladies We Love e o resultado ficou muito bacana. Como vocês também me mandam emails com perguntas semelhantes, resolvi publicar as respostas aqui no blog também para quem ainda não viu. Espero que gostem.

Entrevista Erika Elenbaas

1. Conta pra gente um pouco da sua história com a dieta. Antes de chegar a conclusão de que dietas não funcionariam, você sofreu muito com isso?

A minha história com a dieta começou aos sete anos sentada na cadeira do consultório de uma pediatra. Naquele dia, eu voltei para casa com um papel que descrevia como a minha alimentação deveria ser dali em diante. Eu só consigo me lembrar que a médica me proibiu de comer doces e frituras e que eu deveria evitar banana, uva e laranja. A dieta, como esperado, só durou alguns dias.

Aquela foi apenas uma das dezenas de dietas seguidas, eu praticamente passei a adolescência e os meus vinte anos emagrecendo e engordando, sentindo-me péssima cada vez que uma dieta dava errado. Tudo que eu queria era ser saudável, bonita e atraente como qualquer mulher jovem, mas por alguma razão a fórmula da dieta não funcionava para mim. Quando a contagem de calorias falhou, eu tentei a dieta das proteínas, quando ela falhou, eu tentei a dos pontos. Teve também a da lua, a da sopa, a da banana, a do abacate, a doSouth Beach, isso para citar apenas algumas. Eu tentei até mesmo medicamentos para emagrecer, mas nem eles conseguiram acalmar a minha fome.

 
Erika Elenbaas dieta emagrecimento saúde
 

2. Quando e como surgiu a ideia do blog?

O ideia do blog surgiu quando eu consegui emagrecer 20 quilos depois de uma dieta bem restritiva. Eu acreditava então ter encontrado a fórmula para emagrecer e queria dividir isso com as pessoas. Meses depois de ter alcançado um peso considerado ideal, eu ainda estava insatisfeita com o meu corpo, com baixa autoestima, lutando contra a balança todos dias e passando horas na academia para queimar as calorias dos dias em que eu havia comido compulsivamente.

Eu estava errada. Eu não tinha encontrado a fórmula. Ali estava eu magra, infeliz, fissurada por perfeição e me sentindo gorda. Eu desisti de iniciar o blog, embarquei em uma viagem de autoconhecimento, procurei ajuda para lidar com os meus problemas, estudei muito para entender o que acontece quando a comida vira válvula de escape e, no final de 2013, comecei o blog com um discurso completamente diferente.

Hoje percebo que eu tive que passar por tudo isso para entender que, às vezes, dieta não é a resposta.

 
tratamento para obesidade
 

3. A gente sabe que ser saudável não significa necessariamente ser magra, e que os transtornos alimentares são um problema muito sério. Conte a sua experiência com transtornos alimentares.

Eu sempre adorei um bom prato e de vez em quando tinha umas comilanças descontroladas, mas nada muito grave. Depois que eu segui a última dieta que me fez emagrecer 20 quilos, comecei a comer compulsivamente várias vezes por semana. Eu ficava desesperada depois de comer tanto, me sentindo culpada e desgostosa, sem saber direito o que fazer e com um medo enorme de colocar todo o meu esforço a perder. Na época, eu já estava malhando todos os dias, mas comecei a malhar horas seguidas para compensar os excessos cometidos. Não demorou muito até que isso tomasse conta da minha vida. Eu me resumia em dieta, academia e compulsão. Foi então que eu decidi procurar ajuda em um centro para tratamento de transtornos alimentares achando que eu tinha o Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP). Depois de muitas entrevistas e exames, fui diagnosticada com Bulimia do tipo não purgativo, uma surpresa e um grande choque para mim, que sempre acreditei que bulímicas vomitavam e eram magrinhas.

Quando comecei o tratamento, eu queria me curar mais do que tudo na vida, então me joguei de cabeça. Segui todas as regras, envolvi amigos e familiares na minha recuperação, conversei com quem já havia tido experiência com TA e consegui me curar.

 
Chega de dieta
 

4. Você acha que para as mulheres pararem de fazer dietas para ter um corpo "perfeito" a mídia precisa ajudar nessa conscientização? Qual foi o papel da internet e da mídia em geral no achar que para ser feliz você tem que fazer dieta e tem que ser magra? 

