Vergonha de voltar a engordar

Este final de semana eu encontrei um texto que havia escrito em 2013 e não sei por que nunca havia publicado. É um post aberto e não editado sobre uma fase cercada de vergonha, de autoconhecimento e de autoaceitação. Li e lembrei daquela Erika com o maior carinho e compreensão pelo que ela estava passando.

Den Haag, 2013

Eu fui convidada para um chá de bebê onde um grupo de amigas que eu não vejo há mais de um ano estará presente. Só de pensar em ir já me dá dor no estômago e enjoo. Eu não faço ideia de como explicar o fato de ter engordado 19 kg em 9 meses enquanto a minha amiga grávida só havia engordado 13 kg.

Eu estou aterrorizada em mostrar um corpo que eu não reconheço como meu, de fingir estar feliz mesmo tendo me entupido de comida nos últimos meses. Sinto que a minha única saída é inventar alguma desculpa convincente para não aparecer no evento, algo urgente sei lá; o que eu não posso é dizer a verdade:

“Eu não vou porque estou me sentindo gorda e não sei como explicar o fato de ter engordado 19kg em meses.”

“Eu estou como medo que as suas amigas não vão me reconhecer.”

“Eu não quero ouvir comentários desagradáveis sobre o meu tamanho.”

Andando pela sala ansiosa com a ideia de aparecer em público eu paro frente ao espelho, levanto a blusa e começo a chacoalhar a minha barriga para cima e para baixo. A cada chacoalhada eu uso um adjetivo mais ofensivo que o outro para me descrever. Como é que eu me permiti chegar a este ponto?

Um dia antes do chá de bebê eu decido ir, independente do quão deprimida ou desconsolada eu me sinto. Eu decido que não importa o que as pessoas irão pensar ou dizer, eu não preciso e não vou justificar o fato de ter engordado.

Eu sei que todos verão a diferença já que não dá para disfarçar quase 20 kg extra, mas também sei que há algo em mim que não mudou.

Eu ainda sou eu mesma com todas as qualidades que me pertencem, e mereço ser tão feliz agora quanto era antes. Eu vou viver o meu dia da melhor forma possível.

E assim foi. E ninguém me perguntou o que havia acontecido comigo e eu não me expliquei. Eu cheguei à festa como eu chegaria se estivesse magra, eu falei com todo mundo que eu tive oportunidade de conversar e percebi que ninguém estava preocupada com o meu corpo como eu estava. Elas estavam simplesmente felizes em me ver.

Se tem algo que eu aprendi é que não devemos esperar sermos magros para viver, a vida é muito curta para isso. Vai desconfortável, mas vai.

Foi graças àquela coragem que eu cresci e comecei o Brigadeiro de Alface, para que ninguém precise passar por isso sozinha.

A importância dos hábitos não negociáveis quando tudo está dando errado

A minha situação em casa está um caos. E quando digo caos não é exagero, por mais que gostaria que fosse. Com a reforma da casa tudo que tenho está em caixas ou empilhado em algum canto. Para ajudar a situação não temos água aquecida, o que significa que não tomamos banho em casa há um mês. O meu banheiro tem um cheiro misto de banheiro público com banheiro de shopping na véspera de Natal por conta do entra e sai de pedreiro. E, por último mas não menos importante é a presença constante de um pó fino branco que impregna nas roupas bem quando você está atrasada para sair de casa.

Hábitos não negociáveis e saudáveis

Todos os dias acordo e prometo não desperdiçar energia me estressando sobre algo que eu não posso mudar. É claro que 40 minutos mais tarde já estou enfurecida com algo que o pedreiro fez de errado ou com a roupa limpa que deixei cair no chão e ficou branca de pó.

Todos os dias eu falho consistentemente em manter a calma.

Quando chego em casa o que quero mesmo é uma pizza congelada gordurenta e cheia de sal ou um hambúrguer suado e chacoalhado na caixinha com o cheddar seco grudado no papelão. Tudo o que eu não quero é acender o fogão e começar a cozinhar.

Você já se sentiu assim?

Nesses momentos de incerteza e estresse, o que me mantém cuidando bem de mim são os hábitos não negociáveis e não força de vontade ou perseverança; esses dois últimos eu já perdi há algumas semanas e agora estou indo no piloto automático mesmo.

Todas temos alguns hábitos não negociáveis que acontecem mesmo que esteja chovendo canivetes. É escovar o dente mesmo voltando 4 da manhã da balada, é alimentar o seu filho ou animal de estimação mesmo sem vontade, é tomar banho mesmo estando cansada.

