Natal é época de paz, até com a comida!

Três dicas simples de como festejar sem neuras neste fim de ano

A temporada das festas de fim de ano está oficialmente aberta e enquanto muita gente mal pode esperar para rever amigos e familiares, para muitas de nós as festividades podem provocar inquietação e ansiedade.

A gente acaba se perguntando como é que podemos relaxar e aproveitar as festas estando ao redor de tanta comida? Como é possível comer sem preocupações e sem exageros, de uma maneira que alimente o nosso corpo e nos traga a satisfação de estar comemorando algo? Como é que conseguimos controlar o que comemos estando na companhia de outros e sem ideia nenhuma do que será servido?

Foi pensando nessas perguntas que eu resolvi dividir aqui com você três dicas que me ajudaram a me libertar da ansiedade pré-festa. Eu já havia tocado nesse assunto antes, mas acho necessário enfatizar que o problema não é se você deve ou não comer o pudim de sobremesa, mas sim as associações que você faz com a comida em um contexto celebrativo.

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O Natal e o Ano Novo são uma das datas mais especiais do ano. É quando eu reservo o dia inteiro para passar junto daqueles que eu amo: conversando, rindo, brincando, dançando. É quando eu olho ao redor e agradeço por todos que eu tenho ao meu lado e por uma vida cheia de amor e aprendizado. É época de celebrar com a família que foi te dada ou com a família que você escolheu, época de reunir amigos e socializar. Para uns envolve rituais religiosos, para outros comprinhas natalinas, mas Natal e Ano Novo acabam sendo para todos uma época de reflexão.

Passar dias tão lindos como esses pensando em comida ou em dieta é disperdiçar a chance de vivenciar momentos inesquecíveis. Enquanto você está contando quantas castanhas vai comer, tem alguém rindo do outro lado da mesa da história que você não ouviu. Enquanto você está devorando descontroladamente a salada de maionese, a sua música favorita está tocando sem você dançar.

Fim de ano não é sobre comida e fim de ano não é sobre dieta.

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Você provavelmente já deve ter ouvido que nunca devemos comer como forma de celebração ou para conectar com as pessoas, mas eu acredito que temos que ser cuidadosos com esta afirmação. Comer é também a manifestação de uma cultura e celebrar faz parte. Nós humanos temos feito isto há séculos, e há algo poderoso e mágico quando sentamos juntos ao redor de uma mesa repleta de pratos feitos com amor e dedicação.

Nós não festejamos o ano inteiro e, por isso, devemos considerar os momentos do ano que temos para celebrar como especiais e únicos. Não há nada de errado em comermos por prazer durante rituais tão importantes como o Natal e Ano Novo. Vou repetir… 

Não há nada de errado em comermos por prazer durante rituais importantes como Natal e Ano Novo.

Comer apenas pelos atributos nutricionais durante as festividades só resulta em frustração. Você talvez saiba do que eu estou falando - aquela frustração de achar o resto do mundo está se divertindo e se esbaldando, enquanto você tem que ficar escolhendo as opções saudáveis, calculando calorias e fugindo dos carboidratos. Dessa forma, você acaba focando muito mais na comida do que deveria. É bem melhor relaxar e se permitir desfrutar de tudo o que tem vontade.

Não há nada mais saudável do que ter a liberdade de participar de uma celebração sem ficar encanada em engordar e sem se sentir culpada. Isto é saúde física e mental.

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O maior desafio durante a festança é confiar que o seu corpo consegue lidar com essa comida toda sem engordar. E a verdade é que ele consegue sim! Comer em excesso por um dia não vai alterar o ponteiro da balança. Se você se pesar no dia seguinte pode ser que o peso esteja alterado devido à retenção de líquido após ingerir muito sal, açúcar e álcool, mas isto não significa que você tenha ganhado gordura corporal. Depois de alguns dias o seu corpo recuperará o equilibrio.

Entre o Natal e o Ano Novo temos quase uma semana de intervalo - tempo suficiente para você voltar à rotina, se movimentar um pouco e se divertir. O segredo é não estender o Natal até o Ano Novo, e depois o Ano Novo até o Carnaval. Estamos falando apenas de dois dias! Dois dias que você não deve disperdiçar encanando com comida. Coma o que tem vontade, dê atenção à você e aproveite cada minuto.

