Nesfit ou granola?

Escolhas difíceis e chateação no supermercado

Quando alguém me pergunta quais alimentos eu acho saudáveis, sempre me vem à cabeça os alimentos que passaram pelo menor número possível de mãos ou máquinas até chegar à minha mesa. Com isso, quero dizer alimentos que foram cultivados, colhidos, selecionados, transportados, comercializados e cá estão no meu prato. Eu normalmente faço a produção do meu alimento em casa mesmo, ao invés de contratar uma empresa para fazer isso por mim.

Nesfit não emagrece

Se eu quero comer uma pizza leve rica em fibras, por exemplo, eu faço uma massa com farinha integral e uso queijo de búfala, molho de tomate e abobrinha para rechear a pizza. Simples assim. No entando, quando o cansaço ou a preguiça batem e a vontade de comer uma pizza não passa, a pizza congelada do supermercado acaba sendo uma opção.

Quando eu vou comprar a pizza, vou consciente de que estarei consumindo um produto altamente industrializado, que contém diversos aditivos alimentares com nomes impronunciáveis, açúcar refinado e uma quantidade tremenda de sódio. Eu sei disso, aceito isso e consumo a bendita pizza consciente da minha escolha. Há um certo acordo entre mim e a empresa em que eu aceito todos os aditivos químicos que ela usa desde que eu não precise cozinhar só por aquele dia. Com essa relação sincera todos ficam felizes e satisfeitos. Eu saio no lucro por não ter cozinhado e o fabricante sai no lucro com a minha aquisição não saudável mas consciente.

O meu problema é quando a empresa inventa de estampar na embalagem o quanto o produto é saudável por conter fibras ou algum ingrediente milagroso adicionado à composição. Quando isso acontece, o meu acordo com a empresa é quebrado e a minha confiança também. Basta eu virar a embalagem para ver a prova da traição no rótulo.

O tal alimento trata-se de um produto industrializado como qualquer outro, que precisa de conservantes, adoçantes, acidulantes, umectantes, flavorizantes, espessantes e corantes para conquistar o meu paladar e para ficar o mais próximo possível de um alimento de verdade.

Quem é que não lembra da operação biquíni do cereal integral Nesfit? A embalagem é tão convincente que dá até para acreditar que o cereal realmente é uma melhor opção do que a granola por conter menos calorias e gorduras. No site, eles até citam os estudos que comprovam a atuação da fibra no aumento da saciedade, além de citar a presença dos fitosteróis na composição. Só para explicar, as fibras alimentares e os fitosteróis são ingredientes funcionais aprovados pela Anvisa e, por isso, a Nestlé pode comercializar o produto como sendo saudável. Ela só esquece de citar que o Nesfit além de ser rico em fibras e vitaminas (adicionadas artificialmente), é também rico em açúcar, xarope de glicose e outros aditivos. Na sua versão com frutas, são 8,2 gramas de açúcar para cada 30 gramas do cereal!

Há muitos exemplos de alimentos industrializados que me chateiam com esse apelo saudável, pois eu sei que não são. Mesmo que contenham vitaminas ou fibras, são cheios de sal, açúcar e outros aditivos. Sem contar que o nosso corpo não metaboliza a vitamina C adicionada no suco de caixinha da mesma maneira de que faria com a vitamina C de um suco natural de acerola.

Eu acredito sim que precisamos consumir alimentos naturais e frescos na maioria das vezes, mas não acho realista afirmar que não devemos jamais comer os processados. Equilíbrio continua sendo a melhor alternativa.

Se a sua escolha for por comida fabricada, que ela seja consciente e sem culpa. Comer consciente não é apenas comer bem, mas comer sabendo o tipo de alimento você está ingerindo. Sinta-se livre para consumir um cereal açucarado com leite integral, porque as suas escolhas alimentícias não fazem de você uma pessoa melhor nem pior do que ninguém.

Quanto à pergunta do post, a minha preferência seria a granola caseira. Mas se algum dia eu optar pelo Nesfit, vai ser sabendo que o produto é um cereal integral açucarado como qualquer outro, independente das apelações saudáveis que ele exibe na embalagem.