A mídia tem um papel fundamental na percepção que temos sobre nós mesmas. Infelizmente, a representação midiática do corpo feminino é distorcida, objetificada e irreal. Na verdade, a mídia sobrevive dos anúncios publicitários e a publicidade sobrevive da nossa procura pela felicidade. Se a mídia nos convence que é preciso ser de determinada forma para ser feliz, a publicidade tem como usar este espaço para nos oferecer o que falta para que possamos alcançar a tão sonhada felicidade. Ao adquirirmos o produto ou serviço que promete nos deixar como as mulheres que vemos na mídia, estamos comprando a ideia de que seremos felizes. O ideal seria se todos saíssemos satisfeitos ao final do ciclo, mas não é isso que acontece. Não há produto no mercado que deixe toda a população do mundo loira, rica, magra, com a pele dourada, sem manchas, torneada, jovem, alta, sexy, feminina, delicada, sensual, com cabelos longos e volumosos, cheirosa, depilada e perfeita. A mídia desconsidera que é possível ser feliz se você não for assim. A mídia desconsidera que é possível ser feliz sendo quem você é. Então continuamos consumindo dietas, produtos e tratamentos que nos deixem mais próximas do ideal da felicidade feminina.

 
Compulsão Alimentar e Bulimia
 

5. Qual você acha que deve ser o primeiro passo a ser tomado quando fazer dieta toma conta da sua vida?

Há muitas mulheres passando por isso, e muitas delas não sofrem de um transtorno alimentar. O blog Brigadeiro de Alface é, por isso, para qualquer mulher cansada de passar a vida entrando e saindo de dieta e odiando o que vê no espelho. O primeiro passo a ser tomado para quem tem ou acredite que tenha um transtorno alimentar é procurar ajuda e começar um tratamento especializado. Muitas vezes, demora um pouco até encontrar um profissional ou tratamento que funcione, mas eu diria para não desistir nas primeiras tentativas. Estar curada vale a pena qualquer esforço.

Já para as mulheres que sentem que a dieta tomou conta da vida, mas no entanto não sofrem de um transtorno alimentar, o primeiro passo seria começar a confiar que o nosso corpo é capaz de regular por si próprio o quanto precisamos comer. Eu acho válido procurar um nutricionista para quem quiser aprender mais sobre alimentação, mas a nutrição não pode virar um terrorismo. O objetivo é que tenhamos autonomia e liberdade para fazer as melhores escolhas e não simplesmente seguir o que o outro nos manda comer. Quando conseguimos identificar o sentimento de fome e saciedade não precisamos mais seguir dieta alguma. O emagrecimento sem dieta é mais lento, mas é muito mais duradouro e não nos priva do prazer de comer.

 
Erika Elenbaas medidas públicas para combate à obesidade
 

6. Sabemos que fazer dietas muito restritivas pode ser muito prejudicial, mas do outro lado também vemos o número de obesos crescendo, especialmente entre as crianças, o que você acha desse outro lado? 

Eu acho que a população deve ser educada desde a infância a fazer melhores escolhas alimentares. Não vejo muitos programas nas creches ou escolas, por exemplo, que buscam informar as crianças sobre alimentação e escolhas saudáveis. A obesidade deve ser combatida com educação e trabalhando principalmente com a prevenção do problema.

A aula de educação física, por exemplo, é a aula mais desvalorizada no ensino nacional. Um país que não estimula o esporte desde a infância não pode esperar que as pessoas comecem a se movimentar depois de adultos. Além disso, não há espaço livre nas comunidades para que as crianças brinquem e para que os adultos possam caminhar, correr ou jogar bola sem precisar pagar por isso.

Eu vejo alguns esforços para combater a obesidade focados no indivíduo obeso, mas não vejo muito sendo feito para mudar a forma como os produtos industrializados são confeccionados. A dieta das fábricas é composta basicamente por açúcar, milho, soja e aditivos alimentares, resultando em produtos altamente calóricos e pobres em nutrição. Não tem como combater a obesidade se a indústria alimentícia não tomar a sua parcela de responsabilidade na equação.

A população deveria ser estimulada a consumir o menor número possível de alimentos industrializados e a valorizar os pratos regionais. Imagine só se macaxeira fosse mais chique do que goji berry? Tudo isso é trabalho de marketing e relações públicas que deveria ser feito para estimular o consumo local, ao invés de tentarmos copiar o que os outros países estão comendo. O Brasil é um país de solo rico e diversificado que nos fornece muitos alimentos saborosos e nutritivos.

Eu acho fundamental também que o tratamento dos obesos inclua acompanhamento psicológico e nutricional. Obesidade está tanto na cabeça quanto no corpo, não tem como emagrecer o corpo e esperar que o cérebro acompanhe a mudança passivamente.

