Comer para esquecer

O que precisamos para deixar de comer emocionalmente

Nós já sabemos que a vida não é um conto de fadas, mas mesmo assim continuamos insistindo em ser feliz o tempo todo. Felicidade, hoje em dia, é quase uma obrigação.

Apesar disso, por mais que tentemos nos manter positivas, momentos ruins continuam fazendo parte das nossas vidas. Não há muito o que possamos fazer para evitar o sofrimento. Você vai adoecer ou alguém que você ama vai adoecer, você será demitida ou terá que demitir alguém; haverá separações, quebras de contrato, quebras de confiança e medo. Não tem como, mais cedo ou mais tarde as coisas ficarão difíceis.

Quando a nossa vida fica difícil a reação imediata é tentar ficar bem o mais rápido possível, até porque ninguém gosta de ficar sofrendo. Para esquecermos os percalços usamos diferentes distrações, como cigarro, álcool, drogas, entretenimento ou compras. A distração que eu vou explorar hoje é a comida, e essa é com certeza a estratégia mais acessível e barata de todas.

O que precisamos para deixar de comer emocionalmente e emagrecer

Comer para se sentir bem funciona sim, mas traz consigo desvantagens que valem a pena ser consideradas:

  1. A culpa que você sente depois de comer e o sentimento de descontrole são difíceis de digerir.

  2. Comer emocionalmente pode resultar em ganho de peso (que foi o meu caso).

  3. Não é considerado um transtorno alimentar em si, por isso poucos entendem pelo que você está passando.

  4. Você se afasta cada vez mais das suas emoções negativas. Você vai desaprendendo ao poucos a lidar com o desconforto.

  5. Poucos profissionais levam isso em consideração quando passam um plano alimentar visando o emagrecimento.

  6. Você acaba acreditando que o problema está com você e que jamais vai conseguir se alimentar normalmente.

  7. Comer emocionalmente ameniza os sentimentos ruins em curto prazo, mas em longo prazo piora a sua qualidade de vida.

Comer emocionalmente não é nenhum pecado mortal e todos nós fazemos isso ora ou outra (gordos e magros, equilibrados ou não). Quando bate o estresse é natural que venha uma porção de batata frita na cabeça e quando o cansaço bate também é natural querer comer um pedaço de torta de chocolate.

Não há mal algum em comer de vez em quando para afogar as mágoas, o problema está em usar a comida toda vez que a mágoa aparecer.

Comer diminui instantâneamente o desconforto que as emoções negativas causam, mas passados alguns minutos a emoção volta a surgir acompanhada de outros sentimentos ruins provocados pelo ato de comer. É um ciclo de fuga do desconforto que começa inocentemente, mas que pode se estender para a vida toda.

Para esquecer o desconforto a gente come e, minutos mais tarde, a dor é multiplicada. Por incrível que pareça, com a intenção de diminuir a nossa dor acabamos sentindo ainda mais dor. Além do sofrimento de conviver com hábitos alimentares desequilibrados, temos que encarar o sofrimento maior de não conseguir viver a vida que desejamos.

Se você está passando por isso, pode ser que sinta sozinha, incompreendida e sem saída. Você talvez evite comer fora ou ir à festas só para não correr o risco de comer mais do que o necessário, e estou quase certa de que o medo de engordar vive rodeando as suas escolhas alimentares. Eu sei porque eu já passei por isso e não houve nenhum médico ou nutricionista que tenha dado atenção ao fato de que o meu problema não era falta de disciplina.

Se você come para não sentir, não acredite que o seu problema seja falta de vontade ou indisciplina. Também não acredite que comer menos seja a saída para uma vida em paz com o alimento. Você provavelmente já tentou isso antes de vir aqui para o blog e não deu certo, não é mesmo?

A chave está em aprender a lidar com as suas emoções de outra forma que não seja comendo. O que você come ou deixa de comer aqui é secundário, aprender a lidar com as frustrações deve ser o seu objetivo maior. Esta é a única maneira de construir hábitos alimentares realmente equilibrados.