Quando a sua alimentação é assunto alheio

Sim, este post é sobre a patrulha alimentar!

Como se não bastasse o esforço e a pressão que colocamos em nós mesmas para nos alimentarmos bem e sermos saudáveis, muitas vezes também temos de lidar com a cobrança e expectativas de outras pessoas em relação ao que comemos ou deixamos de comer.

Eu não sei o que acontece, mas de repente parece que as nossas escolhas alimentares viraram assunto de interesse público. Mesmo sem pedir opinião, recebemos críticas e sugestões de pessoas bem intencionadas tentando nos ajudar a decidir o que comer ou não. Uns acreditam que carboidratos à noite não é saudável, outros que você não deveria comer tanta carne durante a semana e outros que a sobremesa vai te fazer engordar. Quando o assunto é alimentação, todo mundo tem alguma dica ou sugestão pronta para ser dividida.

Sinceramente, eu acredito que fazemos isso umas com as outras com a melhor das intenções, mas o conselho alimentar pode ser um grande desfavor à nossa saúde e bem-estar.

Certa vez, cheguei na academia para a aula de Body Pump toda arrependida de ter comido manteiga de amendoim com pão poucos minutos antes de malhar. Naquele dia, eu passei a aula inteira “conversando” com o amendoim e, incomodada com o peso no estômago, inventei de comentar o meu arrependimento para os meus colegas de malhação. Ah, que arrependimento! Quase fui crucificada por ter revelado o conteúdo engordativo do meu café. Ninguém nem reparou que a minha queixa era em relação ao horário e não ao conteúdo da refeição.

Há algum tempo, a querida Thais mandou um email para mim fazendo questão de dividir a experiência dela com o que ela chama de “Patrulha Alimentar”. Eu achei tão interessante que decidi dividir aqui com vocês o que esses conselhos e dicas podem acarretar.

Com vocês a Thais:

 
 

Eu trabalho com várias mulheres. As leituras que eu tenho feito em blogs, como o Brigadeiro de Alface, realmente têm me ajudado muito. Eu como da mesma forma, como minhas besteirinhas, faço minhas refeições saudáveis e pratico meus exercícios. O que mudou foi simplesmente o nível de tensão envolvido nessas atividades: eu vou comer pão de queijo SIM, eu vou comer chocolate SIM, eu vou colocar um pouquinho de purê de batata E de batata frita no mesmo prato SIM. Estou me aliviando em vários aspectos e não, não estou engordando. Estou, sim, emagrecendo a minha mente, tornando-a leve.

Dentro desse contexto de aliviamento da minha relação com a comida, algo tornou-se notável: eu trabalho rodeada de mulheres, e a fat talk aqui é corriqueira. Eu sou disparadamente a mais nova entre nós. Pareço uma estagiária em meio a um monte de chefes. Eu sempre apareço com um pão de queijo na sala e, normalmente, aceito as beliscadas nos lanches que as colegas oferecem. Eu coloco tudo no meu balanço alimentar e não me desespero se derrapo num dia, simplesmente volto à rotina no outro.

Bem, buscando esse equilíbrio e o direito de me alimentar em paz, percebo os comentários das colegas: "se você continuar comendo desse jeito...", "você vai almoçar depois de comer esse pão de queijo?", "cuidado, hein". Até que cheguei para uma colega e falei em tom de brincadeira, mas cheia de seriedade dentro do peito: "fulana, vai cuidar da sua vida?!".

Essa patrulha alimentar poderia ser digna de agradecimento, afinal estão se preocupando com a minha forma. Mas, não é isso o que eu sinto.

Eu sinto que esses comentários nada mais são do que formas de uma jogar na outra a repressão que sentem, e de gerar um ambiente de culpa coletiva por se alimentar.

Quando eu compro meus cinco pãezinhos de queijo, eu não compartilho com ninguém e pronto. Mas quando compram-se biscoitos, docinhos e mais pães de queijo, eles são "generosamente" compartilhados, mas dá para ver que não é generosidade e sim querer dividir a culpa e reduzir a porção individual.

Eu não me sinto nem um pouco confortável de trazer uma marmita para almoçar na frente delas, e faço um malabarismo para arrumar um lugar escondido delas para comer. Eu não como muito, eu não como pouco. Eu como o que eu quero comer, caramba. As marmitas delas são minúsculas. A minha é de tamanho médio, com muito gosto. Eu sou bem disciplinada nos meus exercícios físicos e adoro comer.

