Plus size ou normal size?

O ensaio da Cosmo australiana é apenas um exemplo de como estamos perdendo a noção do que é beleza.

Há duas semanas atrás, eu fiquei chocada ao ver o ensaio da Cosmopolitan australiana estampando a modelo Robyn Lawley em roupas de banho. Quando vi o ensaio, pensei na hora: “nossa que vitória, finalmente uma modelo mais cheinha na revista”. Mas passada a euforia, bateu o remorso - como assim eu estava achando o máximo eles fazerem um ensaio com uma modelo normal, e como assim eu a estava vendo como cheinha? Confesso que me senti horrível em pensar isso. Mas pensei, pronto! E agora estou escrevendo. Talvez se eu dividir aqui com vocês, me sentirei menos culpada.

Crédito: Cosmo Australia

Após meu instante de pensamentos sexistas (desculpem feministas, o meu cérebro foi mais rápido do que eu naquela hora), eu vi que o título da matéria já deixava bem claro que a campanha era plus size.  A modelo “cheinha” estava divulgando a sua própria linha de roupas de banho plus size, lançada no começo de 2013. E eu ali pensando que a Cosmo estava super inovando incluindo mais carne no seu elenco. Não, a campanha era plus size, com modelo plus size e título plus size. Tudo bem explicadinho para não assustar as desavisadas, como eu, que ficam na expectativa de ver uma beldade com BMI 17.

Por um lado é até bacana que a publicação dê espaço para o mundo plus size, mas a questão é que a modelo não era plus, era regular. A Robyn Lawley é uma mulher belíssima de proporções simétricas e corpo curvilíneo. Ao ser entrevistada no talk show da TV Ellen, ela falou sobre as dificuldades que teve na indústria da moda, e em como ela vivia de dieta tentando alcançar o tamanho "ideal" até que, finalmente, decidiu amar e aceitar o seu corpo:

“A comida não é o problema. É a sociedade. Nós já odiamos tantas coisas... mas devemos aceitar o nosso tamanho natural.”

Crédito: programa TV Ellen.

Se quiser dar uma olhadinha em um trecho da entrevista clique aqui (em inglês).

Na realidade, Robyn Lawley é uma mulher magra, e constatando isso eu me pergunto: o que é que essas revistas e sites estão fazendo comigo e com milhões de mulheres expostas às imagens de beleza todos os dias?  Nós estamos com uma visão distorcida do que é normal e do que não é. E isso acontece pois aceitamos passivamente o que vemos, e adotamos modelos e famosas como referencial de beleza e sucesso.

Nós mulheres já conquistamos o voto, a independência financeira, a política e os espaços públicos, mas ainda estamos aprisionadas no nosso próprio corpo. E esta, para mim, é a maior revolução que deve ser feita.

O belo hoje é o inatingível, é aquilo que nunca seremos

A sua e a minha insatisfação é o que faz a economia girar. Quanto mais ódio ao corpo, quanto mais baixa autoestima e quanto mais insegurança, mais livros e produtos de dieta serão vendidos, mais cosméticos serão usados e mais cirurgias plásticas serão feitas.

Eu acredito que podemos mudar essa realidade. Eu acredito que nós, consumidoras, devemos quebrar o ciclo da insatisfação. Eu escolho ser feliz, e você?