Seja quem você quiser e se orgulhe disso

Aos 15 anos fui parar pela primeira vez na diretoria.

Com as pernas trêmulas andei pelo corredor até chegar na salinha mal decorada da direção.

Eu não fazia a mínima ideia do que havia feito de errado, mas fui caminhando e formulando possíveis respostas ao problema que eu estava prestes a enfrentar.

A diretora estava sentada com a minha redação na mão. Um pedaço de papel de bordas impressas em rosa bebê em que eu expunha os meus pensamentos sobre as diferenças entre ser menina e menino. Em poucas linhas era possível encontrar alguns nomes do reino animal, como vaca, galinha e piranha, onde eu explicava como eram chamadas as meninas que não se comportavam.

Ela tinha me chamado para perguntar de onde o texto havia sido copiado. Falou que eu não teria como escrever aquilo sozinha e que a minha redação estava mais para uma crônica da revista Capricho. Ao ouvir tal absurdo, as minha bochechas começaram a queimar de raiva e de alegria. Quer dizer então que a qualidade do meu texto era tão alta assim? Mas peraí, quer dizer também que uma menina de 15 anos não é capaz de ver por si mesma que as expectativas para ela como mulher são outras?

Quando vi este vídeo pensei naquele texto que escrevi aos 15 anos. Naquela época eu já havia entendido que uma mulher tinha que parecer atraente para o homem, mas jamais deveria sucumbir aos encantos dele. Ela deveria ser um objeto belo de admiração que não podia ser tocado. Um sonho inatingível às fantasias masculinas.

Hoje, mais de 15 anos depois da minha conversa com a diretora, eu vejo que pouca coisa mudou. Enquanto tivermos regras tão rígidas de como uma mulher deve ser ou deve lidar com o próprio corpo estamos confinadas a viver sem liberdade.

Nós mulheres somos quem somos. E somos diferentes umas das outras. Exatamente como deve ser.

"Seja quem você quiser e se orgulhe disso"