Alimentos-gatilho: Como lidar com essas tentações

O que não é visto não é desejado

Não há como negar que determinados alimentos funcionam como um gatilho para nos fazer comer como loucas, a ponto de perdermos completamente o controle de quando devemos ou queremos parar. É o que chamamos de alimento-gatilho - uma vez que você o prova, é bem difícil ficar na primeira mordida ou comer um só.

Para a maioria de nós, aprender a lidar com este tipo de alimento é crucial não apenas para o emagrecimento e manutenção do peso, mas para a nossa saúde mental.

Alimentos-gatilho não se enquadram, geralmente, na categoria dos alimentos mais saudáveis. Eles são, ao contrário, ricos em açúcar, sal e gorduras saturadas, como sorvete, batata frita, hamburguer, chocolate e folhados. E o mais importante - eles variam de pessoa para pessoa. Um alimento-gatilho para você pode ser um alimento comum para mim, e vice-versa.

Eu não acredito em dietas restritivas, não recomendo e não sigo, porque já tentei de tudo e não obtive resultados duradouros com nenhuma delas. Os resultados só vieram quando eu aprendi a lidar com o meu corpo e com os meus sentimentos. O emagrecimento é um aprendizado como qualquer outro, e um dos pontos importantes deste processo é saber lidar com os tão temidos alimentos-gatilho.

Quando eu decidi me livrar das compulsões e do comer emocional, eu comecei fazendo uma lista com todos os alimentos que despertavam o meu lado animal faminto, e este foi o resultado:

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Você pode estar pensando que seria mais simples se eu tivesse resumido a minha lista a “todos os alimentos doces”, mas a verdade é que nem todos os alimentos doces funcionam como um gatilho para mim. Eu sempre consegui, por exemplo, manter sorvete e iogurte na geladeira, mesmo nos períodos pesados de compulsão. Não me apetecem os doces bem gordurosos, como massas folhadas, bolachas recheadas ou bolos cobertos com chantilly de gordura vegetal. E mesmo que a minha casa fique recheada de balas, chicletes e pirulitos, eu não vou querer comê-los.

É muito importante que a sua lista seja específica, para que você saiba exatamente quais são os alimentos que merecem mais a sua atenção. O objetivo aqui é saber com o que estamos lidando.

Atualmente, a minha lista foi reduzida a leite condensado e doce de leite.

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Os alimentos que te fazem perder o controle não precisam ser temidos ou vistos como inimigos, e sim respeitados. Quando digo respeitar, refiro-me a admitir que o poder que eles têm sobre você é muitas vezes maior do que a sua força de vontade.

Respeitar os alimentos é uma estratégia inteligente para quem quer viver em paz com as delícias sem ter que se descabelar toda vez que cruza com uma delas. Não tente enfrentá-los para provar o quanto você é forte. Poupe a sua energia para as coisas realmente importantes na vida.

Antes de achar que a dieta daria certo se você tivesse mais força de vontade e mais autocontrole, você precisa entender que a força de vontade é um recurso finito. É como um músculo que quando usado em demasia fica cansado e não responde mais aos estímulos. Usar força de vontade para emagrecer e manter o peso é extremamente estressante e exige que você fique negociando com a comida o tempo todo.

Nunca, nunca subestime o poder dos alimentos-gatilho! Achar que você tem força de vontade suficiente para poder lidar com eles é um desperdício enorme de tempo e energia. Comer ou não comer não é uma questão de força de vontade, mas de escolha. Então escolha ficar longe deles.

Crédito: Daniel Cukier

Uma vez que a sua listinha-gatilho estiver pronta, elimine os alimentos citados da sua compra do mês. Se o seu parceiro(a) ou filhos quiserem consumir esses produtos, compre porções individuais no dia em que a vontade bater (nem antes e nem depois), assim você não tem que ficar lidando, vendo ou sentindo o cheiro daquelas delícias.

Quando organizar uma festa ou jantar em casa, faça uma mini marmita com bolo, docinhos e salgadinhos para os convidados levarem como lembrança. Além de ser um costume super brasileiro, é de um carinho e atenção enorme. Eu sempre volto sorrindo de uma festa quando me oferecem um pedaço do bolo para levar para casa.

Se não quiser ou não for possível dar o resto da comida, congele tudo em potinhos ou saquinhos individuais. A maioria dos alimentos prontos podem ser congelados.

Se a sua ambição é ter um estilo de vida saudável e nunca mais ser vítima do efeito ioiô, desista da ideia de nunca mais comer açúcar ou farinha de trigo. É quase impossível eliminar os alimentos-gatilho completamente da sua dieta, além de irrealista e desnecessário.

Quando estamos falando de saúde, equilíbrio é tudo! E essa mentalidade deixa espaço para guloseimas e gostosuras em moderação, sem culpa e sem estresse.

Eu amo doces mais do que qualquer alimento na vida. Eu sou daquelas que trocaria fácil o jantar por um pudim. E quando digo doce, digo algo bem doce! Nada de gelatina light depois do jantar (que eu odeio!), se é para comer doce, eu levo a sério.

Crédito: Eli Mafra

O que eu faço é reservar um ou dois dias da semana para comer algo que eu amo. Se eu for jantar fora ou tiver uma festa, já sei que o meu dia da alegria vai ser aquele. Vou jantar com uma sobremesa deliciosa e vou comer os docinhos da festa. Se eu não tiver plano nenhum para a semana, vou para uma cafeteria ou doceria no finalzinho da tarde para saborear uma torta bem deliciosa, ou compro uma sobremesa especial para o final de semana.

A culpa é sua pior inimiga. Não é o açúcar, não é a gordura, não é o carboidrato; é a culpa! Ela deveria ser a primeira eliminada em qualquer dieta, mas infelizmente não é bem assim que acontece. Muitas dietas nos estimulam a sentirmos culpa pelos nossos deslizes.

Se a culpa emagrecesse, estaríamos todos magrinhos! 

Se você comer mais do que deveria, não se desespere, não se odeie e, principalmente, não se culpe. Isto acontece com todo mundo e, apesar de estar descrita com sendo um pecado capital, a gula faz parte de uma vida equilibrada.

Não é a comilança de um dia que vai te fazer engordar, mas a rotina de alimentação que você segue antes e depois. Quando comer demais, lembre-se de não dar ouvidos à culpa e de fazer a sua próxima refeição normalmente, como se nada estivesse acontecido. Não olhe para trás!