A hora certa para mudar a sua vida

Mudanças com final feliz e brindes à polonesa

Eu sei que andei sumida do blog, mas juro que tenho uma boa explicação para isso. Eu e o Matt partimos em uma aventura de carro atravessando a Holanda e a Alemanha até chegar na Polônia para testemunhar um dos casamentos mais especiais que eu já vi. Alguém se lembra da minha amiga Sâmia que chutou o balde e abandonou o Brasil por amor? Se você perdeu o post, vale a pena dar uma conferida aqui.

A noiva e a dinda.

A noiva e a dinda.

Há um ano atrás, muita gente achou loucura a decisão dela em abandonar tudo pelo desconhecido, mas ela foi mesmo assim. Deixou para trás um relacionamento estável de anos, uma casinha fofa em São Paulo, um emprego respeitável, família e amigos pela ideia vaga de que a vida poderia ser melhor do outro lado do Atlântico. Já na casa dos trinta, ela contrariou todas as expectativas e partiu sem plano definido para um país que usa dzień dobry para desejar bom dia e agradece dizendo dziękuję. Só de pensar em aprender polônes já me dá dor de cabeça, mas a Sâmia enfrenta isso diariamente.

Entre uma vodka e outra.

Entre uma vodka e outra.

Mais do que testemunhar o casamento, eu tive a honra de ser a madrinha em uma cerimônia cheia de tradições locais que me encheu os olhos e o coração de alegria. Ali estava eu, sentada atrás dela no altar de um vilarejo polonês, sendo capaz apenas de compreender quando o padre dizia amém. Mas, como nós já sabemos, a linguagem do amor é universal e não foi preciso tradução para entender que eu jamais havia visto a minha amiga tão feliz na vida.  

Sentadas em uma das praças verdes e histórias de Poznań e saboreando um sorvete de chocolate com caramelo, a Sâmia revelou que deixou tudo o que era conhecido para trás porque ela queria mais. Ela havia chegado naquele ponto em que o medo de fracassar era mais tolerável do que a ideia de continuar vivendo daquela forma.

Todas nós temos dias em que acordamos nos perguntando se a vida é apenas isso: trabalhar esperando pelo fim de semana, acordar sozinha ou ao lado de alguém que não nos estimula a sermos melhores, cuidar da rotina dos filhos, lutar todos os dias contra os ponteiros da balança e suar pagando as contas no fim do mês. Dias assim normalmente vêm e vão e, acredite, eles fazem parte da vida até das pessoas mais felizes na face da Terra. Mas às vezes eles ficam; você passa semanas, meses e até anos tentando se acostumar com a vida como ela é, mas algo continua gritando dentro de você que as coisas poderiam ser melhor.

O que será que é preciso para nos fazer chacoalhar nessas horas e mudar o jogo?

Quando é que sabemos que mudar de direção é melhor do que continuar no caminho que estamos?

Qual é o momento certo para colocar um ponto final em uma história que terá final infeliz?

Para ela a resposta veio em forma de romance, mas a sua resposta pode vir de outra forma. Pode ser um sentimento ruim e inexplicável indicando que você não está no caminho certo, um gostinho de cabo de guarda-chuva na boca avisando que a vida tem que continuar ou apenas uma voz tímida no pé do seu ouvido te dizendo que você merece mais. Uma coisa é certa, o nosso corpo sempre avisa quando é hora de mudarmos.

Caravana pela cidadezinha de Gniezno.

Caravana pela cidadezinha de Gniezno.

Na saída da igreja foram jogadas pétalas de rosa com moedas sobre os noivos para trazer sorte e prosperidade. Eles saíram de carro até o local da festa seguidos por uma caravana agitada de buzinas e acenos aos moradores da cidade. Ao chegar, o dois foram recebidos pelos pais com pão e sal em uma cerimônia de boas-vindas. O pão é dado para que eles jamais passem necessidade e o sal para lembrar que a vida é cheia de dificuldades e que é preciso perseverança para lidar com elas.

A estrela do dia, é claro!

A estrela do dia, é claro!

A Sâmia jogou tudo para o alto e cometeu o que muitos consideram loucura.

Loucura é não se arriscar a fazer o que você tem vontade. Loucura é se conformar com a vida mesmo que ela seja enfadonha.

Mudar é assustador, mas muitas vezes é a única chance que nos damos de ter um final feliz.