Como se livrar da compulsão: mude o cenário e perca peso

Aqui vai uma dica simples que mudou a minha relação espaço-comida.

Como legítima comedora emocional, eu tinha alguns lugares fixos para manifestar o meu ataque alimentício, e o que me ajudou muito a melhorar a relação com a comida foi identificar quais lugares eram esses.

Eu comecei observando e relembrando os ataques que eu havia tido até então e a resposta não foi difícil de encontrar. No meu caso, eu tinha dois tipos de situações: dentro e fora de casa. O que eu vou relatar aqui cabe à situação dentro de casa.

O meu maior problema era na cozinha - lá era onde todo o mal acontecia. Na maioria das vezes, eu abria o armário, pegava um pacote ou pote, encostava a barriga na pia, e com a porta do armário ainda aberta, eu devorava tudo. Às vezes eu me cansava daquele sabor e pulava para a próxima delícia no armário ou na geladeira. Se o ataque fosse com algo vindo da geladeira, você me encontraria curvada, com a porta da geladeira aberta, devorando algo direto da embalagem ou do refratário, ou bebendo direto da garrafa. Nos dois casos, as portas da geladeira ou do armário ficavam abertas do começo ao fim do episódio. E tudo acontecia muito rápido.

Além da cozinha, um outro lugar profano era a sala - sentadinha no sofá e sempre com a TV ligada. Pensando bem, não houve uma só vez em que a TV estivesse desligada. A combinação ataque compulsivo e televisão é uma das experiências mais reconfortantes que eu posso imaginar. Até porque se todo este drama de comer emocional fosse apenas ruim, ninguém faria mais de uma vez, ou alguém se vicia em fechar o dedo na porta do carro?

Bem, eu já tinha a casa mapeada – cozinha e sala. No seu caso pode ser o seu quarto, o escritório, o banheiro... as possibilidades são enormes e eu já vi de tudo um pouco. No meu caso, a cozinha (pia e geladeira) e a sala (sofá) eram os pontos "X" da compulsão.

O que eu fiz foi me proibir de comer nesses espaços, e escolher dois lugares fixos para comer – à mesa de jantar ao à mesa do meu escritório.

A regra é definir os lugares onde você normalmente tem os ataques como lugares proibidos de comer. Então, se você costuma atacar na cozinha, encontre outro lugar para comer. É claro que se a sua mesa de jantar estiver na cozinha, você sempre acabará comendo lá - assim espero. Mas nós sabemos que um ataque nunca acontece quando estamos sentadas à mesa, com a comida servida em prato de porcelana e o guardanapo sob o colo, não é? Quando eu digo lugar, você deve pensar naquele lugar específico da cozinha, como à beira da pia, em frente à geladeira, encostada no fogão, e assim por diante.

A minha cozinha não tem mesa, mas a sala sim. Quando eu identifiquei que o meu ataque sempre acontecia no sofá, eu o eliminei do meu roteiro de alimentação e passei a comer somente à mesa de jantar, mas continuei comendo na sala.

Para facilitar, vamos ao passo-a-passo resumido:

1. Mapeie o território proibido:

Identifique os lugares onde o ataque ocorre. Lembre-se de ser específica ao nomear estes lugares (ex: quarto-cama, escritório-escrivaninha, sala-sofá, cozinha-pia).

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2. Proíba acesso às áreas mapeadas:

Uma vez identificados, defina estes lugares-ataques como proibidos para alimentação. Não coma nada nesses locais, mesmo que seja algo inocente e não relacionado com um episódio de compulsão.

Proibido.jpg

3. Defina as áreas permitidas:

Escolha um ou dois lugares permitidos e restrinja a sua alimentação à essas áreas. No começo pode parecer um tanto sem sentido, mas você vai começar a perceber o quanto isto confunde o automatismo do comer emocional. Isto também é uma maneira de nos obrigar a parar antes do ataque para avaliarmos se estamos num lugar proibido ou permitido. Tudo isso acaba alterando um pouco a lógica da compulsão.

Permitido.jpg

Nós estamos condicionadas a agir de determinada forma em algumas situações e com o comer emocional não é diferente. Ao mudar a situação, acabamos mudando a forma que agimos.