Como a comida define a mulher

Às vezes, é impossível não notar o quanto o alimento pode definir quem somos nos diferentes papéis que representamos nas nossas vidas. A forma como comemos ou alimentamos outras pessoas nos definem como mulher, mãe, filha, profissional, cidadã, amante e parceira.

As pessoas nos julgam pelo que comemos e acabamos repetindo o mesmo comportamento com conhecidos e estranhos. Nós julgamos homens e mulheres, crianças e bebês baseados na dieta que cada um segue e achamos isso tão natural que nem nos damos conta do quanto é prejudicial à nossa vida e à vida dos outros.

Quem não conhece alguém acima do peso que inexplicavelmente continua engordando mesmo comendo bem menos do que os outros sentados à mesa? Salvo raros casos, a gordura é sim o resultado do que ingerimos e do que estamos gastando. Gostando ou não, essa é a realidade. Se o gordo só come salada na frente dos outros, as chances são enormes que ele come o dobro quando está sozinho e longe dos julgamentos alheios. Estar acima do peso é uma coisa, ser gordo porque come demais é algo completamente diferente, e ninguém quer fazer parte desse time.

A comida que ingerimos virou objeto de admiração ou repulsa das pessoas. Quem só come alimentos frescos e orgânicos é admirado por sua escolha consciente e quem come frango empanado com arroz branco é criticado. Não é fácil para ninguém ter que lidar com a desaprovação dos outros com relação às nossas escolhas alimentares.

Para a mulher, a pressão sentida em torno do alimento é ainda mais cruel. O alimento define como lidamos com o nosso corpo e mostra como tratamos nossos parceiros, maridos, pais e filhos. Como se não bastasse, até a visita esporádica que chega na sua casa para o jantar de sábado, sai de lá com uma ideia formada sobre que tipo de mulher, esposa ou mãe você é.

Infelizmente, a cozinha é ainda onde a mágica acontece para nós mulheres. Ao cozinharmos bem, estamos aumentando significativamente as nossas chances de sucedirmos no âmbito das relações sociais. Ao cozinharmos de maneira saudável, ganhamos ainda mais crédito. E como se não bastasse, precisamos comer bem e educar aqueles que amamos a fazer o mesmo. O nosso corpo e o corpo dos nossos familiares acabam sendo a prova de que estamos sucedindo ou falhando como mulheres.

Pode parecer chocante ou radical pensar isso, afinal já estamos no século XXI e lugar de mulher já não é mais na cozinha. Sim, correto. Já conquistamos muitos espaços, mas ainda continuamos sendo avaliadas pelo alimento que escolhemos para nós e para nossos filhos.

Sentada em um churrasco de aniversário com a família do Matt, eu testemunhei uma mãe tentando explicar as dobrinhas a mais do seu bebê de cinco meses. Não adianta, se o bebê estiver gordinho ou muito magro, a única suspeita da história vai ser a mãe. Eu mesma já me peguei fazendo isso, você provavelmente já deve ter feito e acho que todas estamos meio que fazendo isso sem parar para pensar.

Tudo começou com uma senhora comentando admirada sobre a fofura do bebê. Não demorou muito até começar uma conversa sobre o que o bebê estaria comendo para ter tantas dobrinhas. A mãe afirmava só estar dando o leite materno, mas as indagações continuaram em um tom descontraído, até a mãe encerrar o assunto afirmando que o desenvolvimento do bebê era normal e que as dobrinhas a mais não resultariam em obesidade, segundo avaliação do médico.

Aquela conversa corriqueira não foi marcante para nenhum dos envolvidos, mas foi ali que eu parei para refletir todas as vezes que eu abominei uma mãe por alimentar o filho com uma mamadeira de Coca-cola; todas as vezes que eu fiquei imaginando como seria a dieta daquela mulher que é grande demais ou daquela outra que é pequena demais; todas as vezes que eu categorizei alguém baseada unicamente no que a pessoa estava comendo. Por que será que eu fiz isso? Por que será que estamos fazendo isso umas com as outras?

As meninas de hoje serão criticadas, como nós somos, sobre o que elas comem ou deixam de comer. Ao se tornarem mães, elas também serão avaliadas pela dieta dos filhos. É claro que os tempos estão mudando e vai chegar um dia em que os homens também serão responsáveis pela cozinha e pela alimentação da família, mas por enquanto a grande maioria continua sendo mulher.