Se a festa for na sua casa, congele os restos ou divida com os familiares e amigos. Se no dia seguinte você voltar para a sua alimentação normal, o seu corpo não vai ter dificuldade em lidar com a rabanada da sua tia. Divirta-se!

 
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Comer emocional em resposta a emoções positivas e negativas

Será que comemos mais quando estamos alegres ou tristes?

Um estudo recente feito pela Universidade de Nijmegen na Holanda, em parceria com universidades espanholas, tentou descobrir qual a influência do humor na ingestão de calorias para as comedoras emocionais e não-emocionais. O objetivo era saber se as mulheres que comem mais quando estão tristes também acabam descontrolando quando estão alegres.

Quando li o estudo, fui obrigada a me questionar sobre o meu relacionamento com a comida. Sem parar muito para pensar, posso dizer que:

o meu casamento com a comida era na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a dieta nos separasse, amém!

Mas avaliando como eu comia e, às vezes, ainda como, percebi que a minha paixão pela comida fica mais apimentada em momentos ruins. Eu sou daquelas que come mais (em quantidade e em caloria) quando eu estou sentindo algo que eu não gostaria de estar sentindo. Pode ser tristeza, vergonha, arrependiamento, entediamento, estresse ou cansaço.

Para fazer o estudo, foram selecionadas 60 estudantes do sexo feminino que haviam obtido pontuação extremamente alta e extremamente baixa em um questionário sobre comer emocional. As mulheres com pontuação alta eram mais suscetíveis a comer emocionalmente, enquanto as com pontuação baixa eram bem menos suscetíveis a fazê-lo. Foram selecionadas 31 comedoras emocionais e 29 não-comedoras emocionais.

As participantes tiveram que ficar pelo menos duas horas sem comer antes do experimento e, durante, foram condicionadas a sentir alegria e tristeza com o uso de um software. No final do experimento, elas podiam se esbaldar em uma mesa com maçã, banana, batata frita, amendoim doce e salgado, barrinha diet de arroz, barrinha de cereais, balinhas de gelatina, palito salgado e chocolate.

Antes mesmo de terminar de ler o estudo, eu já tinha as minhas suspeitas sobre o resultado que seria obtido, e eu estava certa: eles descobriram que enquanto as comedoras não-emocionais ingeriram a mesma quantidade de calorias independente da emoção sentida, as comedoras emocionais comeram significativamente mais quando estavam tristes do que quando estavam alegres. Bingo! Posso me considerar uma Comedora Emocional comprovada cientificamente.

E as coincidências com a minha pessoa não acabam por aí. Eles também verificaram que as comedoras emocionais ingeriam mais doces quando estavam tristes. Uau, já não me sinto tão excluída da ciência. Mas esta descoberta não foi uma surpresa: outros estudos, como este publicado em 2000, já indicavam que os comedores emocionais comem mais doce quando estão estressados do que os comedores não-emocionais comem em resposta ao estresse.

Não podemos esquecer que há também quem coma mais ao experienciar emoções positivas. Eu mesma não extrapolo apenas quando estou triste e solitária, eu  também posso comer muito quando estou feliz. E o problema é que para celebrar as coisas boas da vida, eu costumo escolher as comidas que gosto e não as saudáveis. Daí já viu né? Salada e suco verde ficam excluídos da minha festinha. Mas apesar dos meus deslizes eufóricos, a minha tendência de comer emocionalmente continua sendo maior quando estou me sentindo para baixo.

Como já sabemos, todo experimento é feito em um determinado tempo, com um determinado número de pessoas, e em determinadas circunstâncias; o que acaba limitando bastante os resultados. Mas a ciência está avançando no estudo sobre o comer emocional e sinto que um dia chegaremos lá.

Compulsão alimentar, anorexia e corrida

Quando comecei este blog, eu não tinha noção de que encontraria tantas mulheres ao longo do caminho que também têm ou tiveram algum problema com a comida - relacionado ou não com um transtorno alimentar. Mulheres que tentaram dietas de emagrecimento, dietas de engorda, medicamentos, chás milagrosos, excesso de exercício físico, vômitos, jejum e tantas outras medidas.

