O que as redes socias fazem com o amor-próprio

Quando eu era pequena a minha alegria era comprar a revista Boa Forma do mês com a minha irmã para saber as últimas novidades da nutrição, as novas dietas, os tratamentos estéticos e cremes, e para ver fotos inspiradoras das famosas. Tinha até uma sessão no fim da revista contando a história de superação de uma leitora que havia emagrecido.

Aquilo era uma dose de motivação extra, um lembrete mensal de que eu precisava para dar jeito na minha vida e cuidar do meu corpo. A revista me dava a esperança de poder emagrecer e ser feliz como aquela leitora.

Redes Sociais e o amor-próprio

Hoje eu não preciso esperar pela Boa Forma uma vez por mês para me motivar, eu abro o Instagram e tenho acesso ao dia-a-dia de milhares de mulheres com corpos incríveis e definidos. Elas dividem dicas, alimentação, exercícios, rotinas, acontecimentos, tudo para estarmos por dentro de como é a vida de alguém com o corpo assim.

Eu até compreendo a nossa fascinação por acompanhar a vida do outro, não é por nada o sucesso dos realities shows e vlogs, mas porque será que continuamos seguindo pessoas ou perfis que nos fazem sentir mal em ter o corpo que temos ou viver da forma como vivemos?

Com a revista eu não aprendia apenas novas dietas. Havia dicas de como deixar os pés macios durante o verão, como clarear as axilas e virilhas, como manter as cutículas hidratadas. Enfim, dicas de como resolver imperfeições que eu nem sabia que eram imperfeições até ler a matéria.

Eu aprendia a procurar defeitos para consertar em mim.

Com as redes sociais é a mesma coisa. Intencionalmente ou não muitos muitos perfis estão aí para te relembrar os seus defeitos que precisam ser consertados.

Nós continuamos a aprender diariamente como viver insatisfeitas com o que somos e temos

O que sentimos é resultado do que pensamos, e o que pensamos é resultado das informações que consumimos diariamente. Como é que podemos nos sentir bem se o que estamos consumindo nos faz sentir mal?

Precisamos literalmente olhar criticamente para a informação que consumimos. Isso é tão importante quanto o alimento que consumimos.

Pare para avaliar se aquele perfil, site, blog, canal tem te ajudado ou te atrapalhado. Faça isso por você.