Recaídas na alimentação

A minha alimentação nos meses em que não estava postando no BDA também teve seus altos e baixos. Por conta da reforma e da mudança de casa que ocorreu entre o Natal e o Ano Novo, das festas e trocentas coisas que precisavam estar organizadas antes da minha ida ao Brasil, eu acabei comendo mais do que precisava.

Enfiei o pé na jaca

Eu comi quando não estava com fome, comi de entediada, de estressada, de cansada, comi por comer e, é claro, comi também por prazer. Mas comer por prazer nunca foi e nem será o problema. O que dá uma sensação amarga é quando você come para aliviar alguma coisa ou para ocupar a mente com algo mais tolerável do que os seus pensamentos. E também tem as vezes que você come para postergar fazer o que precisa ser feito ou como penitência por ter feito, dito ou comido algo inadequado.

Para quem come emocionalmente ou tem um passado como o meu de comer quando as emoções ficam pesadas; estresse e cansaço são sinais de que o cuidado deve ser redobrado na hora das escolhas alimentares. Mas eu preciso admitir que mesmo estando vigilante e atento haverão momentos em que você vai recorrer ao alimento como porto seguro porque este é o caminho mais óbvio.

Em Praga aproveitando as delícias locais

Em Praga aproveitando as delícias locais

Usar o alimento para lidar com emoções é algo que muitos fazemos ocasionalmente e está tudo bem, mas minha história é um pouco diferente porque eu recorria ao alimento o tempo todo. Haviam períodos em que eu comia para afogar as mágoas diariamente e seguia engordando até começar a odiar o meu corpo. Era só então que eu parava de comer para entrar em uma nova dieta.

Desta vez não foi nada dramático e não houve nenhum episódio de compulsão alimentar, mas eu me vi comendo por razões outras que fome, prazer ou socialização. Quando passamos muito tempo usando o alimento como válvula de escape, esse comportamento fica registrado no nosso cérebro. Mesmo depois de construir novos hábitos pode acontecer de voltarmos aos velhos padrões de comportamento porque o nosso cérebro já conhece aquele velho caminho de cor, que foi o que aconteceu comigo. Se isso estiver acontecendo com você não se desespere, isso faz parte.

Eu acho importante dividir isso com vocês para que entendam que perfeição e equilíbrio constante não existe em nenhuma área das nossas vidas, muito menos na maneira como nos alimentamos. E nem devemos tentar alcançá-la. Para mim, tudo o que eu precisava era tomar algumas decisões difíceis e aceitar a perda que viria com elas. Reconhecer que está tudo bem ficar ansiosa frente ao desconhecido e lembrar de continuar me tratando bem.