Não se engane pensando que eu me refiro às mulheres gordinhas. Essas mulheres são saradas, cheinhas, magrinhas, violão ou obesas. Quando o assunto é comida, temos muito mais a revelar do que o nosso corpo mostra.

Foi por isso que resolvi abrir um espaço no Brigadeiro de Alface para dar voz a quem quer dividir um pouco da experiência por aqui. Eu espero que este seja um espaço em que possamos expressar abertamente o que sentimos. Um espaço livre de julgamentos e tabus.

Com a palavra, a Dri:

Olá! Eu sou Adriana, carioca, 35 anos, ex-gordinha, ex-anoréxica, ex-compulsiva e me considero curada pela atividade física.

Eu fui um bebê gordo, daqueles que não tem pescoço de tão “fofinho”. Emagreci e fiquei magra até os 9 anos, quando me mudei para longe dos meus amigos e passei a ter uma vida totalmente sedentária. Meu lazer era ler e ver TV, tudo regado a lanchinhos. Comia a toda hora: frutas, sanduíches, biscoitos, além de todas as refeições de praxe. Era capaz de comer uma pizza sozinha, uma travessa de lasanha, ou um pote de sorvete. Eu comia muito e comia sempre. Ultrapassei os 70kg, aos 12 anos, com 1,58m. Usava o mesmo manequim da minha mãe, 30 anos mais velha. Não tinha fôlego para correr e nem para subir uma ladeira. Meus índices estavam péssimos, com colesterol alto e risco de diabetes.

Aos 13, entrei na adolescência e a vaidade começou a surgir, tive amores platônicos, que faziam bullying comigo, enfim, péssimo. Nesta mesma época, minha mãe me levou ao médico preocupada com a minha saúde. Lá ouvi que, se continuasse daquele jeito, teria um enfarte aos 30. Foi quando enfrentei minha primeira dieta: três colheres de sopa de arroz, uma concha de feijão, um filé pequeno, meia laranja, salada à vontade.

Crédito: Adriana Fogel

A primeira vez que montei meu prato assim, ele ficou tão vazio... Fiquei frustrada, sempre gostei de prato cheio. Três colheres de arroz, para mim, soavam como três grãos e, por isso, acabei desistindo de comer tudo que deveria ser consumido em moderação. Detestava salada, mas como era a única coisa que eu podia comer à vontade, aprendi a gostar. No fim, fiquei só com proteína e salada. Se não tinha esta opção, ficava com fome. Tomava um copo de leite de manhã (uma colher de leite em pó e água - receita são duas, mas eu colocava uma só), salada e carne no almoço e, no jantar, se estivesse em casa, repetia isso. Se não, ficava com fome até o dia seguinte.

Fui comendo cada vez menos e me exercitando cada vez mais: subia e descia escadas sem precisar, andava quilômetros sem rumo, só para ficar em movimento.

Em seis meses, cheguei aos 35kg, manequim 34, caindo pelos quadris. Sim, eu estava anoréxica, depressiva e me achava gorda. Fiquei sem menstruar. Minha mãe era parada na rua por curiosos que perguntavam se eu estava doente, com câncer ou AIDS. Anorexia é uma doença bem complicada, capaz de matar. Graças a Deus e ao apoio da minha família, sobrevivi.

Crédito: Adriana Fogel

Percebi que estava magra quando deixei de encontrar roupa nas lojas femininas e passei a usar roupa de criança. Naquela época, roupas de criança eram bem infantis mesmo e eu queria usar as marcas que minhas amigas usavam. Foi então que eu resolvi engordar. Como? Com biscoito, chocolate, pizza e tudo que eu havia me privado de comer. Pelo menos tinha acrescentado duas coisas na minha vida: atividade física e saladas. Ainda assim, engordei 10 quilos em 1 ano. Não sabia comer pouco: era o pacote inteiro, a barra de chocolate toda, a travessa de uma vez só.

