Plus size ou normal size?

O ensaio da Cosmo australiana é apenas um exemplo de como estamos perdendo a noção do que é beleza.

Há duas semanas atrás, eu fiquei chocada ao ver o ensaio da Cosmopolitan australiana estampando a modelo Robyn Lawley em roupas de banho. Quando vi o ensaio, pensei na hora: “nossa que vitória, finalmente uma modelo mais cheinha na revista”. Mas passada a euforia, bateu o remorso - como assim eu estava achando o máximo eles fazerem um ensaio com uma modelo normal, e como assim eu a estava vendo como cheinha? Confesso que me senti horrível em pensar isso. Mas pensei, pronto! E agora estou escrevendo. Talvez se eu dividir aqui com vocês, me sentirei menos culpada.

Crédito: Cosmo Australia

Após meu instante de pensamentos sexistas (desculpem feministas, o meu cérebro foi mais rápido do que eu naquela hora), eu vi que o título da matéria já deixava bem claro que a campanha era plus size.  A modelo “cheinha” estava divulgando a sua própria linha de roupas de banho plus size, lançada no começo de 2013. E eu ali pensando que a Cosmo estava super inovando incluindo mais carne no seu elenco. Não, a campanha era plus size, com modelo plus size e título plus size. Tudo bem explicadinho para não assustar as desavisadas, como eu, que ficam na expectativa de ver uma beldade com BMI 17.

Por um lado é até bacana que a publicação dê espaço para o mundo plus size, mas a questão é que a modelo não era plus, era regular. A Robyn Lawley é uma mulher belíssima de proporções simétricas e corpo curvilíneo. Ao ser entrevistada no talk show da TV Ellen, ela falou sobre as dificuldades que teve na indústria da moda, e em como ela vivia de dieta tentando alcançar o tamanho "ideal" até que, finalmente, decidiu amar e aceitar o seu corpo:

“A comida não é o problema. É a sociedade. Nós já odiamos tantas coisas... mas devemos aceitar o nosso tamanho natural.”

Crédito: programa TV Ellen.

Se quiser dar uma olhadinha em um trecho da entrevista clique aqui (em inglês).

Na realidade, Robyn Lawley é uma mulher magra, e constatando isso eu me pergunto: o que é que essas revistas e sites estão fazendo comigo e com milhões de mulheres expostas às imagens de beleza todos os dias?  Nós estamos com uma visão distorcida do que é normal e do que não é. E isso acontece pois aceitamos passivamente o que vemos, e adotamos modelos e famosas como referencial de beleza e sucesso.

Nós mulheres já conquistamos o voto, a independência financeira, a política e os espaços públicos, mas ainda estamos aprisionadas no nosso próprio corpo. E esta, para mim, é a maior revolução que deve ser feita.

O belo hoje é o inatingível, é aquilo que nunca seremos

A sua e a minha insatisfação é o que faz a economia girar. Quanto mais ódio ao corpo, quanto mais baixa autoestima e quanto mais insegurança, mais livros e produtos de dieta serão vendidos, mais cosméticos serão usados e mais cirurgias plásticas serão feitas.

Eu acredito que podemos mudar essa realidade. Eu acredito que nós, consumidoras, devemos quebrar o ciclo da insatisfação. Eu escolho ser feliz, e você?

Como se livrar da compulsão: mude o cenário e perca peso

Aqui vai uma dica simples que mudou a minha relação espaço-comida.

Como legítima comedora emocional, eu tinha alguns lugares fixos para manifestar o meu ataque alimentício, e o que me ajudou muito a melhorar a relação com a comida foi identificar quais lugares eram esses.

Eu comecei observando e relembrando os ataques que eu havia tido até então e a resposta não foi difícil de encontrar. No meu caso, eu tinha dois tipos de situações: dentro e fora de casa. O que eu vou relatar aqui cabe à situação dentro de casa.

O meu maior problema era na cozinha - lá era onde todo o mal acontecia. Na maioria das vezes, eu abria o armário, pegava um pacote ou pote, encostava a barriga na pia, e com a porta do armário ainda aberta, eu devorava tudo. Às vezes eu me cansava daquele sabor e pulava para a próxima delícia no armário ou na geladeira. Se o ataque fosse com algo vindo da geladeira, você me encontraria curvada, com a porta da geladeira aberta, devorando algo direto da embalagem ou do refratário, ou bebendo direto da garrafa. Nos dois casos, as portas da geladeira ou do armário ficavam abertas do começo ao fim do episódio. E tudo acontecia muito rápido.