Como deu para perceber, para combater a obesidade são necessários esforços individuais e medidas públicas, e não dietas. 

 
Quero emagrecer 10 quilos
 

7. Quais são os seus hábitos atuais em relação à alimentação e saúde?

Desde que parei de fazer dieta, não consumo mais alimentos diets, lights ou zero. Se vou consumir um iogurte, sempre escolho a sua versão integral, pois percebo que fico mais saciada do que consumindo a versão light. Eu também não consumo mais adoçantes químicos. Se quero substituir o açúcar refinado, sempre uso um adoçante natural como o mel, melaço ou frutas secas. Eu sempre cozinho a minha própria comida e procuro evitar os alimentos industrializados, mas tudo sem extremismos. Se a vontade de comer fast food for grande eu como, mas não faço isso regularmente.

Como o meu fraco são doces, sempre reservo um ou dois dias por semana para comer algo bem saboroso, como pudim, bolo ou tortas. Faço isso porque eu acredito que comida também é prazer e que saúde é saber equilibrar o que faz bem para o corpo com o que faz bem para a alma.

Exercícios físicos também são parte da minha rotina semanal. Para quem já viveu no extremo de malhar horas por dia e de viver no completo sedentarismo, eu posso afirmar que o movimento do corpo é parte fundamental na saúde física e mental. Atualmente eu me exercito de três a quatro vezes por semana e isso me faz um bem enorme.

 
Representação midiática das mulheres
 

8. Como estão sendo as respostas das pessoas em relação ao seu blog e aos vídeos que você postou a respeito do assunto? Você recebe muitos pedidos de ajuda?

A participação das pessoas está sendo maravilhosa. Eu recebo diariamente emails, mensagens e comentários de mulheres de todas as idades, etnias e diferentes estados do Brasil e de Portugal que querem dividir as suas histórias. Muitas delas são desabafos, segredos que não são divididos nem com familiares, pedidos de ajuda, agradecimentos ou sugestões. Eu me sinto extremamente lisonjeada de receber tanto carinho das minhas leitoras e sou muito grata pela confiança delas. Eu fico feliz pelo Brigadeiro de Alface estar se tornando um espaço livre de tabus, preconceitos e julgamentos onde qualquer um é bem-vindo e, mais importante, onde ninguém se sente sozinho.

Como lidar com a culpa de comer demais

Hoje eu vou dividir um ensinamento que me ajudou muito a lidar melhor com a culpa que eu sentia após comer demais. E eu não estou me referindo apenas às compulsões alimentares; estou falando daquele sentimento ruim e do arrependimento que sentimos depois de uma jacada ou comilança desnecessária. Sabe o gostinho amargo que fica na boca depois da barra de chocolate degustada em um momento de estresse? Então, o ensinamento é sobre isso.

Trata-se de um ensinamento budista que pode ser aplicado a tudo na vida. Eu não sou budista e nem sigo nenhuma religião em particular, mas sempre aprendo algo novo com tantos mandamentos religiosos interessantes que há por aí. Aconteceu em um dia ouvindo áudio budista sobre meditação, eu eu aprendi sobre a primeira e a segunda flecha.

Segundo Buda, há duas flechas que causam o sofrimento no ser humano. A primeira flecha é o sofrimento físico e a segunda flecha é o sofrimento mental. O primeiro sofrimento ocorre normalmente na vida, o segundo somos nós mesmos que criamos. Dá uma conferida no vídeo para entender como isso se aplica ao ato de comer.

Os meus pensamentos sobre a comercialização de inibidores de apetite

Anfepramona, femproporex, mazindol e sibutramina

Em setembro, ficou decidido pelo Senado que a produção e a venda de inibidores de apetite com anfetaminas volta a ser liberada. Isso significa que logo mais poderemos comprar legalmente medicamentos e fórmulas manipuladas com anfepramona, femproporex e mazindol. Em 2011, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a produção e comercialização de anfetaminas por trazerem mais riscos do que benefícios à saúde. A agência também decidiu adotar medidas mais rígidas para controlar a prescrição e distribuição de medicamentos que contenham a famosa sibutramina.

Pois é, devido à pressão da classe médica, da indústria farmacêutica e de alguns especialistas, o Senado optou por cancelar a proibição da Anvisa e agora está tudo liberado. É claro que todo mundo se comprometeu a fiscalizar a venda dos produtos para evitar abusos, mas não encontrei nenhuma informação que citava a fiscalização também dos médicos. Mas uma vez, temos que confiar que a palavra do médico é o melhor conselho que podemos receber.