Talvez agora seja o momento de refletirmos se queremos continuar passando esses valores para as próximas gerações. É claro que alimentação é importante, mas não é tudo. Não faz sentido vangloriar ou rebaixar alguém com base na comida que ela consume.

A maneira como lidamos com o nosso corpo ou com aqueles que alimentamos é uma escolha pessoal e deve ser respeitada. Não devemos permitir que o alimento continue sendo usado como objeto de controle social.

 

Ela chutou o balde e você?

Mude de vida ou fique onde está

Nós podemos ser tudo o que quisermos, nós podemos ter tudo o que quisermos. Somos uma geração de possibilidades, sonhos e paixões onde cada um é especial e único. Não queremos apenas empregos estáveis; nós queremos um trabalho incrível, desafiador, brilhante.

De repente, o emprego dos sonhos dos nossos pais virou um pesadelo para nós, e ficar sentado em um escritório de segunda à sexta parece não estar mais alinhado às nossas necessidades de sermos incríveis. De repente, o casamento dos sonhos virou sinônimo de prisão e infelicidade, e dizer sim ao financiamento imobiliário de 35 anos do apartamento próximo a casa dos sogros já não parece uma boa ideia. Nós queremos mais.

Os tempos mudaram e a nova ordem mundial é seguir os seus sonhos, aonde quer que eles te levem. A parte difícil é saber quais sonhos são esses. Isso sim é complicado. Tem gente que só vai saber o que quer da vida aos 45 anos, tem gente que morre sem saber, mas há sortudos que parecem ter nascido sabendo. Saber o que você realmente quer pode levar anos, décadas e, infelizmente, a vida não espera até que você saiba o que fazer dela. Eu sou daquelas que vivem mudando de sonho e que vão meio que adaptando a vida conforme o sonho muda.

A Sâmia é daquelas que, como eu, sempre estão arquitetando algo diferente. É daquelas que fizeram Marketing, mas amam moda e pagam as contas fazendo comunicação e mídias sociais. É daquelas que conseguem combinar Joy Division com Justin Bieber na mesma playlist sem o menor constrangimento.

Veio dela o meu amor por cabelos crespos e cacheados e não há melhor companhia para assistir ao show da Paula Lima. A minha amiga aprendeu a andar de skate beirando os 30, sabe costurar, fazer crochê e tem uma sorte inexplicável com sorteios pela internet. Quando ninguém ainda conhecia o Twitter, ela já estava postando aos seus seguidores que ia tomar banho.

E nas mais absurdas das coincidências, ela encontrou um novo sonho aquecendo o abraço gelado de um polonês. Mas a Sâmia não acredita em coincidência, assim como não confia em pessoas que não sabem dançar. Ela nunca fez dieta. E cá entre nós, eu me pergunto se dá para confiar em alguém que nunca fez dieta na vida. Fica a dúvida.

Algumas vezes mudamos movidas pela ambição, outras vezes por força maior do destino, mas ela está mudando por amor. Depois de pedir demissão de um emprego ótimo, entregar a casa e vender os móveis, ela acaba de emigrar para a Polônia para seguir o seu sonho levando na mala todo o otimismo, expectativa e insegurança de um viajante que não sabe se pegou o ônibus certo.

Viva o presente, arrisque, viaje, tente o novo, mude, reinvente, ame.

Essas são as mensagens que recebemos todos os dias e que nos motivam a continuar procurando pelo desconhecido. Alguns se arriscam a tentar, outros se remoem imaginando a vida que teriam se tivessem tentado, e para muitos essa mensagem simplesmente não faz o menor sentido. O que todos têm em comum é um desejo enorme de se realizar na vida, na profissão e no amor.

A Sâmia não sabe se tudo vai dar certo na Polônia, assim como eu não sabia se tudo iria dar certo por aqui, mas sempre vale a pena tentar e eu não poderia estar mais feliz por ela.

Cada uma de nós tem um motivo para querer mudar e se esse for o seu caso, então mude. Siga a sua intuição e se ela disser sim, jogue-se no desconhecido. Mas se você faz questão de saber o que vai acontecer no mês seguinte e evita surpresas ao máximo, celebre isso também. Graças à você, há um pouco de estabilidade no mundo e a vida é menos caótica.

Nós só queremos ser felizes, mas por algum motivo continuamos acreditando que a felicidade mora ao lado - no próximo emprego, no próximo amor, na próxima viagem, naquele outro país. Para algumas, essa pode ser a resposta, mas para outras não.