O medo de engordar voltou. Foi quando descobri que comer e malhar fazia a conta fechar, contanto que eu controlasse a compulsão. De novo, busquei ajuda da atividade física, mas desta vez eu procurei opções que me davam prazer. Com o tempo, a atividade física diminuiu a minha ansiedade e, como consequência, a frequência das compulsões diminuiu. Eu me apaixonei pela atividade física.

Este ano completei minha primeira meia-maratona. Na linha de chegada, esta história toda passou pela minha cabeça e eu chorei. De emoção, de orgulho de mim mesma, de felicidade por estar viva e saudável.

Agora quero me tornar a melhor versão de mim: parar de contar calorias, deixar de me pesar e finalmente me livrar dos meus “eus” passados. Acreditar que eu posso me controlar. Quero ter orgulho do meu corpo e parar de judiar dele. Esta é minha meta hoje. Estou na terapia e só por isso tenho coragem de contar isto tudo, me expor, mostrar fotos que ficaram escondidas no fundo do baú por anos.

Pratico atividade física por prazer, me alimento bem porque meu corpo merece ser nutrido e vejo que a vida sem contagem de calorias está próxima. Tenho medo de voltar à anorexia e à obesidade ainda. Foram épocas que deixaram marcas e, volta e meia, penso que os gatilhos do descontrole ainda estão comigo. Não posso apagar o passado, tenho excesso de pele na barriga, a pele é a cicatriz que ficou. Quero ocupar esta pele com músculos. Vou conseguir? Não sei, ninguém pode me garantir. Sei que é uma meta ousada, mas eu não quero desistir. É um projeto fútil? Pode ser, mas minha autoestima não tem preço e, enquanto esta busca me deixar feliz e bem comigo mesma, eu continuo.

A dica que eu deixo é: acredite em si mesma, creia que você merece ser feliz. E lute por isso. Se eu conseguir ajudar ou motivar alguém com este texto, nem que seja uma pessoa só, já cumpri minha missão.

E se você quiser saber como é meu dia a dia hoje, tenho um perfil no instagram com o meu marido: instagram.com/a3f2. Vou amar manter contato por lá.

Beijos,

Dri

50 passos para ser linda

Se continuarmos acreditando que temos que ser “belas” para nos amar, estamos nos condenando a viver infelizes sendo quem somos.

Eu sempre vejo muita gente comentando sobre mulheres bonitas. Na verdade, o meu contato com o conceito de beleza feminina acontece inúmeras vezes por dia. Se eu assisto televisão, o contato é duplicado. Se eu leio uma revista feminina, o contato é triplicado. As mensagens de beleza estão em todos os lugares:  no meu Instagram, no meu Facebook, no Google, no Twitter, e até mesmo no cartaz pendurado na porta do banheiro do bar. Se eu vou à farmácia, as mensagens estão lá. Elas também podem ser encontradas na concessionária, no supermercado, ou colada na porta da minha geladeira - só para me lembrar como eu deveria ser.

Há os que acreditam que beleza é um conceito relativo, mas a realidade é que a padronização da beleza é um processo tão eficiente, que meninas e mulheres no México, na Suiça, no Canadá ou no Brasil acabaram absorvendo a mesma ideia sobre beleza, mesmo sendo completamente incompatível com o biotipo e com a cultura de grande parte delas. É, infelizmente o conceito de beleza feminina é o mesmo em boa parte do mundo. Ele pode ser diferente em países na Ásia ou África, mas não são os asiáticos ou os africanos que detêm os meios de comunicação que nos ensinam todos os dias o que é beleza.

Crédito: Elise Cai

Foi pensando nisso que eu resolvi fazer um experimento para entender na prática o que consideramos belo. Eu fechei os olhos, visualizei uma mulher PERFEITA e fui descrevendo detalhamente todos os pontos que faziam dela uma beldade. Eu coloquei tudo no papel, até mesmo os pequenos detalhes que a gente repara, mas não comenta com ninguém. E o resultado do meu experimento foi este checklist com os 50 itens necessários para alcançar a tão sonhada perfeição.