Minha refeição mais querida é o almoço e eu não vou fazer do meu almoço um show de especulação e pitacos.

Eu faço o esforço de comer longe delas, mas é complicado, realmente tenho de arrumar um jeito de me impor. 

No fundo, eu me importo com o que elas dizem, talvez eu ache que eu coma muito mesmo, mas não sou gorda! Eu só sei que nos dias em que eu como menos fico com fome e compenso no outro dia. Eu conheço meu apetite, portanto, deixem-me em paz.

 
Dieta de 1200 calorias
 

Eu quero deixar algo bem claro aqui: independente do seu peso, você não precisa dar explicação das suas escolhas alimentares a ninguém. Entendido? Muito bem.

Esta mania de emitir a opinião sobre o prato do outro está tão generalizada que nem nos damos conta do quanto isso pode ser prejudicial. Se você pede só salada é criticada, se pede sobremesa é criticada. Assim, não tem como mesmo fazer uma refeição prazerosa na companhia dos outros. Nós precisamos sim impor certos limites quando não gostamos desse tipo de comentários.

A gente acaba ficando em dúvida se estamos mesmo fazendo as melhores escolhas alimentares, assim como a Thais. É impossível mudar outras pessoas, mas é possível mudar esse mesmo comportamento em nós mesmas. Comece a ser mais compreensiva em relação à dieta alheia e procure não julgar o que o outro escolheu comer ou não, você vai perceber o quanto isso te ajudará a ser mais tolerante com as suas próprias escolhas.

 

Minha história com a comida (vídeo!)

Sobre emagrecimentos, engordas, dietas, compulsão e bulimia

Emagrecimento, Engorda, Compulsão Alimentar e Bulimia

Já faz algum tempo que eu estou pensando se deveria ou não gravar um vídeo aqui para vocês mostrando um pouco como eu sou, como é a minha voz e tudo mais. Apesar de amar escrever, eu adoro um bate-papo e não há melhor maneira de fazer isso senão por meio de um vídeo.

Eu tinha tanto a dizer que nem sabia direito por onde começar. Foi então que eu resolvi começar pelo começo, contanto a minha história de amor e ódio com a comida, e fiz isso de maneira bem simples, conversando mesmo.

Espero que vocês curtam e que possam me conhecer um pouco melhor.

Permita que o amor-próprio mude a sua vida

Projeto #100diasdeamorproprio

 

E se nos amássemos incondicionalmente?

E se honrássemos o nosso corpo e a história que ele carrega?

E se o nosso sonho fosse maior do que o de apenas ser magra?

E se de gostássemos do que vemos no espelho?

 

Imagine só a mudança radical que teríamos nas nossas vidas. Imagine todas as horas desperdiçadas murchando a barriga de frente para o espelho, esticando o rosto, mudando o cabelo, reposicionando os seios. Calcule tudo isso e reverta em horas de produtividade, diversão ou descanso, não seria maravilhoso? Imagine como o seu mundo seria se você decidisse se amar radicalmente.

IMG_1108(1).jpg

Visualize um mundo em que você jamais precise reclamar que está gorda, magra ou flácida demais. Pensa só você indo para a academia sem jamais ter que trocar receitas de dietas com outras companheiras de malhação. Quando houver uma festa, você vai escolher a roupa que se sentir melhor e mais sexy, se assim o quiser, sem criações de maiores dramas. E se não houver um vestido adequado no seu armário, você vai sair para comprá-lo na sua numeração correta.  

Será que você seria mais gorda ou mais magra se você decidisse se amar? O que será que você comeria - mais chocolate ou mais alface? Qual seria a sua revista preferida, o seu blog preferido, o jornal, o programa de TV? Você ainda leria os mesmos textos se a sua prioridade fosse o amor-próprio? Com quem você se relacionaria? Qual emprego teria?

O amor-próprio não é algo que surge do nada, sem esforço, simplesmente porque nós nos olhamos no espelho e gostamos do que vemos. O amor-próprio, por sinal, não é baseado apenas na nossa aparência ou nas nossas conquistas, ele continua presente mesmo nas derrotas ou quando a velhice chega. E o mais importante: amor-próprio não é simplesmente se sentir bem consigo mesma.

