Porque emagrecer rápido não funciona

Quase todo mundo já esteve nesta posição: sentado no sofá assistindo a um reality show de emagrecimento e se emocionando com a trilha sonora de vitória ao final de cada episódio.

Aquelas pessoas são incríveis. Eles se exercitam como militares, comem como crianças e derretem quilos e quilos de gordura em semanas. Se elas conseguem, eu consigo. Olha só para elas - obesos mórbidos ficando magros e provando que a luta contra obesidade é possível.

O programa acaba, a gente desliga a televisão e a vida segue. Na primeira escapada da dieta a gente desiste e percebe que manter uma rotina frenética de exercícios como nos realities shows não é para todos, então já que não conseguimos ser perfeitos como eles o melhor é desistir e comer tudo o que temos vontade.

A Rebecca e o marido Daniel são exemplos de heróis ex-gordos que acompanhamos no “The Biggest Loser”, o reality show de emagrecimento mais popular do mundo. Eles participaram da oitava edição do programa nos EUA e emagreceram mais de 110 kg juntos. E juntos, nos últimos 6 anos, voltaram a engordar quase tudo o que haviam perdido.

Os dois participaram de um estudo para entender porque é tão difícil manter o peso depois do emagrecimento. Eu sei, e muitas de nós sabemos, que emagrecer não é a parte mais complicada da equação. Não é por nada que muitos vivem no processo ioiô emagrecendo e engordado, e acabam se culpando por isso.

Eles estudaram 14 participantes do “The Biggest Loser” seis anos depois do final do programa e 13 haviam voltado a engordar. 13! Apenas um participante havia se mantido magro.

A boa notícia é que o estudo do Dr. Kevin Hall, especialista em metabolismo no National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, indica que a culpa não é nossa. Quando emagrecemos de maneira drástica, o nosso corpo diminui a Taxa Metabólica Basal, que é a quantidade de calorias que o corpo necessita para manter as funções vitais quando estamos em repouso.

Isso significa que depois de emagrecer uma pessoa teria que consumir menos do que consome atualmente para manter o peso. E não estamos falando de consumir 100 ou 200 calorias a menos. Os participantes mostraram uma queda drástica no metabolismo.

Só para dar um exemplo disso Danny Cahill, que ganhou a competição ao perder 108 kg, voltou a engordar 45 kg e atualmente queima 800 calorias por dia a menos do que o esperado para um homem com o mesmo peso e altura dele. Amanda Arlauskas, de 26 anos, queima 591.1 calorias por dia a menos do que uma mulher com o mesmo tamanho dela.

O metabolismo lento não foi a única razão para o ganho de peso. Eles também notaram queda nos níveis de leptina, que é aquele hormônio da saciedade. Os competidores desabafaram sobre o desafio diário em lidar com a fome, com a vontade de comer e com a compulsão alimentar.

O que faltou no estudo foi a comparação dos resultados com um outro grupo que tenha emagrecido lentamente, mas espero que a ciência consiga se aprofundar nisso logo. Outro ponto que não foi levado em consideração e que, para mim, é o mais importante de todos, é o aspecto psicológico da alimentação.

Comer não é apenas uma necessidade biológica, mas também uma maneira de lidar com as emoções. É um hábito que leva tempo, paciência e prática para ser mudado.

Emagrecer rápido pode até parecer atraente, mas não é a solução. 

Nós precisamos de tempo para aprender a comer e aprender a lidar com o que sentimos. Não vale a pena tentar esse processo.

Leia mais sobre o estudo no The New York Times.