Alguns motivos que farão você parar de comparar o que come

“Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou.” (Romanos 14:3)

Simples assim.

No último post, eu dividi uma das experiências que tive em comparar o que eu comia com o que outras pessoas ao meu redor comiam, e acabei recebendo muitas reações. Como você pode ver, você não está sozinha nessa! Estamos todas fazendo isso, meio que sem perceber, meio que nos culpando por isso. A boa notícia é que é completamente normal e bem comum ficar comparando o que comemos; a má notícia é que a comparação não nos ajuda em muita coisa.

 
 

Antes de entrar em desespero, achando que você nunca mais na vida poderá dar aquela comparadinha básica, relaxe! O julgamento e a comparação fazem parte da nossa natureza mundana e não há muito o que podemos fazer eliminá-los completamente de nossas vidas. Por isso, o meu intuito hoje não é abominar o ato de comparar, mas mostrar o porquê isto não tem o menor fundamento.

A gente já se sente culpada por tanta coisa na vida, tudo o que eu menos quero é que você também se sinta culpada ao comparar e julgar o que a sua amiga está comendo. Provavelmente, ela mesma ou alguma outra pessoa na sua vida faz o mesmo com você. Estamos todos comparando, estamos todos perdoados, e sigamos em frente.

 
 

Você já deve ter ouvido isto, mas eu vou repetir: nós somos únicos! E com isso estou afirmando que as nossas necessidades também são únicas. Logo, não faz sentindo comparar o que comemos com o que outras pessoas comem.

Eu sei que até agora a ciência tem se baseado no consumo de calorias para as teorias de nutrição, pregando que a redução calórica seria a chave para o emagrecimento, não é mesmo? Então vamos partir do pressuposto de que isso é verdade.

Para começar, cada corpo funciona de uma maneira, e a forma até agora encontrada para medir essas diferenças é baseada em sexo, idade, altura, peso e nível de atividade física. Mesmo sendo uma forma bem simplista de ver como o organismo de cada um funciona, já encontramos aqui indícios suficientes para abrirmos mão da comparação.

Imagine um cenário em que cinco familiares combinam de jantar fora para planejar a festa surpresa de um ente querido. Vamos olhar o jantar sobre a perspectiva da Ana, que tem tentado de tudo para emagrecer, mas não consegue.

Abaixo, você pode ver a necessidade calórica de cada um dos familiares, seguido pela idade, altura, peso, profissão e nível de atividade física. Para chegar nos números citados, eu usei o Body Weight Simulator, um programa online criado pelo Dr. Kevin Hall’s, que eu acho ótimo.

 
 

Apesar da Ana passar boa parte da refeição reparando no que as outras mulheres comem, ela precisa entender que cada uma tem uma necessidade calórica diária diferente, e isto em si já é um bom motivo para tirar o foco da comida e aproveitar o encontro.

Eu não sou adepta à contagem de calorias. Nunca funcionou para mim, e só me ajudou a perder ainda mais o contato que eu tinha com as necessidades do meu corpo. Mas mesmo assim, decidi usar a caloria como argumento para nos libertar do hábito da comparação, porque eu sei que ela ainda define muito como vemos a comida.

 
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Se seguirmos a cartilha do consumo recomendado de calorias à risca, ainda sim desconsideramos um número enorme de variáveis que também comprovam que comparar o que comemos não faz o menor sentido.

Nós não estamos avaliando, por exemplo, o estilo de vida de ninguém: como esta pessoa vai ao trabalho; como aproveita o tempo livre em casa; se tem filhos pequenos ou não; se mora em uma casa com escada; se vai ao parque ou prefere cinema; se limpa a casa ou tem empregada. Isto sem ao menos considerar quem sofre de alguma disfunção hormonal ou qualquer condição que altere o metabolismo.

Quando comparamos o que comemos, esquecemos de levar em consideração que a outra pessoa talvez não esteja tão faminta quanto nós estamos. Pode ser que ela esteja de dieta e resolveu não comentar sobre isso, ou quem sabe não se sinta tão à vontade para comer na presença de outros. Por alguma razão, nós preferimos não pensar nesses detalhes, e avaliamos o outro e nós mesmas baseadas em um único evento. Além de sermos injustas conosco, acabamos sendo injustas com os outros.

 
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Nós temos as nossas próprias preferências. Eu, por exemplo, como igual a um trabalhador braçal, mesmo passando boa parte do meu dia sentada em frente ao computador. Se tem uma coisa que me dá calafrios, é pedir salada verde no restaurante. Eu não peço, nunca! Comida para mim tem que ter “sustância”, ser quentinha, confortável e me deixar satisfeita por horas. Se for saladinha, tem que ser na versão pesada, com grãos, ovo, queijo, carne, peixe, abacate ou castanhas - tudo para não ficar tão leve.

Tem gente que ama comida leve. Só de pensar nisso, já me dá fome. Eu não posso jamais comparar o que eu como no jantar com o que essas pessoas “leves” comem. É questão de preferência. Eu não peço que ninguém coma como eu, mas também não fico me forçando a comer como os outros.

 
 

Esta demorou um tempo para eu entender, mas a verdade é que nunca saberemos o que alguém come. Mesmo que você acompanhe a alimentação de alguém pelo blog ou mídias socias, ninguém posta tudo o que consome no dia.

Quando comparamos uma refeição em particular com alguém, estamos comparando apenas uma refeição e não o hábito alimentar de duas pessoas. Você nunca vai saber o que aquela pessoa já comeu ou ainda vai comer quando ela estiver sozinha. Quantas vezes, eu já não voltei para casa faminta depois de uma festa e ataquei tudo o que vi pela frente. Quem estava na festa deve ter pensado que eu era uma dama, que comia pouco e elegantemente; mal eles sabiam que horas mais tarde eu estaria com metade do meu corpo enfiado na geladeira, procurando algo que saciasse a minha fome e frustração.

 
 

Se você se sente uma comilona culpada quando está comendo na companhia de outras pessoas, não esqueça de levar em consideração que ao seu lado também pode ter alguém sentindo exatamente o mesmo. Ela também pode estar comendo menos do que gostaria para que você não a veja como uma comilona descuidada.

A comparação é um ciclo que nos contamina a todas e só propaga a cultura da culpa ao prato.

A próxima vez que você se pegar comparando, olhe com mais amor para si mesma, e tente respeitar as suas necessidades físicas, as suas preferências alimentícias, e o seu jeitinho único de ser e comer.

Bon appétit!