Amor-próprio, assim como qualquer tipo de amor, é um sentimento que precisa ser cultivado e nutrido. Ele precisa de tempo, dedicação e esforço para crescer e se consolidar. E quando estiver forte o suficiente, mesmo que haja momentos em que duvidemos da sua existência, ele vai surgir e nos mostrar amar sempre vale a pena.

Mais do que se sentir bem consigo mesmo, o amor-próprio é um estado de em que apreciamos quem somos. Infelizmente, ele não surge apenas com leitura de frases motivacionais, ele cresce de acordo com as nossas ações diárias, que podem nos aproximar ou nos afastar desse amor.

Por mais que você esteja decidida a se amar, não há amor que resista a revistas, programas de televisão, filmes ou sites femininos te ensinando como se comportar, se vestir e se relacionar. O amor-próprio é livre e só se manifesta em liberdade. Qualquer mídia que surge com um ideal de comportamento ou de aparência só está tentando diminuir o amor que você tem por você mesma.

Você precisa de mensagens e ações que reafirmem que está tudo bem ser quem você é e agir de acordo com a sua verdade. O amor-próprio aumenta a partir das ações que apóiam o nosso crescimento emocional, físico e espiritual.

Quando começamos a agir de maneira que expande o amor que temos por nós mesmas, começamos a aceitar os nossos pontos fracos e fortes e não sentimos mais a necessidade de explicar as nossas fraquezas - nem aos outros, nem a nós mesmas. Nós passamos a ser mais gentis conosco e a nos ver como pessoas completas que são dignas de amor e admiração mesmo cometendo erros.

O amor-próprio é essencial para uma vida plena. Ele é o nosso guia na escolha de parceiros e amigos. É o que nos ajuda a tomar as melhores decisões e a resolver problemas que parecem impossíveis. Graças ao amor-próprio é possível criar a nossa própria definição de sucesso ao invés de copiar fórmulas prontas de felicidade. Ele garante as melhores oportunidades de trabalho e uma carreira que esteja alinhada aos nossos sonhos e necessidades.

O amor-próprio envolve muito, mas muito mais do que apenas se sentir bela. Ele é parâmetro para todo e qualquer aspecto de nossas vidas.

 
#100diasdeamorproprio
 

Por saber de todos os benefícios que uma jornada rumo ao amor-próprio pode trazer nas nossas vidas, eu resolvi dar início ao projeto #100diasdeamorproprio. Começando hoje, eu postarei durante 100 dias algo que eu tenha feito ou visto que faça eu me amar ainda mais. Serão 100 dias de amor registrados no Instagram, Facebook e Twitter com a hashtag #100diasdeamorproprio.

No meio de tanto projeto, eu achei que era a hora de lançar um que tente mudar a percepção que temos de nós mesmas. O resultado esperado? Muito amor, é claro. Mas não é só isso, quando nos amamos, entendemos melhor o que queremos e o que precisamos, e com esse conhecimento fica muito mais fácil conduzir a nossa vida.

 
Benefícios do amor-próprio
 

Você pode começar este projeto quando quiser, é só postar diariamente por 100 dias algo que você tenha vivido ou algo que você pretenda fazer para aumentar o seu amor-próprio. Pode ser uma foto, uma frase, um livro, uma quote ou um cenário com a hashtag #100diasdeamorproprio. O importante é que durante 100 dias você esteja consciente de que o amor-próprio é uma prioridade.

Não importa como você é, qual sexo, orientação sexual, peso, se é saudável ou não, se está fazendo algo para mudar a sua vida ou não. Não importa. Você, assim como eu, merece ser feliz e se amar. Amor-próprio é para todos e é o bem mais valioso que você pode adquirir. Nenhuma dieta, cirurgia plástica, dinheiro ou amor romântico será tão valioso quanto apaixonar-se loucamente por você.

Embarque nessa jornada comigo! Serão 100 dias de muito amor e autoestima. Escolha se amar todos os dias.

 

Até onde postar foto de comida é normal?

Ah, o Instagram!

Eu quero ser a primeira aqui a confessar que eu também adoro postar uma foto de comida no Instagram. Melhor do que postar é ver aquelas delícias pulando na minha tela e enchendo a minha boca de água. Vira e mexe eu publico a foto de algum prato que seja bonito, especial ou que me faça feliz. Afinal, não dá para negar a felicidade real que um alimento pode nos proporcionar, principalmente quando dividido com pessoas queridas. Às vezes, o cheesecake é simplesmente perfeito demais para não ser fotografado. Basta um celular e um belo filtro para que um momento especial da vida seja registrado e compartilhado.