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1. Cabelo liso ou ondulado sexy

2. Fios longos, volumosos e brilhantes

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3. Rosto fino e ovalado

4. Pele clara, macia, dourada do sol e com brilho juvenil

5. Testa levemente arredondada

6. Sobrancelha arqueada e bem definida

7. Olhos grandes e claros

8. Cílios longos

9. Nariz pequeno e fino

10. Maçã do rosto proeminente

11. Lábios carnudos

12. Dentes brancos e alinhados

13. Sorriso largo e amigável

14. Queixo suavemente arredondado

15. Pescoço longo

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16. Colo sequinho e clavícula saliente

17. Ombros marcados

18. Braços finos, definidos, longos e com pelinhos dourados

19. Tríceps malhados

20. Cotovelo acetinado

21. Seios firmes, cheios, em formato de gota

22. Aréolas pequenas e rosadas

23. Mamilo levemente saltado e apontado para cima

24. Barriga seca, torneada e feminina

25. Cintura acentuada, fina, delicada

26. Costas bem definidas

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27. Bumbum levantado e arredondado e com a cor uniforme

28. Quadril levemente acentuado

29. Pernas torneadas e longas, sem manchas e sem imperfeições

30. Coxas redondas, musculosas, mas delicadas

31. Joelhos macios e hidratados

32. Panturrilhas definidas e tornozelos finos

33. Proporção perfeita entre o quadril, ombro e cintura

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34. Vagina magra e bem depilada, sem manchas e sem pelo encravado

35. Grandes lábios rosados, pequenos e firmes

36. Pequenos lábios simétricos, quase imperceptíveis e vermelho claro

37. Clitóris pequeno e escondido

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38. Dedos da mão longos e simétricos, com pelinhos dourados

39. Mãos macias e médias

40. Unhas longas, fortes e bem feitas

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41. Pés macios, pequenos e estreitos

42. Dedos do pé simétricos, com pelinhos dourados e sem calosidades

43. Unhas do pé bem tratadas e feitas

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Claro que eu não esqueci de incluir na lista os 7 pecados capitais do corpo feminino que podem ser considerados para qualquer parte do corpo (aqui eles não estão em ordem particular de relevância)

44. Gordura

45. Celulite

46. Estria

47. Flacidez

48. Vazinhos

49. Rugas

50. Pelos

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Eu comecei este experimento sem grandes ambições, mas na proporção em que os itens foram aumentando, ficou bem claro que o que entendemos hoje como beleza é algo impossível de ser alcançado. Ou vai me dizer que nunca ouviu ninguém reclamando de ter a unha da mão achatada, torna ou estranha? Se já ouviu, é porque temos sim um ideal até mesmo para o formato da unha. Estamos ou não estamos perdendo um pouco a medida?

Eu queria algo mais específico do que apenas citar o padrão europeu alta-magra-branca como o ideal que nós, brasileiras, também adotamos; mas acabei criando uma lista imensa de detalhes que eu resolvi resumir em 50 itens. Estou certa de que o resultado não seria muito diferente se outras pessoas também fizessem o experimento. E verdade seja dita, não há mulher alguma no mundo que atenda a todos os requisitos citados. Simplesmente não há. Nós estamos nos levando à loucura com expectativas tão irrealistas e injustas.

Todos os dias temos a escolha de nos amar ou nos adiar, mas acabamos ficando com a segunda opção. É lamentável ainda acreditarmos que autoestima e autoconfiança são apenas para as belas. Se isso fosse verdade, estaríamos fadadas a viver infelizes sendo quem somos, porque a beleza como a vemos hoje é inatingível.

Acredite, você é linda… do jeitinho que você é!  Escolha se amar.

Nem só de alface vive a mulher

Há um mundo de possibilidades entre a privação e a compulsão.

Já é dezembro e a vida social tem andado a todas: dia 5 é a Festa de São Nicolau (Sinterklaas em holandês), semana que vem vou viajar com a família para celebrar o aniversário de 40 anos de casamento dos sogros, o Natal e Ano Novo estão chegando, sem falar das outras comemoraçõezinhas entre um feriado e outro. Dezembro é o mês das celebrações e eu já estou vendo o meu plano de comer sobremesas só em ocasiões especiais indo por água abaixo, já que as ocasiões especiais estão acontecendo quase todos os dias.