Além da cozinha, um outro lugar profano era a sala - sentadinha no sofá e sempre com a TV ligada. Pensando bem, não houve uma só vez em que a TV estivesse desligada. A combinação ataque compulsivo e televisão é uma das experiências mais reconfortantes que eu posso imaginar. Até porque se todo este drama de comer emocional fosse apenas ruim, ninguém faria mais de uma vez, ou alguém se vicia em fechar o dedo na porta do carro?

Bem, eu já tinha a casa mapeada – cozinha e sala. No seu caso pode ser o seu quarto, o escritório, o banheiro... as possibilidades são enormes e eu já vi de tudo um pouco. No meu caso, a cozinha (pia e geladeira) e a sala (sofá) eram os pontos "X" da compulsão.

O que eu fiz foi me proibir de comer nesses espaços, e escolher dois lugares fixos para comer – à mesa de jantar ao à mesa do meu escritório.

A regra é definir os lugares onde você normalmente tem os ataques como lugares proibidos de comer. Então, se você costuma atacar na cozinha, encontre outro lugar para comer. É claro que se a sua mesa de jantar estiver na cozinha, você sempre acabará comendo lá - assim espero. Mas nós sabemos que um ataque nunca acontece quando estamos sentadas à mesa, com a comida servida em prato de porcelana e o guardanapo sob o colo, não é? Quando eu digo lugar, você deve pensar naquele lugar específico da cozinha, como à beira da pia, em frente à geladeira, encostada no fogão, e assim por diante.

A minha cozinha não tem mesa, mas a sala sim. Quando eu identifiquei que o meu ataque sempre acontecia no sofá, eu o eliminei do meu roteiro de alimentação e passei a comer somente à mesa de jantar, mas continuei comendo na sala.

Para facilitar, vamos ao passo-a-passo resumido:

1. Mapeie o território proibido:

Identifique os lugares onde o ataque ocorre. Lembre-se de ser específica ao nomear estes lugares (ex: quarto-cama, escritório-escrivaninha, sala-sofá, cozinha-pia).

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2. Proíba acesso às áreas mapeadas:

Uma vez identificados, defina estes lugares-ataques como proibidos para alimentação. Não coma nada nesses locais, mesmo que seja algo inocente e não relacionado com um episódio de compulsão.

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3. Defina as áreas permitidas:

Escolha um ou dois lugares permitidos e restrinja a sua alimentação à essas áreas. No começo pode parecer um tanto sem sentido, mas você vai começar a perceber o quanto isto confunde o automatismo do comer emocional. Isto também é uma maneira de nos obrigar a parar antes do ataque para avaliarmos se estamos num lugar proibido ou permitido. Tudo isso acaba alterando um pouco a lógica da compulsão.

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Nós estamos condicionadas a agir de determinada forma em algumas situações e com o comer emocional não é diferente. Ao mudar a situação, acabamos mudando a forma que agimos.

Como aceitar o que odiamos

Eu sempre fiquei intrigada com este negócio de que a aceitação é o primeiro passo para promover a mudança que você deseja. Afinal, se o desejo de mudar geralmente implica que há algo indesejável na situação atual, como é que aceitando essa situação me faria mudar? Não seria então mais condizente dizer que a rejeição leva à mudança?

Se levarmos apenas a semântica da palavra em consideração, não faz nenhum sentido associar mudança com algo que aprovamos, validamos e concordamos. Mas depois de muito tempo batendo a cabeça, eu entendi que a aceitação pode ser vista como negativa (raiva, frustração e aversão que sentimos à situação atual), ou como positiva (entendimento da situação, conhecimento e planejamento do futuro que almejamos).

Neste post, eu vou abordar o contexto positivo da aceitação. E, para começar, que tal tirarmos da cabeça a ideia de que aceitação = estar de acordo? Afinal, eu nunca estive de acordo em passar anos comendo compulsivamente, ingerindo açúcar por duas ou três pessoas, e me sentindo um lixo por fazer tudo isso. A aceitação que proponho não tem nada a ver com resignação, e sim com o reconhecimento e entendimento da situação que você quer mudar.

Para todas nós que almejamos algo diferente para o futuro, o caminho é o mesmo: é preciso conhecer e entender o que queremos mudar. Somente entendendo a situação é que conseguimos mudá-la. É como o psicólogo alemão Kurt Lewin lindamente afirmou:

"Se você quiser verdadeiramente compreender algo, tente mudá-lo."

