A melhor dieta do mundo

Uma das vantagens de ter saído do Brasil há 7 anos foi descobrir que a nossa maneira de viver ou comer é apenas uma maneira, logo não faz sentido querermos globalizar a cultura do alimento a tal ponto em que todos passemos a comer da mesma forma, no mundo inteiro.

Quando eu era criança e até na adolescência não se via tantas pessoas tomando smoothie de manhã. O básico no sudeste brasileiro era pãozinho com manteiga, café com leite e talvez uma fruta. Daí me mudei para o Recife com 18 anos e o meu café virou macaxeira com manteiga de garrafa e charque (melhor época da minha vida!). Hoje em dia, o meu café da manhã aqui na Holanda é uma fatia de pão de forma integral com manteiga de amendoim holandesa, outra fatia com geléia e café.

Quem está nas mídias sociais já deve ter percebido que a nova sensação são aqueles bowls de frutas no café da manhã.

É o mesmo café da manhã sendo degustado por pessoas no mundo inteiro, com diferentes culturas, necessidades e preferências, simplesmente porque é considerado saudável.

Estas são as as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira:

Só para dar um exemplo, esta é uma dieta considerada saudável pelo Voedinscentrum (Centro de Nutrição) na Holanda para uma mulher adulta:

  • 250 gramas de legumes e verduras
  • 2 porções de frutas
  • 4 a 5 fatias de pão integral
  • 4 a 5 escumadeira de grãos integrais, ou 4 a 5 batatas
  • 1 porção de peixe carne, frango ou leguminosas (olha o nosso famoso feijão aqui como opção no lugar de carne)
  • 25 gramas de oleaginosas sem sal
  • 2 a 3 porções de leite ou iogurte
  • 40 gramas de queijo
  • 40 gramas de manteiga, margarina, óleo ou azeite
  • 1,5 a 2 litros de água ou chá

Deu para perceber que a valorização dada a pães, batatas e laticínios é diferente por aqui. No Brasil, vai ser difícil encontrar nutricionistas recomendando comer 5 fatias de pão por dia, mas aqui se come pão com queijo como se fosse arroz com feijão. Quem está certo ou errado nisso? Pois é, ninguém.

Comida não é apenas ingerir nutrientes, é também levar em conta o seu contexto cultural e preferências individuais. Não há necessidade de todos começarmos a tomar smoothie ou comer bowls de frutas no café da manhã para nos alimentarmos bem.