E não é que ontem me peguei com aquele medinho de engordar que acompanha as festividades de fim de ano? Acho que você sabe bem do que eu estou falando. Aquele estressezinho antes, durante e depois das festanças, quando a nossa maior preocupação antes da festa é em relação ao que vamos ou não vamos comer, e depois é em relação ao que de fato comemos.

Eu já reconheço este medinho chato de longe, mas ao longo do tempo fui encontrando maneiras para driblá-lo, e acabei fazendo as pazes comigo. Hoje eu tenho passe livre para me divertir sem neuras, sem culpas e sem exageros, mas até descobrir como fazer isso, eu vou explicar como é que eu funcionava antes.

Há algum tempo atrás eu podia dividir a minha existência em dois estados de espírito: “eu estou de dieta” e “eu como TUDO”.

 
 
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Se eu estava de dieta, só a palavra festa já me fazia arrepiar. Ao invés de pensar nas pessoas que eu veria e na diversão toda, eu me via calculando quantos quilos eu conseguiria perder até a festa. Eu corria para selecionar a roupa da ocasião, e ao prová-la eu já visualizava como ficaria no corpo com os 3 quilos a menos calculados. Eu planejava o que poderia e não poderia comer, e me proibía de ingerir qualquer bebida alcoólica - até porque na minha cabeça de mulher de dieta, isto só me faria engordar e inchar.

Festejar ia sempre na contramão do “estar de dieta” e o resultado era um estresse danado durante a festa. Eu tinha que dizer não a tudo o que era servido, e ainda tinham aqueles que ficavam insistindo para eu comer só um pouquinho. Bem, só um pouquinho para mim não existia - era muito ou nada.

Mas assim era a vida em dieta.

Depois de sobreviver à festa, eu ficava feliz em voltar para casa, para a minha rotina e para aquela sopa na geladeira esperando para ser devorada. Ah, que delícia. Mais uma batalha vencida e a dieta seguia firme.

Se eu saísse um pouco do planejado ou comece compulsivamente, eu desistia da dieta e seguia para o segundo estado de espírito:

 
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O segundo estado de espírito se manifestava na ausência do “estar de dieta”. Ele era a pura manifestação da liberdade e do prazer. É aquele estado em que você se joga e se permite fazer o que der na telha, e come o que tiver pela frente.

Quando eu estava no “eu como TUDO”, tudo o que eu queria era festa, happy hour, jantar e churrasco. Qualquer coisa era motivo para comer e comemorar. Mas quando eu digo comer, não estou me referindo a comer até ficar satisfeito; eu comia até não poder mais e quanto mais comida tivesse, melhor era a festa. A diversão era medida pelo volume ingerido de álcool e comida .

Nesse estado, haviam dias em que eu comia compulsivamente sem nem sentir o sabor do alimento e sentia uma culpa tremenda por isso - o que me fazia comer ainda mais. O esbalde seguia até eu encontrar força de vontade para iniciar uma nova dieta.

A minha relação com a comida podia ser facilmente reduzida em duas palavras: privação e compulsão. Esses dois extremos são perturbadores e tudo o que eu mais queria era encontrar um pouco de equilibrio no meio daquilo tudo. Eu queria ver a comida como ela é - um alimento, e não o centro da minha existência.

Hoje eu posso dizer que encontrei um lugar ao sol entre a privação e a compulsão e que, na maioria das vezes, me sinto livre para comer e beber o que eu acho gostoso, e parar quando eu estou satisfeita. Mas como ninguém é de ferro, ainda ocorrem situações em que eu penso que poderia ter recusado o segundo pedaço do bolo, e daí vem aquela vontade louca de comer tudo o que eu vejo pela frente como punição pelo meu delito.

Quando isso acontece, o melhor a fazer é se perdoar e ter em mente que ninguém é perfeito, e que comer demais em um dia não é o fim do mundo. O problema é usar esse deslize como desculpa para se odiar, para comer compulsivamente, ou para começar uma dieta. Os extremos só causam frustração, então relaxe e aproveite as festividades!