Já faz uns dois anos que tenho alguns hábitos não negociáveis que foram construídos aos poucos:

1. Malhar 3 vezes por semana pela manhã:

Eu não abro mão disso porque é através do esporte que tenho energia para o resto do dia. Por mais que pareça boa a ideia de dormir até mais tarde, eu sempre vou.

2. Cozinhar e lavar a louça em determinados dias da semana:

Mesmo querendo pedir pizza, continuo cozinhando porque é isso que eu faço. Nos outros dias, o Matt é responsável pela cozinha e eu ficaria bem chateada de chegar em casa e não ter comida.

3. Comer sobremesas e doces no final de semana ou ocasiões especiais:

A oferta de doces no escritório que trabalho é diária. Eu prefiro dedicar o meu momento doce a uma ocasião mais especial ou final de semana e comendo algo mais saboroso do que um pacote de bolacha. 

A maior vantagem de construir hábitos é usá-los quando a gente mais precisa, sem pensar e sem grandes esforços.

Pense em um hábito não negociável que você gostaria de construir na sua vida e comece a exercitá-lo. Demora semanas, meses até transformar um comportamento em hábito, então seja paciente.

Segunda-feira sem dieta e sem detox

Eu entendo que para muitos hoje é um dia em que o chocolate do feriado ganha um gostinho amargo na memória. Comemos demais e queremos mudar isso. Não queremos engordar nem ter que lidar com as consequências dos excessos festivos.

É por isso mesmo que hoje eu espero que estejamos juntas mais do que nunca resistindo esta urgência de “corrigir” o que comemos.

Hoje não vai ter dieta e nem detox.

Dieta não funciona

Hoje será uma segunda-feira em que vamos juntas aceitar o fato de que comer mais na Páscoa faz parte de um estilo de vida saudável e não nos torna fracas ou descontroladas. Hoje iremos aceitar que comer mais em dias festivos é natural.

Por mais que a internet esteja hoje te bombardeando com dicas de como se livrar do excesso da Páscoa, o que você precisa mesmo é confiar no seu corpo. Ele consegue lidar muito bem com excessos porque você tem um fígado para filtrar tudo. Confie nisso. O seu corpo foi criado para ser uma máquina de eliminar toxinas sem você fazer nenhum esforço. Confie nisso.

Comer açúcar e gorduras saturadas não é ingerir toxinas, é participar socialmente de eventos que fazem parte da nossa cultura, da nossa vida.

Mesmo que pareça uma ideia saudável reduzir a sua alimentação ao máximo para compensar o que você comeu em dobro no feriado de Páscoa, isso é um grande desfavor para a sua saúde física e mental. Você vai apenas reafirmar o padrão de comportamento que tem te mantido obcecada com comida:

Comer em excesso - sentir culpa - compensar (dieta/exercícios) - comer em excesso

Nós não queremos mais viver assim comendo demais num dia e passando os próximos tentando compensar a comilança de alguma forma. Não queremos e não precisamos. Eu repito - comer mais em dias festivos é normal e não tem nada para ser compensado aqui.

Volte à sua alimentação normal hoje, beba bastante água e é vida que segue. Tente nesta Páscoa não repetir o comportamento da compensação.

Vamos juntas firmes nesta segunda-feira sem dieta!

Seja você e orgulhe-se disso!

A Páscoa está quase chegando.

E é neste clima de festa que eu te desafio a usar a sua melhor versão nesta Páscoa.

Faça o que você tem que fazer ou vá aonde você precisa ir com a autoconfiança de quem nasceu autoconfiante. Você pode começar agora mesmo lendo este post - endireite a coluna, levante o queixo e mostre ao mundo quem você é! Não é preciso se transformar em outra pessoa, não é preciso deixar de ser tímida.

Escolha aquela roupa linda guardada para quando você estiver mais magra.

Cuide bem de você hoje, ande confiante pela rua e sinta o seu corpo com o respeito que ele merece.

Para quem decidiu ir à praia, use aquele biquíni ou um maiô, mas não fique sentada cobrindo a barriga se a sua vontade é entrar no mar ou caminhar pela praia.

O desafio hoje é para honrar quem você é e se sentir orgulhosa disso.

Como sobreviver à Páscoa sem se acabar no chocolate #pascoabrigadeirodealface

A semana da Páscoa chegou e com ela o receio de não conseguir se controlar com tanto ovo de chocolate ao redor. Dá uma vontade de se deixar levar e comer todo o chocolate que aparecer pela frente, afinal é Páscoa e isso só acontece uma vez por ano! Não dá nem para imaginar este feriado sem ovo de chocolate, e nem precisa.

