Qual caminho seguir?

Já faz algum tempo que venho refletindo sobre o Brigadeiro de Alface e a necessidade crescente de fechar algumas portas para que outras continuem abertas.

Para identificar melhor o que estou sentindo decido parar por algumas horas. E é aqui, sentada na sala de estar dos meus sogros, que encontro a resposta. A fonte da minha inquietação é a responsabilidade que eu sinto em relação a cada uma de vocês, em trazer conteúdo que ajude vocês de alguma forma.

Por sentir essa responsabilidade eu sou cuidadosa em dividir certas informações que seriam muito valiosas para um grupo de leitoras, mas que não seria tão construtivo para um outro grupo. De um lado eu tenho muitas leitoras com um transtorno alimentar e de outro tenho leitoras que comem de maneira transtornada.

Transtorno alimentar e comer transtornado não são a mesma coisa.

Eu, minhas caras, sofri com ambos. Para quem já acompanha a minha história sabe que eu me recuperei da Bulimia com episódios sérios de compulsão alimentar. Mas também já estive bem acima do peso com uma relação complicadíssima com o alimento e com meu corpo. Eu entendo os dois mundos porque eu já vivi nos dois mundos.

Apesar de terem muito em comum, o transtorno alimentar é algo que precisa ser tratado por um ou mais profissionais especializados já que o problema não é a alimentação apenas. Uma ajuda psicológica ou psiquiátrica é fundamental para acompanhar na recuperação.

Para quem tem TA, mesmo estando obesa, o foco do tratamento não deve ser o emagrecimento. Falar sobre peso, calorias, emagrecimento ou alimentação “saudável” são tópicos que podem funcionar como um gatilho atrapalha na recuperação.

Já para quem come transtornado conversar sobre esses tópicos pode ser revelador e educativo. Comer transtornado, comer emocionalmente, comer em excesso é algo que está ficando cada vez mais corriqueiro e acho muito importante a gente quebrar o tabu aqui e falar que o problema não é simplesmente o que estamos comendo.

Eu sinto que está chegando o momento em que o blog estará mais focado em um desses grupos para não confundir ninguém e para que eu possa ajudar vocês da melhor maneira possível. Ainda não sei. Ainda não tenho a resposta, mas sinto que mudanças estão por vir.