Pra que isso de Dia da Mulher?

Juntas somos mais fortes brigadeiro de alface

Aos 7 anos eu comecei a entender que eu era gorda e precisava mudar antes de me tornar mulher.

Aos 9 anos eu entendi que poucas coisas eram tão importante quanto ser bonita.

Aos 10 anos eu e minha irmã éramos responsáveis pela limpeza e organização da casa enquanto meus irmãos dedicavam este tempo a outros interesses.

Aos 12 eu perguntei para a minha mãe porque não havia líder mulher na igreja que frequentávamos, a Congregação Cristã do Brasil, e ela não soube responder.

Aos 13 meu pai falou que eu parecia uma cachorra no cio com tantos meninos à minha volta em frente de casa enquanto brincávamos.

Aos 14 eu fui chamada de puta pela primeira vez na vida por ter dado o meu primeiro beijo em um menino da minha rua.

Aos 15 anos eu fui parar na diretoria por conta de uma redação que citava as limitações sexuais que eu tinha por ser mulher.

Dos 12 aos 24 anos fui molestada inúmeras vezes nos ônibus e metrôs de São Paulo a caminho da escola ou trabalho. Na balada, ser tocada involuntariamente em lugares inapropriados era normal.

Aos 21 eu não sabia o que fazer com a minha virgindade por ser algo tão valorizado pela sociedade. Eu não vi outro jeito senão camuflá-la.

Aos 22 eu vivenciei a primeira cena de ciúmes de um namorado que me proibia de usar saia curta e não gostava das minhas amigas.

Aos 25 anos este mesmo namorado me chacoalhou pelos ombros e jurou quebrar os meus dentes da próxima vez que eu o deixasse falando sozinho.

Aos 27 fui chamada de puta pela última vez, até onde sei, quando cheguei ao orgasmo duas vezes.

Aos 31 as minhas colegas mulheres demoraram a me aceitar por que os alguns homens do trabalho me achavam atraente. Elas passaram a gostar de mim quando comecei a engordar.

Aos 34 ouvi de uma colega que era natural a mulher procurar um parceiro com renda maior do que a dela.

Aos 35 contei a uma amiga que talvez não teria filhos e ela me olhou com pena e falou que filhos era a melhor coisa na vida de uma mulher.

É para isso o Dia Internacional da Mulher. Não celebro apenas por mim, mas por todas que passam por algum tipo de opressão sem nem ao menos saber. Celebro este dia até quando o código moral que rege o mundo masculino for o mesmo para o feminino. Até que todas aqui na Holanda, no Irã ou no Rio de Janeiro tenham liberdade de ser e fazer o que quiserem independente de gênero.

Celebre você também.