Remédio para emagrecer

Eu li essa notícia com um gosto amargo na boca, e depois de receber uma mensagem de uma leitora perguntando sobre o meu posicionamento, decidi escrever um post.

Estes foram os argumentos que eu encontrei defendendo a liberação da produção e venda dos medicamentos anorexígenos, acompanhados com alguns pensamentos meus sobre o tema.

1. Anfetaminas e sibutramina são ótimos auxiliares no emagrecimento

Eu li uma porção de depoimentos de médicos afirmando que o medicamento funciona muito bem quando combinado com alimentação equilibrada e atividade física. Ora, se você come bem, é ativo fisicamente e tem acompanhamento médico, o resultado esperado realmente é o emagrecimento. Não entendo a função do medicamento nessa equação.

A Anvisa ainda apresentou, em 2011, um dado para a proibição que esclarecia que apenas 30% dos pacientes perdiam peso com sibutramina e que a perda era mínima, mas isso foi defendido pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) com uma comparação um tanto infeliz: “Claro que o medicamento não funciona para todos, da mesma forma que nem todas as pessoas que têm câncer respondem à quimioterapia.” Por falta de dados estatísticos, encontramos esse tipo de argumento por aí. Uma pena.

 
anfepramona, femproporex, mazindol e subitramina medicamentos para perda de peso
 

2. Não podemos deixar a população sem ferramentas para o tratamento da obesidade

A questão aqui é saber se as anfetaminas e a sibutramina realmente são ferramentas para o combate à obesidade. As anfetaminas já estão no mercado há cerca de 30 anos e a sibutramina desde 1999, mas continuamos engordando cada vez mais. Mesmo quando o Brasil era um dos maiores consumidores de anfetaminas no mundo, a obesidade aqui só aumentava. Eu me pergunto se as anfetaminas e a sibutramina realmente têm ajudado a combater o excesso de peso. Não encontrei nada também que comprove que a perda de peso é mantida.

 
 

3. A proibição do uso da sibutramina é uma opção a menos para o tratamento de transtorno alimentar

Eu estou lendo isso mesmo? Tem algum médico em sã consciência tratando Bulimia, Anorexia ou Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) com anfetamina ou sibutramina? Gente, o mundo está perdido mesmo. Esses médicos precisam, no mínimo, de alguma especialização em tratamento de transtornos alimentares para entenderem como atuar profissionalmente.

A Anvisa ainda tinha deixado claro na resolução de 2011 que a sibutramina não é recomendada para paciente com histórico ou presença de transtornos alimentares, agora vem algum doutor usando esse argumento?

Então vamos lá, se a pessoa tem compulsão alimentar e toma sibutramina durante o tratamento, o que acontece quando ela parar de tomar o remédio, a compulsão desaparece?

 
 

4. A proibição aumenta o contrabando de remédio para emagrecer

Bem, se isso é argumento para liberar as anfetaminas, acho válido dizer o mesmo sobre as drogas ilícitas. Vamos liberar tudo?

 
anfepramona, femproporex, mazindol e subitramina
 

5. Não cabe à Anvisa proibir a comercialização de medicamentos anorexígenos.

A Anvisa é uma agência que atua na regulação sanitária de produtos e serviços que possam afetar a nossa saúde. Ela funciona ou deveria funcionar para garantir que os produtos e serviços comercializados não representem grandes riscos à saúde dos brasileiros. A agência pode ter suas falhas, mas se não for ela prezar pela nossa segurança, quem o fará? Desde quando os senadores têm condições técnicas de decidir qual medicamento é seguro ou não, como o que acabou de ser feito? Quem é que deve então nos proteger dos interesses da indústria farmacêutica e de boa parte da classe médica?

Mesmo que a Anvisa não seja a agência sanitária ideal, ela tomou a decisão de proibir as anfetaminas baseada em estudos internacionais que alertavam para o risco desses medicamentos. A Organização das Nações Unidas (ONU) já havia alertado o Brasil sobre o consumo excessivo de anfetaminas, além do que muitas substâncias já estão banidas nos EUA e na Europa.

 
Sibutramina anfetamínicos
 

6. O Brasil tem que agir por si mesmo e não seguir definições da Europa e dos EUA

A Anvisa decidiu proibir as anfetaminas e limitar o uso da sibutramina no Brasil depois de reunião com as agências reguladoras dos EUA e da Europa, que já proíbiam algumas das substâncias discutidas. Foram também apresentados estudos internacionais que constataram baixa eficácia de medicamentos, além de riscos à segurança do paciente.

