A fome que o estresse dá

Ontem fui tomar um cafezinho depois do trabalho com uma amiga sueca e o assunto não podia ser outro... Mulher, comida, dieta, mais comida e aquela nossa culpa de cada dia por ter comido demais. Ela, assim como eu, está passando por momentos de decisões importantes e foi inevitável não tocar na fome que dá quando o estresse aparece.

Eu sei que tem muita gente por aí que perde a fome quando está estressado, mas esse não é o caso da minha amiga, muito menos o meu.

Com o friozinho do outono começando a aparecer misturado aos dias estressantes, a minha vontade é de voltar para casa depois do trabalho comendo um pote de doce de leite no trem. Ao chegar em casa, tudo o que eu quero é tomar um copo encorpado de chocolate quente mergulhado em marshmallow e coberto com chantilly. Quem sabe até um hamburguer caseiro com batata frita e maionese verde para o jantar e, para finalizar, algumas fatias de pudim de sobremesa.

Quando o estresse bate, eu quero comer. E talvez você sinta a mesma vontade.

Comer é uma solução quase instantânea para se sentir bem e esquecer qualquer agrura, mas aquele bem-estar vai embora na mesma velocidade que surge. Nos primeiros instantes você aproveita e se delicia, mas depois é difícil lidar bem com a quantidade exagerada de comida. Não é apenas culpa ou arrependimento que bate, você se sente fraca e incapaz de se controlar. Ah, o estresse!

E a comida que era solução acaba virando problema. Você começa o dia com um problema e acaba indo para a cama com dois.

É por isso que quando o estresse bate o melhor é deixar ele bater; deixar ele existir para te mostrar que há algo que precisa ser feito ou que há algo que precisa ser aceito. Até encontrar uma resposta, lembre-se que o desconforto do estresse é menor do que o desconforto do estresse somado à culpa.