Quando dieta não é a resposta

Um post para quem já tentou todas as dietas e mesmo assim não consegue viver em paz com a comida.

A minha primeira reunião nos Vigilantes do Peso foi aos 14 anos no subsolo de uma igreja católica. Entre sinos e glorificações eu aprendi o que eram calorias, o que eram pontos e como é que eu deveria comer para me livrar do recheio extra. Eu fui na reunião a exemplo de uma amiga que havia perdido muitos quilos na contagem dos pontos, e fiquei surpresa com o resultado do programa - toda semana eu perdia entre meio e um quilo.

O meu livrinho de pontos só sobreviveu até o meu encontro com a lata de leite condensado escondida pela minha mãe atrás da batedeira no armário. Eu abri a lata com a intenção de comer só uma colher e anotar os pontos, mas acabei tomando tudo. Como eu nem sabia quantos pontos eu tinha comido, desisti da contagem e prometi recomeçar no dia seguinte. Bem, nem preciso dizer que aquele foi o último dia da minha vigilância.

Depois disso, eu tentei a South Beach, a Atkins, as dietas publicadas na Boa Forma (da banana, do sanduíche, do abacate), contagem de calorias. E como eu não desisto assim tão fácil, acabei apelando para a contagem dos pontos mais uma vez, e nada. Para quem ainda não leu a minha história, vale a pena dar uma olhada e sentir o drama de uma vida de dietas.

Já frustrada de tentar tudo para emagrecer ou, pelo menos, me manter magra, eu comecei a me perguntar se o problema era comigo mesmo. O que eu descobri é que há basicamente dois grupos de pessoas quando o assunto é dieta: o primeiro grupo são aquelas que não têm informação suficiente sobre nutrição e alimentação balanceada, e acabam fazendo as escolhas erradas; e o segundo grupo são aquelas que sabem tudo o que devem fazer para emagrecer ou para manter o peso, mas simplesmente não conseguem.

Para o primeiro grupo, dietas podem ser ótimas para promover um pouco de aprendizado e estrutura na alimentação. Já para o segundo grupo composto por pessoas como eu, não adianta o investimento em programas de emagrecimento e livros de dietas maravilhosos, simplesmente porque nós somos dependentes emocionalmente de comida. Não importa se a dieta é clara e as regras fáceis de serem seguidas, nós iremos sempre quebrá-las.

O problema aqui não é o que comemos, mas o porquê comemos.

Eu sei que a palavra “dependente” soa um pouco pesada, mas essa não é a minha intenção. Comer para anestesiar emoções é mais comum do que a gente pensa, e não há nada de obscuro ou terrível nisso. E foi por isso que eu resolvi colocar aqui três sinais básicos que podem te ajudar a identificar se você é ou não uma comedora emocional. Se você for uma, dieta será provavelmente uma perda de tempo, energia e dinheiro.

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Fome é uma maneira que o nosso corpo tem de nos avisar que precisamos de nutrição física. Quando queremos comer mesmo não sentindo o estômago roncar, ou até mesmo minutos após já termos comido, estamos procurando por nutrição emocional. Para muitas de nós, comer é a forma mais rápida e barata para se sentir relaxada, entretida e amada. Fica difícil contar quantas vezes eu já não recorri a doces quando me sentia sozinha. Eu não estava com fome, só queria me sentir menos vazia.

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Esta daqui é para quem pede salada com frango no almoço, ao lado dos colegas de trabalho, e depois come sozinha em casa um pacote inteiro de batatinha. Ou para quem assalta a geladeira em silêncio no meio da noite. É também para quem come escondido na festa, enquando ninguém está olhando. Eu me lembro como adorava que meu marido trabalhasse até tarde só para eu ter a liberdade de comer tudo o que queria sem sentir vergonha dele (como se eu não tivesse que lidar com a vergonha que sentia de mim mesma). Quando comemos escondido, só perpetuamos a ideia de que há algo de errado conosco. Fazemos isso porque acreditamos que as pessoas ficariam chocadas se vissem o que na realidade comemos.

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Sabe o misto de culpa e prazer que sentimos quando saboreamos um pudim dos deuses? É uma vozinha na cabeça que fica repetindo que você não deveria estar comendo isto, que desse jeito vai acabar engordando ou pior, nunca emagrecendo. Pois é, com vozinha ou sem vozinha acabamos comendo o pudim de qualquer forma. Mesmo que a culpa não consiga nos fazer parar, ela nos priva da experiência prazerosa de comer e, no fim das contas, comemos ainda mais para finalmente nos sentirmos saciadas. Outro tipo de culpa é a que aparece quando já comemos. Esta culpa é aquela que fica corroendo um tempo, apertando o peito e nos fazendo sentir mal por termos sido incapazes de nos controlar.

Se você se identificou com os sinais citados acima, você não é a única. Eu passei muito tempo tentando entender o que acontecia comigo quando o assunto era comer. Aqui no blog eu vou dividir com você tudo o que me ajudou a melhorar a minha relação com a comida.

A boa notícia é que não há nada de errado com você. Ser uma comedora emocional não significa necessariamente que você tenha um transtorno alimentar.

Descobrir o porquê comemos é uma viagem maravilhosa de autoconhecimento. É uma maneira de conhecermos melhor o nosso corpo, espírito e intelecto, e vale a pena cada tropeção ao longo do caminho.

Vem comigo?