Se você não quer passar esta Páscoa com o sentimento de culpa e arrependimento, ou pior, com a sensação de que todo mundo aproveitou enquanto você teve que ficar se controlando, vem comigo.

Como sobreviver à Páscoa sem se acabar no chocolate #pascoabrigadeirodealface

Em momentos como este vem aquele pensamento nada construtivo de que todo mundo pode comer o que quiser enquanto você fica aí lutando para se controlar e engordando só de sentir o cheirinho do cacau. Acredite em mim, dá para curtir a Páscoa sem engordar e sem abrir mão de comer o que você gosta, só é preciso seguir algumas estratégias para aproveitar o feriado ao máximo.

É por isso que a partir de hoje vou postar no Instagram e no Facebook o desafio #pascoabrigadeirodealface. Tudo vai acontecer entre os dias 10 a 19 de abril. Serão 10 dias juntinhas com a hashtag #pascoabrigadeirodealface. Usem a hashtag para que eu acompanhar o que vocês estão vivenciando esta semana e para que eu possa participar disso com vocês.

Para começar, entenda 3 coisas:

1. A Páscoa é apenas um dia e não uma semana ou um mês, estamos falando de UM DIA apenas

Se você se enfiar em chocolate dos pés à cabeça apenas no domingo de Páscoa vai chegar uma hora que não vai mais aguentar comer tanto chocolate e vai parar, mesmo que você só pare depois de comer um quilo de chocolate. Seguindo esse exemplo extremo, o dia da Páscoa em si não é o problema, é o que acontece antes e depois dele. É por isso que este post está saindo com certa antecedência para que você se prepare psicologicamente para ela.

2. A dificuldade de lidar com chocolate 24 horas por dia ao redor é real

Sabe qual é o problema? É o ovo que você ganhou com antecedência e que fica na sua casa olhando para você. É o ovo que você se comprou porque é Páscoa e se não comer agora só daqui há um ano. É o resto de comida e sobremesa que fica na geladeira. São os doces espalhados pela casa. É a colega que vende trufas e ovos especiais no trabalho. É o Instagram e Facebook com fotos incríveis de ovos inacreditáveis de churros de doce de leite ou de Nutella.

Como resolver a dificuldade de lidar com o chocolate à vista? Tirar ele da vista. Simples assim.

3. Você não precisa eliminar completamente o chocolate ou as comidas deliciosas para passar a Páscoa sem culpa

A gente tem uma mania de viver no 8 ou 80 como se isso fosse a única maneira possível de viver. Ou certo ou errado. Ou tudo ou nada. Entre comer um ovo de Páscoa de meio quilo em um dia e passar a Páscoa sugarfree tem um oceano de possibilidades.

Escolha uma maneira de ver a alimentação que não siga nenhum extremismo, que priorize o prazer, a nutrição do corpo e da mente e alegria de viver livre de preocupações com o alimento.

Se você estiver nas redes sociais, publique a sua semana de Páscoa com a hashtag #pascoabrigadeirodealface que eu vou te acompanhar por lá.

Vamos fazer desta Páscoa uma para ser relembrada.

Chegou a hora de começar a acreditar em você

Parece estar generalizada esta noção de que não conseguiremos nunca ter o corpo que queremos, os hábitos saudáveis que tanto admiramos e a paz de espírito de navegar por essa vida comendo normalmente e não se sentindo mal por isso.

o seu passado não define o seu presente ou o seu futuro

Entenda que ter o corpo que queremos significa ter um corpo que te permita mover e experienciar a vida em sua plenitude, e não necessariamente ter o peso da fulana de tal ou a cintura da modelo que você admira. Ninguém precisa ser tão magra ou beirar a perfeição para viver sem limitações.

Quando pensamos nas nossas dúvidas em relação a nós mesmas podemos simplificar em dois tipos de dúvida:

1. Nós duvidamos da nossa capacidade de criar as mudanças que queremos

2. Nós duvidamos da nossa capacidade de sustentar as mudanças que criamos

Esta dificuldade de acreditar em você mesma nasce daqueles momentos em que mais uma vez você se decepciona, mais uma vez você não consegue dar continuidade ao plano, mais uma vez você falha, você se sabota, você engorda, você come, você erra.

Quanto mais colecionamos escolhas ou experiências negativas mais acreditamos que as escolhas e experiências futuras também serão negativas. Consequentemente, mais desacreditamos em nós mesmas.

