Eu não me acho bonita para me amar

Feia demais para ser feliz

Vocês sabem o quanto gosto de falar sobre o amor-próprio e a importância dele para a nossa relação com o alimento e com nós mesmas, mas tem um assunto que eu preciso tocar e que parece não estar sendo explorado. Estou vendo espalhado pela internet a redução do amor-próprio à beleza física.

Hoje temos essa obrigação mascarada de amor-próprio de que devemos nos achar bonitas sempre ou de que, pelo menos, precisamos mentir que nos achamos bonitas sempre. Estamos sendo levadas a acreditar que só é possível nos amar de verdade quando conseguirmos ver a nossa beleza; e aqui estou falando da beleza física mesmo. É como se o amor-próprio fosse pura e simplesmente resultado do quanto nos achamos belas. Se isso fosse verdade, este seria o impasse em que todas estaríamos aprisionadas:

Só nos amaremos quando conseguirmos enxergar a beleza que temos, mas só enxergaremos essa beleza quando nos amarmos.  

Oras, dá para ver que não é fácil aqui sair deste impasse de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha.

Eu concordo plenamente de que o conceito de beleza precisa ser democratizado. Cada vez mais vemos circular fotos de diferentes tipos de corpo nas redes sociais para nos mostrar que a beleza não deve estar limitada à idade, tamanho ou determinada cor de pele e tipo de cabelo, o que é maravilhoso. Mas o que acontece naqueles dias ou períodos em que você simplesmente se acha feia? Eu estou falando daqueles dias que você se olha no espelho e parece que alguém programou o seu cérebro para ver todos os defeitos que você acha que tem.

O mundo inteiro tem nos dito que temos que olhar o nosso corpo nu no espelho e amar cada centímetro dele, e daí sim saberemos o que é nos amar de verdade. Mas esse exercício é para a maioria de nós uma tarefa impossível, o que nos faz sentir desmotivadas a pelo menos tentar gostar de quem somos.

Amar quem você é não pode ser reduzido a se achar bonita.

A realidade revigorante é que o amor-próprio é resultado da percepção que temos de nós mesmas, e essa percepção não é construída apenas da nossa aparência física, mas de todos os aspectos que faz de você, você. Os seus valores e ideais, os seus esforços em trazer propósito à sua vida, a sua fé e espiritualidade, as suas relações pessoais que foram construídas graças ao seu esforço diário, o seu trabalho, as suas conquistas e derrotas que só mostram que você teve a coragem de tentar, e a sua teimosia em continuar tentando e jamais desistir.

O fato de você estar aqui lendo este post é uma pequena amostra dos seus esforços em crescer e tentar ser melhor e mais compreensiva com você hoje do que você era ontem. E isso é motivo suficiente para se apaixonar por você mesma e pela sua inquietação em mudar, em melhorar.

Acordou se sentindo feia? Não tem problema. Passou a vida se sentindo feia? Não tem problema. Nós não precisamos nos sentir belas o tempo todo para sermos dignas de amor-próprio.