Transtorno Alimentar e Instagram

As redes sociais estão aí para isso mesmo, para dividir o que achamos interessante com aqueles que acompanham a nossa história. Mas o que acontece quando não conseguimos sentar para fazer uma refeição sem tirar uma foto antes, será que isso é normal?

Há várias contas no Instagram que postam fotos de comida todos os dias com dicas de receitas e informações relevantes sobre o prato. Há outras que funcionam mais como um diário alimentar, onde são postadas as refeições que a pessoa fez no dia e os quilos que ela já conseguiu emagrecer. Para os amantes da culinária, dá para encontrar os pratos gourmet mais incríveis do mundo, e para quem quer manter a linha, as opções de receita fit não faltam. Quando o assunto é comer, o repertório das mídias sociais é vasto.

Está no nosso DNA essa tendência de amar comer. Comida sempre nos fascinou e continuará fascinando, mas o fenômeno que estamos presenciando agora é muito interessante e merece a nossa atenção. Imagens de todos os tipos de alimentos estão invadindo as nossas vidas como nunca visto antes. Hoje eu consigo saber o que a minha celebridade favorita comeu no café da manhã e qual prato ela pediu no restaurante no jantar. Eu posso não saber como as coisas estão indo com a minha amiga do ensino médio, mas eu sei que ontem ela pediu um frappuccino na Starbucks.

O ato de comer era algo privado até poucos anos atrás, mas agora está globalizado. Você só está a um clique de distância do almoço da Bruna Marquezine e da Gwyneth Paltrow. Dá até para comentar o que você achou da escolha delas ou comparar o que elas têm comido com o que você andou comendo. E assim seguimos postando os nossos alimentos e admirando ou depreciando os alimentos dos outros.

É fato que a realidade agora mudou e que a troca de informações está cada vez mais presente (o que eu adoro!), mas chega o momento em que é preciso pensar se não estamos indo longe demais. A mania de fotografar o que comemos pode ser um sinal de que a maneira como lidamos com o alimento não é nada saudável; independente de quão saudável seja o alimento.

Supervalorização da comida

Nós só fotografamos aquilo que achamos importante. Algumas pessoas tiram foto do que estão comendo porque gostam, mas outras tiram foto porque a comida exerce um papel central na vida delas. Para o segundo grupo, as fotos só contribuem para uma relação cada vez mais problemática com o alimento. Comida é importante, mas não é o aspecto mais importante das nossas vidas. Tem comida que é fotogênica mesmo e merece ser compartilhada, mas é melhor dar uma maneirada nos clicks se você tem dificuldade de sentar num restaurante sem fotografar o que vai comer.

Comparação da comida

É impossível não ser influenciada pelo que vemos no Instagram ou em qualquer outra mídia social. Dia após dia, milhões de pessoas recebem mensagens de como comer, cozinhar, se vestir e se exercitar, e é preciso muita concentração para filtrar um pouco dessa informação toda que recebemos. Um dos filtros mais eficazes é tentar parar de comparar as comidas postadas na internet com aquela que você come em casa.

Quando a gente olha alguém com um corpo invejável postando o jantar fit perfeito, já assumimos que basta comer daquela forma para ter o mesmo corpo. Das duas uma: ou tentamos imitar aquela pessoa ou seguimos adiante com o nossa macarronada acompanhada com uma porção de culpa e a promessa de comer só salada no dia seguinte.

Não adianta, cada um tem um corpo e uma necessidade diferente, por mais que continuemos comparando ou tentando copiar a dieta um ou do outro, nunca teremos o corpo daquela pessoa. Cada um tem o seu próprio corpo.

E o detalhe mais importante de todos: ninguém posta aquilo que não gostaria que os outros vissem. As mídias sociais são apenas uma parcela da nossa vida, normalmente aquela mais bonita. Poucas pessoas estão dispostas a dividir com o mundo a comilança descontrolada do dia anterior ou o prato de arroz, feijão e ovo comido às pressas.

Eu uso o Instagram para muita coisa bacana e tiro várias inspirações de receitas de lá, mas é preciso olhar de maneira mais clara quais tendências contribuem para o nosso bem-estar e quais contribuem para a tensão que já existe ao redor do prato.