Não é preciso atravessar o oceano, nem conhecer novas culturas, nem pedir as contas para descobrir quem somos. Assim como não é preciso ser imprevisível, empreendedora ou aventureira para ser feliz.

Siga os seus sonhos, sempre. Mas se o seu sonho for ficar, então fique.

Nesfit ou granola?

Escolhas difíceis e chateação no supermercado

Quando alguém me pergunta quais alimentos eu acho saudáveis, sempre me vem à cabeça os alimentos que passaram pelo menor número possível de mãos ou máquinas até chegar à minha mesa. Com isso, quero dizer alimentos que foram cultivados, colhidos, selecionados, transportados, comercializados e cá estão no meu prato. Eu normalmente faço a produção do meu alimento em casa mesmo, ao invés de contratar uma empresa para fazer isso por mim.

Nesfit não emagrece

Se eu quero comer uma pizza leve rica em fibras, por exemplo, eu faço uma massa com farinha integral e uso queijo de búfala, molho de tomate e abobrinha para rechear a pizza. Simples assim. No entando, quando o cansaço ou a preguiça batem e a vontade de comer uma pizza não passa, a pizza congelada do supermercado acaba sendo uma opção.

Quando eu vou comprar a pizza, vou consciente de que estarei consumindo um produto altamente industrializado, que contém diversos aditivos alimentares com nomes impronunciáveis, açúcar refinado e uma quantidade tremenda de sódio. Eu sei disso, aceito isso e consumo a bendita pizza consciente da minha escolha. Há um certo acordo entre mim e a empresa em que eu aceito todos os aditivos químicos que ela usa desde que eu não precise cozinhar só por aquele dia. Com essa relação sincera todos ficam felizes e satisfeitos. Eu saio no lucro por não ter cozinhado e o fabricante sai no lucro com a minha aquisição não saudável mas consciente.

O meu problema é quando a empresa inventa de estampar na embalagem o quanto o produto é saudável por conter fibras ou algum ingrediente milagroso adicionado à composição. Quando isso acontece, o meu acordo com a empresa é quebrado e a minha confiança também. Basta eu virar a embalagem para ver a prova da traição no rótulo.

O tal alimento trata-se de um produto industrializado como qualquer outro, que precisa de conservantes, adoçantes, acidulantes, umectantes, flavorizantes, espessantes e corantes para conquistar o meu paladar e para ficar o mais próximo possível de um alimento de verdade.

Quem é que não lembra da operação biquíni do cereal integral Nesfit? A embalagem é tão convincente que dá até para acreditar que o cereal realmente é uma melhor opção do que a granola por conter menos calorias e gorduras. No site, eles até citam os estudos que comprovam a atuação da fibra no aumento da saciedade, além de citar a presença dos fitosteróis na composição. Só para explicar, as fibras alimentares e os fitosteróis são ingredientes funcionais aprovados pela Anvisa e, por isso, a Nestlé pode comercializar o produto como sendo saudável. Ela só esquece de citar que o Nesfit além de ser rico em fibras e vitaminas (adicionadas artificialmente), é também rico em açúcar, xarope de glicose e outros aditivos. Na sua versão com frutas, são 8,2 gramas de açúcar para cada 30 gramas do cereal!

Há muitos exemplos de alimentos industrializados que me chateiam com esse apelo saudável, pois eu sei que não são. Mesmo que contenham vitaminas ou fibras, são cheios de sal, açúcar e outros aditivos. Sem contar que o nosso corpo não metaboliza a vitamina C adicionada no suco de caixinha da mesma maneira de que faria com a vitamina C de um suco natural de acerola.

Eu acredito sim que precisamos consumir alimentos naturais e frescos na maioria das vezes, mas não acho realista afirmar que não devemos jamais comer os processados. Equilíbrio continua sendo a melhor alternativa.

Se a sua escolha for por comida fabricada, que ela seja consciente e sem culpa. Comer consciente não é apenas comer bem, mas comer sabendo o tipo de alimento você está ingerindo. Sinta-se livre para consumir um cereal açucarado com leite integral, porque as suas escolhas alimentícias não fazem de você uma pessoa melhor nem pior do que ninguém.

Quanto à pergunta do post, a minha preferência seria a granola caseira. Mas se algum dia eu optar pelo Nesfit, vai ser sabendo que o produto é um cereal integral açucarado como qualquer outro, independente das apelações saudáveis que ele exibe na embalagem.