No meu caso, eu estava cansada de não ter controle nenhum sobre o que eu comia, e de ainda ter que lidar com o resultado da comilança estampado no meu corpo. Era frustrante fracassar toda vez que eu tentava uma dieta. Naquela época, eu acreditava que eu não tinha força de vontade ou determinação, e que tudo estaria resolvido quando eu conseguisse me controlar. Eu entenderia, anos mais tarde, que controlar ou lutar contra si mesma pode funcionar por algum tempo, mas chega o momento em que a vida acontece, os problemas aparecem, e acabamos desistindo.

O meu erro era pensar que o meu comportamento me definia. Hoje eu sei que posso me comportar de mil maneiras diferentes, mas que isso não muda o fato de eu continuar sendo quem eu sou.

 
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Todas nós temos comportamentos bons e ruins, e devemos sim mudar aqueles que estão nos prejudicando, mas jamais podemos cometer o erro de achar que um comportamento ruim nos faz uma pessoa ruim. Ao separar uma coisa da outra, fica bem mais fácil aceitar a situação que você quer que mude.

Tenha em mente que o seu ataque de geladeira noturno (comportamento) pode ser uma procura por relaxamento (intenção). Mesmo que o comportamento seja ruim, a sua intenção é boa - você só está tentando suprir a necessidade legítima do descanso, o que é ótimo. Você está sendo amável e atenciosa, mas escolheu o comportamento errado.

Ao distinguir a pessoa do comportamento, abrimos espaço para a escolha. Se eu sei que há outras maneiras de conseguir o que quero (relaxamento neste caso), eu posso escolher, por exemplo, cancelar alguns compromissos para relaxar em casa, ou me dar uma massagem de presente. Quando reconhecemos as nossas necessidades, a maneira como as suprimos fica à nossa escolha.

É por meio da aceitação do nosso comportamento ruim e do reconhecimento das nossas necessidades que a mudança pessoal é provocada .

Que tenhamos força para aceitar o que podemos mudar!

Divirta-se e emagreça!

Para escrever este post eu pensei em uma lista enorme de doenças que são bem comuns e atrapalham a qualidade de vida de muita gente, são elas: rinite, sinusite, gastrite, cistite, dermatite, tendinite, bronquite. E isto porque eu nem citei todas. Mas quer saber qual a doença que mais atinge a população feminina?

Quando-eu-emagrecer-ite.

DefiniçãoQuando-eu-emagrecer-ite  é um mal que atinge inúmeras pessoas que se veem presa em um corpo que elas odeiam. Mesmo ainda sem tratamento pela medicina tradicional, alguns especialistas afirmam que é possível curá-la em casa, com muita paciência, dedicação e coragem.

Sinais e sintomas:  Os sintomas incluem afirmações que a própria paciente faz, e que a levam a acreditar que ela só poderá viver completamente quando tiver o corpo perfeito. Para saber se você sofre ou já sofreu desse mal, seguem exemplos de afirmações feitas frequentemente:

Quando-eu-emagrecer, eu vou me sentir linda e segura.”

Quando-eu-emagrecer, eu dar mais atenção à minha carreira.”

Quando-eu-emagrecer, eu vou cuidar da minha aparência.”

Quando-eu-emagrecer, eu vou encontrar alguém especial.”

Quando-eu-emagrecer, as pessoas vão me respeitar e me admirar.”

Quando-eu-emagrecer, eu vou ter mais energia para investir mais na minha relação.”

Quando-eu-emagrecer, eu vou radicalizar no corte de cabelo.”

Quando-eu-emagrecer, eu vou à praia.”

Quando-eu-emagrecer, eu vou me matricular na academia.”

Quando-eu-emagrecer, eu vou melhorar a minha vida sexual.”

Quando-eu-emagrecer, ele vai me amar.”

Quando-eu-emagrecer, EU vou me amar.”

Se você se identificou com alguma das afirmações citadas acima, você também pode estar contaminada com o vírus do Quando-eu-emagrecer-ite.

O lado mais perverso dessa doença é que ela está te fazendo engordar.

Diagnóstico:  Quando adiamos fazer as coisas que queremos, acabamos adiando a vida acontecer. E, verdade seja dita, a vida não espera estarmos perfeitas para acontecer. Ela está acontecendo agora, queiramos ou não. Além disso, acabamos frustradas, descontentes e entediadas, esperando pelo dia em que poderemos fazer tudo o que nos der na cabeça. E quer saber o que você faz quando fica frustrada, descontente e entediada? Sim, você provavelmente come. E isto acontece porque a sua única fonte de prazer na vida passa a ser a comida.