Não é novidade que a gente se espelha nos países mais desenvolvidos em várias áreas, mas pelo que entendi não é permitido fazer isso quando o assunto for proibição de substâncias anorexígenas anfetamínicas altamente lucrativas.

 
Sibutramina Femproporex
 

7. Tem é que aumentar a fiscalização da venda e não proibir

Concordo que é preciso aumentar a fiscalização da venda, mas quem fica responsável por fiscalizar o médico que prescreve anfetamina e sibutramina a alguém que só precisa perder sete quilos?

Já é de conhecimento geral que os médicos recebem “favores” e “gentilezas” dos representantes comerciais das indústrias, mas muita gente não sabe que há todo um marketing envolvido em convencer o médico a receitar um remédio emagrecedor aos seus pacientes. Eles recebem presentes, convites, viagens, treinamentos e regalias proporcionadas pela indústria farmacêutica.

Já que não é permitido fazer propaganda de anfetamina, as indústrias têm que encontrar maneiras de aumentar a venda do medicamento e manter o lucro dos negócios. Eles compram pauta em revistas e jornais e agradam médicos. Se você ficou interessada em como isso funciona, dá uma lida neste artigo.

 
 

8. Proibir as anfetaminas vai contra a democracia. O cidadão tem o direito de se tratar com medicamentos

Esse argumento é o melhor de todos. Ele até parece bem convincente com esta proposta de dar ao cidadão o poder de escolha e não ao Estado, mas a realidade é bem diferente.

Quando o médico nos diz que um medicamento vai ajudar a emagrecer, nós acreditamos nele. Se ele fizer tudo pela lei e prescrever um remédio aprovado pela Anvisa, não há porque desconfiar dos riscos. O médico tem um compromisso ético selado depois de seis anos estudando medicina e se eu não confiarmos a nossa saúde a ele, a quem poderemos confiar?

Se o médico recomenda um determinado tratamento, não há nada que me faça acreditar que eu estou consumindo algo que poderá me trazer muito mais riscos do que resultados. Não só o médico, mas o Estado, o farmacêutico e a mídia afirmaram que o uso do medicamento é legal, então eu consumo. Não foi uma escolha minha, mas do meu médico. Eu só decidi tentar emagrecer levando em conta a palavra do profissional a quem devo confiar a minha saúde.

Se não houver ninguém acima do médico regulando e fiscalizando, nós estaremos à mercê da classe médica e da indústria farmacêutica. Você chamaria isso de democracia? E o nosso direito à integridade física defendido pela constituição, não vale?

Se tomarmos esse argumento como certo, seria justo então dizer que os EUA e a Europa são menos democráticos do que o Brasil em proibir substâncias que trazem poucos benefícios e muitos riscos.

Pelo que eu entendi, na democracia brasileira todo mundo vai ter que virar pesquisador científico para decidir por si mesmo quais substâncias são seguras ou não, já que aqui cada um é por si e, se tivermos sorte, Deus será por todos.

Como emagrecer rápido

Resumindo, não há estudos clínicos que comprovem a eficácia da sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol. Eles são indicados para pessoas com IMC acima de 30, mas muitos médicos o recomendam a qualquer pessoa que queira emagrecer.

A relatora do projeto que libera a comercialização das substâncias, senadora Lúcia Vânia do PSDB-GO, ainda ponderou que “não é uma questão que pode ser resolvida com dietas, com academia”. Concordo senadora, que tal um projeto de lei então que garanta o acompanhamento psicológico e nutricional para o cidadão obeso? Com uma medida dessas, nenhuma indústria aumentaria os lucros vendendo remédio, mas o lucro para a população seria imensurável.

Eu nunca fiquei sabendo de alguém que tenha emagrecido e mantido o peso após parar de tomar o medicamento, mas se vocês conhecerem, por favor me avisem. Estou curiosa para saber.

Pare de fazer dieta!

Algumas razões para não fazer dieta

Chega de dieta

Não adianta, eu não acredito em dieta.

Eu não acredito simplesmente porque dieta é um controle externo para regular algo que o nosso corpo já faz magistralmente: o nosso mecanismo de fome e saciedade. Dieta é um desfavor ao corpo, ao emagrecimento e à saúde e neste vídeo eu explico o porquê.