Nós temos a tendência de limitar o nosso futuro com base nas nossas experiências passadas. Nós limitamos o que achamos ser capaz de fazer porque as nossas escolhas passadas nos decepcionaram de certa forma.

Não, o seu passado não define o seu presente ou o seu futuro.

As suas experiências passadas, as suas escolhas feitas há um minuto atrás não têm nada a ver com a suas escolhas hoje ou amanhã, a menos que você continue a fazer a mesma escolha.

Comece a acreditar que você pode fazer diferente agora, independente do que tenha acontecido há um minuto atrás. Não há razão para desistir ou abrir mão de você pelo que já passou.

Como identificar a compulsão alimentar antes de acontecer

Estou sentada no trem a caminho de casa depois de um dia de trabalho intenso sentindo uma ânsia enorme de parar no supermercado e comprar um bolo recheado ou uma torta de chocolate, quem sabe alguns cookies ainda mornos ou donuts. Não sei bem, ainda não decidi o que comer, só sei que quero muito.

Estes momentos de desejo, de ânsia por comida não aparecem com muita frequência comigo, mas eles ocorrem. Normalmente, eu já tenho um mapa na minha cabeça para identificar se aquilo é uma uma simples vontade de comer ou um sinal vermelho de que a compulsão alimentar está pronta para acontecer. Por isso, estou escrevendo este post aqui direto do trem e do momento em que o desejo está presente para que vocês entendam na prática o que acontece.

Quando esse desejo insano aparecer tente se fazer algumas perguntas simples e rápidas. Serão as suas respostas que sinalizarão se é vontade de comer ou compulsão alimentar.

Como identifica a compulsão alimentar

Aqui abaixo dá para ver certinho quais são as minhas respostas, mas pense nas suas.

1. Estou com fome física?

Sim, por isso resolvi comer uma uma banana no trem e a fome passou, mas mesmo assim não consigo parar de pensar em doces.

2. Estou pensando em comer uma porção individual do alimento ou preciso de mais?

Eu preciso de mais. Quero comprar alguns cookies e ver outras delícias da confeitaria.

3. Eu consigo dizer não à minha vontade de comer?

No momento pareço não estar tendo controle nenhum sobre a minha vontade.

4. Estou sentindo excitação ou ansiedade em pensar no que eu vou comer?

Sim, estou sentindo o coração batendo mais forte ao me imaginar indo até a sessão de padaria no supermercado e escolher tudo o que eu quero.

5. Estou me sentindo culpada ou sei que me sentirei culpada depois de comer?

Não me sinto culpada agora mas com certeza irei me arrepender quando eu acordar amanhã.

6. Eu ficaria envergonhada se alguém me visse comendo isso?

Sim, eu quero comprar muitos doces e com certeza não comeria todos em público.

7. Eu contaria para alguém o que estou prestes a comer?

Não contaria para ninguém, só aqui no blog porque eu me sinto na obrigação de ser sincera com vocês.

8. Prefiro comer isso sozinha ou acompanhada?  

Eu com certeza comeria sozinha.

9. Eu preciso esconder as embalagens de alguém?

Sim, eu jogaria as embalagens antes de chegar em casa para meu marido não ver o quanto eu comi.

10. O desconforto de não comer o que eu quero agora é maior do que o desconforto que vou sentir depois?

Sim, no momento é muito difícil e quase dolorido resistir a urgência em comer. Mesmo sabendo que vou me arrepender, o arrependimento e a culpa parecem mais fáceis de lidar do que a urgência em comer.

Algumas perguntas aqui incluem sentir vergonha de comer em público ou culpa ao comer, mas isso não é reservado apenas para os episódios de compulsão alimentar. Tem muita gente sofrendo por comer apenas uma fatia de bolo, que é uma porção individual e seria normal fazer parte de um estilo de vida saudável.

Ao responder essas perguntas vai ficar mais fácil para você identificar quando a compulsão alimentar está prestes a aparecer. Por mais dolorido fisicamente que seja ignorar a urgência, é só com repetição que você consegue diminuir os episódios.

A primeira vez que você ignora a compulsão é extremamente difícil, a segunda é difícil, e vai ficando cada vez mais fácil. É um exercício. Um hábito que você quer desconstruir, então exercite.

Quanto a mim, eu não tomei a decisão de não comer. Eu simplesmente ignorei a vontade e fui andando meio zumbi para casa com a boca salivando e o coração acelerado. O desconforto não durou mais do que 20 minutos. Eu cheguei em casa, jantei, abracei o Matt e dormi aliviada por ter vencido mais uma vez.