Se você está adiando começar um projeto que traria prazer e satisfação à sua vida, você está se sabotando e se desrespeitando dia após dia. Afinal, não há por que esperar emagrecer para aceitar um desafio, ou para acrescentar um pouco de diversão na vida, ou para cuidar bem do corpo. Por que não acreditar que merecemos tudo isso agora?

Se privarmos o nosso corpo de prazer, diversão e excitação, ele vai acabar dando um jeito de encontrar isso; e a comida é o caminho mais curto. Como eu já disse, comer é fonte de prazer. Quando comer é a sua única fonte de prazer, você vai recorrer com mais frequência à fonte. Simples assim.

Tratamento:  Eu proponho então que paremos de punir o nosso corpo por existir, e tenhamos coragem para empreitar os projetos não começados. Que tal se soltar na pista de dança, ou pedir um aumento, ou começar o mestrado, ou até mesmo usar biquíni na praia? Simplesmente porque você merece.

Não adie a sua vida para amanhã. Divirta-se.

Cinco lições para viver melhor

Esta semana foi o meu aniversário!

E aniversário para mim, além de ser o melhor dia do ano, é também um dia para refletir e avaliar as minhas realizações e os aprendizados do ano que passou. Todo ano eu festejo o fato de eu estar viva e de ter a chance de envelhecer em um mundo cheio de coisas lindas a serem vistas.

O meu ano foi uma montanha russa incrível que me ensinou algumas lições importantes, e me mostrou como valorizar o que realmente importa. E para festejar o meu dia feliz, vou dividir cinco lições que eu aprendi e que deixaram a minha vida bem mais alinhada ao que eu acredito.

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1. Viva o hoje:     Esta para mim foi a lição número um do ano: não passar os meus dias planejando o amanhã ou remoendo o ontem.  Uma lição que não foi fácil de ser aprendida, mas que agora eu entendo. Eu entendo que não devo desperdiçar os meus preciosos momentos revivendo algo que não vai mais acontecer ou romantizando um passado que quando aconteceu nem era tão fenomenal assim. Eu também entendo que quando a insegurança bate, tudo o que queremos é ter certeza do amanhã, mas que para ter certeza do amanhã é preciso fazer tudo certo hoje, e quando fazemos tudo certo é porque não estamos fazendo nada.

O erro é a prova de que realmente estamos vivendo

2. Ame sem medidas:     Eu sou uma romântica incurável. Eu amo, amo, amo. Eu amo até mesmo antes de ser amada. E caio, e choro, e amo de novo. Eu vivo me apaixonando por pessoas, por amigas, por mulheres que eu admiro, por lugares, pelo meu marido, pela minha família e por mim. Eu simplesmente não consigo gostar um pouco, ir com calma, esperar até ver o que acontece. Não. Eu amo. E é assim que eu acredito que uma vida deve ser vivida; não há nada mais humano do que amar sem precauções e sem recompensas.

Ame loucamente como se não houvesse amanhã

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3. Desligue a TV:     Este ano eu decidi só ligar a quadrada para assistir aos filmes e programas que realmente me interessavam. De acordo com o IBGE, a expectativa de vida de um brasileiro nascido em 2010 é, em média, de 73 anos. Segundo estudo feito pela Motorola Mobility, o consumo brasileiro médio de TV é de 20 horas semanais, traduzindo… quase 3 horas por dia. Fazendo a matemática, se estivermos na média, acabaremos assistindo 75.920 horas de televisão ao longo da vida. Ou melhor, 3.163 dias de TV, ou ainda melhor, quase 9 anos de olho na telinha! Agora, imagine as coisas maravilhosas que poderiam ter sido feitas em 9 anos de passividade?

É melhor gastar o seu tempo vivendo a sua vida do que assistindo como os outros vivem a deles.

