A nossa necessidade de agradar os outros

Ontem durante o almoço com algumas colegas comentei o quanto havia gostado da minha adolescência. A maioria franziu a testa. Era óbvio que nem todos ali tinham vivido o paraíso que vivi, mas todos haviam sentido o que eu senti, aquela certeza adolescente de que tudo é possível e a excitação de ter um futuro pela frente que seria escrito pela pessoa mais especial do mundo, eu.

Quando revisito a minha adolescência como um paraíso não é com a ilusão de que tudo era perfeito porque a realidade foi longe disso. Os meus pais, como muitos outros pais, tentaram me manter em casa e na igreja de todas as maneiras, mas eu queria ver o mundo. Eu passei a adolescência estudando em duas escolas e viajando 4,5 horas por dia em ônibus e metrôs para ter acesso à educação que eu queria. Eu desobedeci meus pais e os entristeci profundamente ao parar de frequentar a igreja e foi a custo de muitas brigas, discussões e choros que eu consegui ser eu.

Cada rosto de desapontamento da minha família valeu a pena. Era o preço que eu tinha que pagar para ser quem eu sou. Aquela fase com todas as dificuldades foi o meu paraíso porque eu aproveitei cada dia, mesmo os dias ruins.

Mas a fase adulta chegou e como ela veio o medo. O medo de desapontar pessoas que conhecemos e até desconhecidos, medo de ser criticada, medo de não ser aceita e acabar sozinha, medo de falar o que pensamos, medo de errar.

Este medo chega porque de repente nos damos conta de que tudo o que fazemos ou falamos tem consequência, e para nos proteger do pior paramos. Paramos de tentar, de arriscar, de nos expressar, de errar.

Mas o conforto de ser aceita por todos também vem com um preço. Imagine se a sua própria opinião tivesse mais importância para você do que a opinião dos demais? O que você seria, quem você seria?

Autoconfiança é algo que vamos construindo aos poucos, todos os dias. A cada medo que ignoramos e seguimos em frente é um passo mais perto de nos tornamos a nossa melhor versão.

É impossível silenciar tantas vozes te dizendo quem você deve ser. Mas é possível aumentar o volume da sua voz interior para que ela fale mais alto.

Viva o seu paraíso. Com dias bons e ruins, mas um paraíso.