Comer emocional em resposta a emoções positivas e negativas

Será que comemos mais quando estamos alegres ou tristes?

Um estudo recente feito pela Universidade de Nijmegen na Holanda, em parceria com universidades espanholas, tentou descobrir qual a influência do humor na ingestão de calorias para as comedoras emocionais e não-emocionais. O objetivo era saber se as mulheres que comem mais quando estão tristes também acabam descontrolando quando estão alegres.

Quando li o estudo, fui obrigada a me questionar sobre o meu relacionamento com a comida. Sem parar muito para pensar, posso dizer que:

o meu casamento com a comida era na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a dieta nos separasse, amém!

Mas avaliando como eu comia e, às vezes, ainda como, percebi que a minha paixão pela comida fica mais apimentada em momentos ruins. Eu sou daquelas que come mais (em quantidade e em caloria) quando eu estou sentindo algo que eu não gostaria de estar sentindo. Pode ser tristeza, vergonha, arrependiamento, entediamento, estresse ou cansaço.

Para fazer o estudo, foram selecionadas 60 estudantes do sexo feminino que haviam obtido pontuação extremamente alta e extremamente baixa em um questionário sobre comer emocional. As mulheres com pontuação alta eram mais suscetíveis a comer emocionalmente, enquanto as com pontuação baixa eram bem menos suscetíveis a fazê-lo. Foram selecionadas 31 comedoras emocionais e 29 não-comedoras emocionais.

As participantes tiveram que ficar pelo menos duas horas sem comer antes do experimento e, durante, foram condicionadas a sentir alegria e tristeza com o uso de um software. No final do experimento, elas podiam se esbaldar em uma mesa com maçã, banana, batata frita, amendoim doce e salgado, barrinha diet de arroz, barrinha de cereais, balinhas de gelatina, palito salgado e chocolate.

Antes mesmo de terminar de ler o estudo, eu já tinha as minhas suspeitas sobre o resultado que seria obtido, e eu estava certa: eles descobriram que enquanto as comedoras não-emocionais ingeriram a mesma quantidade de calorias independente da emoção sentida, as comedoras emocionais comeram significativamente mais quando estavam tristes do que quando estavam alegres. Bingo! Posso me considerar uma Comedora Emocional comprovada cientificamente.

E as coincidências com a minha pessoa não acabam por aí. Eles também verificaram que as comedoras emocionais ingeriam mais doces quando estavam tristes. Uau, já não me sinto tão excluída da ciência. Mas esta descoberta não foi uma surpresa: outros estudos, como este publicado em 2000, já indicavam que os comedores emocionais comem mais doce quando estão estressados do que os comedores não-emocionais comem em resposta ao estresse.

Não podemos esquecer que há também quem coma mais ao experienciar emoções positivas. Eu mesma não extrapolo apenas quando estou triste e solitária, eu  também posso comer muito quando estou feliz. E o problema é que para celebrar as coisas boas da vida, eu costumo escolher as comidas que gosto e não as saudáveis. Daí já viu né? Salada e suco verde ficam excluídos da minha festinha. Mas apesar dos meus deslizes eufóricos, a minha tendência de comer emocionalmente continua sendo maior quando estou me sentindo para baixo.

Como já sabemos, todo experimento é feito em um determinado tempo, com um determinado número de pessoas, e em determinadas circunstâncias; o que acaba limitando bastante os resultados. Mas a ciência está avançando no estudo sobre o comer emocional e sinto que um dia chegaremos lá.