4. Celebre o imperfeito:  Quando ouvimos que temos que nos amar e nos valorizar pensamos logo nas nossas qualidades, quando na verdade, a única maneira de nos amarmos é quando conseguimos aceitar os nossos defeitos. O ano que passou foi para mim uma celebração à imperfeição. Eu, oficialmente, aceitei e abracei todas as coisas das quais eu me envergonho, e fiz as pazes com cada uma delas.  E como a maravilhosa Clarice Lispector afirmou:

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

5. Seja vulnerável:     Admitir e aceitar as nossas fraquezas é uma das coisas mais assustadoras que podemos fazer, mas eu admito que não há nada mais libertador. Este ano eu aprendi que, às vezes, ao longo do caminho, precisamos pedir ajuda e segurar a uma mão de quem nos faz lembrar que não estamos sozinhos.  Até então, eu acreditava que eu deveria resolver tudo sozinha para manter a minha vida em ordem. Eu pensava em um mundo dividido em dois tipos de pessoas: as que ajudam e as que precisam ser ajudadas. A realidade é que todos estamos em ambas situações. Quando pretendemos ser invulneráveis contruímos uma barreira que nos afastam das pessoas mais importantes. Ao mostrar vulnerabilidade a quem confiamos, temos a chance de construir uma relação baseada em confiança. E isto é amar.

Ser forte é ter coragem de arriscar ser vulnerável

Ao soprar a velinha eu fiz o meu pedido e decidi, mais uma vez, que este ano eu escolho viver e aceitar a humanidade das minhas imperfeições. Eu escolho ser livre, arriscar e amar.

Quando ser gorda te protege sexualmente

> O 2º post da série “Quando ser gorda..."

Todas nós sabemos e sentimos o que é viver em uma cultura obsessiva com o tamanho e o com o formato do corpo feminino, onde o ser gorda ou magra é considerado como expressão máxima do valor das mulheres, em vez de uma descrição da relação entre a gordura e massa corporal magra.

Mas a ideia de que ser magra é bom, e de que ser gorda é ruim, é bem mais complicada do que pensamos. Muitas vezes, inconscientemente, nos sabotamos para mantermos o corpo acima do peso porque, afinal, isto não é de todo ruim; e eu explicarei porquê.

Uma das grandes vantagens da gordura é estar protegida sexualmente. Muitas vezes, quando estamos cheinhas, evitamos lidar com a nossa sexualidade e com todos os desconfortos que isso pode causar. Nós nos libertamos da pressão pública em sermos sexy e desejadas e escolhemos ser reconhecidas por outras qualidades. E comigo não era diferente, como eu já expliquei anteriormente.

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Se por um lado queremos ser a mulher mais sexy da festa, por outro, é assustadora a ideia de estar mais exposta a olhares, comentários e investidas masculinas. E nessas horas, é um alívio não termos que nos preocupar em dar um fora em alguém ou sermos rudes, já que estamos fisicamente protegidas de todos esses contratempos. O nosso corpo acaba sendo a maneira mais confortável de dizer “NÃO”.

Não, eu quero mais do que uma noite.

Não, eu não estou disponível.

Não, eu sou muito mais do que um objeto.

A ambiguidade do meu desejo em ser magra e atraente me sabotou por anos. No fundo, eu acreditava que os homens deveriam se apaixonar por quem eu era e não pela minha aparência; que as mulheres deveriam gostar de mim pela minha personalidade e não pela minha aparência; e que as minhas conquistas profissionais deveriam ser baseadas na minha competência e não na minha aparência. A única forma que eu tinha para me assegurar de que eu seria vista como uma pessoa, era não sendo atraente. Mas o custo das minhas escolhas inconscientes foi alto para a minha saúde e para a minha autoestima.

O lado ruim disso tudo é que os quilos extras não afastaram homens que só queriam me usar, tampouco fizeram com que todas as mulheres me aceitassem e gostassem de mim, e não me protegeram da decepção em vivenciar que, às vezes, ser competente não é o suficiente no ambiente de trabalho.

E nessa confusão toda, a mídia não ajuda nem um pouco.

Nós nos deparamos frequentemente com a sexualidade feminina exibida na televisão, na internet e no cinema. Elas estão por toda a parte: servindo uma cerveja gelada de biquíni, em salto agulha e batom vermelho admirando o carro importado do homem bem-sucedido, na capa da revista ensinando as 10 maneiras de levar um homem à loucura, e assim vai. A realidade é que a mídia não deteriora  apenas a autoimagem e a autoestima da maioria das mulheres, mas também a imagem que as outras pessoas têm das mulheres. E assim somos reduzidas a objetos físicos utilizados pelo publicidade para dar lucro a grandes organizações. Como diz John Berger, no livro Modos de Ver (Ways of Being):

"Os homens agem, as mulheres aparecem. Os homens olham as mulheres. As mulheres se veem sendo olhadas. Isto determina não somente quase todas as relações entre homens e mulheres, como também a relação das mulheres consigo mesmas... O seu próprio sentido de ser é substituído pelo sentido de ser apreciada pelo outro."

Tudo bem, eu concordo que muitas mulheres querem ser olhadas, e não há nada de errado nisso. Em algumas situações eu também quero ser admirada pelo meu look. Mas o que devemos fazer com o restante do tempo em que a aparência não deveria ser relevante? Será que temos que negar a nossa sexualidade para sermos vistas como cidadãs?

Eu acredito que não. Eu acredito que podemos viver plenamente e abraçar a nossa sexualidade se começarmos a falar o que não queremos ou invés de comer.

Entre usar a boca para dizer NÃO e usar a boca para COMER, fique com a primeira opção.

Emagrecer também traz consigo apreensões em não saber se seremos vistas como pessoas inteiras ou se seremos vistas apenas pelas nossas qualidades sexuais. Afinal de contas, tudo o que queremos é ser admiradas por quem somos e pelo que criamos, estando ou não acima do peso.

Diminua o ritmo

Não há mudança positiva que germine em um solo confuso, conturbado e infértil.

Eu falhei incontáveis vezes tentando emagrecer porque eu simplesmente me estressava demais, e me obrigava a mudar custe o que custasse para conseguir ser magra. No fundo, eu sabia que aquelas mudanças radicais eram impossíveis de serem mantidas em longo prazo, mas mesmo assim eu continuava tentando.  

Só depois de muito tempo foi que eu entendi que o emagrecimento não é resultado de força de vontade ou perseverança, e sim o resultado de mudanças realistas de hábito que nos exigem tempo, paciência e um amor imenso a nós mesmas.

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A maioria das minhas tentativas em emagrecer foi estimulada por razões desagradáveis: choque ao ver o número registrado na balança, briga com o namorado, comentário impertinente de uma amiga, ou pior, comentário impertinente de um estranho (essa é dolorida!). E naquele momento turbulento e desesperado eu decidia mudar e ser uma nova pessoa.

A palavra da vez era controle, e assim eu seguia firme na dieta. Eu acreditava que se eu pudesse controlar o que eu colocasse na boca e o quanto eu pesava, tudo na vida se resolveria como por si. Eu estava em guerra contra a balança.

Mas a vida felizmente não é só feita de momentos de felicidade e certezas. Há sempre acontecimentos que despertam o medo e a insegurança, e o único jeito de nos mantermos centradas e fortes para que a dor seja sentida, é quando estamos em paz. E não há paz quando estamos em guerra.

Quando não nos permitimos sofrer, acabamos comendo

O sofrimento é inevitável, mas a comilança não.

Se você está querendo mudar um hábito que está te mantendo estancada, impedida de seguir em direção a algo maior e mais alinhado ao seu real Eu, não há outra maneira de começar esta mudança, senão a de não fazer absolutamente nada. Isto mesmo, não faça absolutamente nada.

Tenha coragem de se dar um tempo para não pensar em nada, nem ao menos nos seus problemas. Esqueça da briga de ontem a noite que deixou um gosto amargo no café da manhã, não pense na reunião de terça-feira e na apresentação que precisa estar perfeita até lá, desencane da espera pelo homem perfeito, e aceite a saudade que você tem de um tempo que não volta mais.

Não importa em qual estágio da vida você esteja ou quais problemas você queira resolver, há um ponto em que nós certamente concordamos: muitos dos nossos problemas seriam facilmente resolvidos mudando nossos hábitos. Mas como mudar algo quando não temos mais energia nem para a rotina?

Pare.

Nós estamos sempre ligadas, conectadas e atarefadas, e acabamos não criando mais tempo para o silêncio, para o não fazer nada e para a simples contemplação da vida como ela é. Hoje passamos o nosso tempo sentadas em frente ao computador ou à televisão e somos bombardeadas com informações o tempo todo.

Respire.

Crie espaço para o ar entrar nos seus pulmões. Crie espaço para encontrar todas as respostas que estão dentro de você e crie tempo para ouvi-las.

Permita-se cinco minutos por dia de silêncio, contemplação e respiração. Comece simples. Exercite o estado de paz interior..

Eu levei muito tempo para entender que estar em paz é o melhor estado de espírito para promover mudanças.

Não lute.

Abaixe as suas armas, desarme as suas defesas e esteja aberta para transformações. Entenda que cultivar a paz é o único caminho para semear o novo, e que a mudança é como uma semente que precisa de tempo e cuidado para se transformar numa planta saudável.

Esteja em paz para mudar.