Qual caminho seguir?

Já faz algum tempo que venho refletindo sobre o Brigadeiro de Alface e a necessidade crescente de fechar algumas portas para que outras continuem abertas.

Para identificar melhor o que estou sentindo decido parar por algumas horas. E é aqui, sentada na sala de estar dos meus sogros, que encontro a resposta. A fonte da minha inquietação é a responsabilidade que eu sinto em relação a cada uma de vocês, em trazer conteúdo que ajude vocês de alguma forma.

Por sentir essa responsabilidade eu sou cuidadosa em dividir certas informações que seriam muito valiosas para um grupo de leitoras, mas que não seria tão construtivo para um outro grupo. De um lado eu tenho muitas leitoras com um transtorno alimentar e de outro tenho leitoras que comem de maneira transtornada.

Transtorno alimentar e comer transtornado não são a mesma coisa.

Eu, minhas caras, sofri com ambos. Para quem já acompanha a minha história sabe que eu me recuperei da Bulimia com episódios sérios de compulsão alimentar. Mas também já estive bem acima do peso com uma relação complicadíssima com o alimento e com meu corpo. Eu entendo os dois mundos porque eu já vivi nos dois mundos.

Apesar de terem muito em comum, o transtorno alimentar é algo que precisa ser tratado por um ou mais profissionais especializados já que o problema não é a alimentação apenas. Uma ajuda psicológica ou psiquiátrica é fundamental para acompanhar na recuperação.

Para quem tem TA, mesmo estando obesa, o foco do tratamento não deve ser o emagrecimento. Falar sobre peso, calorias, emagrecimento ou alimentação “saudável” são tópicos que podem funcionar como um gatilho atrapalha na recuperação.

Já para quem come transtornado conversar sobre esses tópicos pode ser revelador e educativo. Comer transtornado, comer emocionalmente, comer em excesso é algo que está ficando cada vez mais corriqueiro e acho muito importante a gente quebrar o tabu aqui e falar que o problema não é simplesmente o que estamos comendo.

Eu sinto que está chegando o momento em que o blog estará mais focado em um desses grupos para não confundir ninguém e para que eu possa ajudar vocês da melhor maneira possível. Ainda não sei. Ainda não tenho a resposta, mas sinto que mudanças estão por vir.

Mas eu quero o corpo perfeito!

Com tantas receitas, tratamentos estéticos, dietas, cremes e maquiagem, ter um corpo perfeito é algo que parece estar ao alcance de todos, basta um pouco de esforço, dedicação, investimento e disciplina. É como se o corpo perfeito fosse uma escolha, basta a gente querer.

Eu quero um corpo bonito

Para toda imperfeição tem um remédio à venda, é só procurar. Manchas na pele, rugas, sardas, estrias, celulite, acne, vermelhidão, vasinhos, flacidez ou pelo encravado; dá para tratar tudo. Gordura, peito caído, peito pequeno, peito separado, pés grossos, nariz projetado, papada. Para tudo tem um tratamento, cirurgia ou creme específico.

Se por um lado o corpo perfeito é vendido como uma opção, por outro o corpo imperfeito é considerado um desvio de conduta, um erro que pode ser corrigido se quisermos.

Nos sentimos em dívida com nós mesmas e com os outros quando olhamos para as partes imperfeitas do nosso corpo. É como se estivéssemos erradas em ter a barriga maior do que o esperado. Nos sentimos descuidadas, indisciplinadas, feias e menos do que poderíamos ser.

Colocando em perspectiva:

Vamos comparar isso a ser rica, já que a riqueza também é vendida como uma possibilidade ao alcance de todos.

Eu tenho certeza que as minhas leitoras não são todas ricas, assim como eu também não. A minha pergunta é: você se sente errada ou culpada por não ser rica da mesma maneira que se sente por não ter um corpo perfeito?

Provavelmente não.

A indústria da beleza é uma das mais cruéis neste sentido, porque nos leva a desacreditar de nós. O conceito do belo nos seduz das maneiras menos óbvias através daquela blogueira gente finíssima que seguimos e que já era linda e mesmo assim quis emagrecer 6 kg. É por meio da atriz que divide seus segredos de beleza na capa da revista. São as dicas de como se livrar dos pontos “indesejáveis” no nosso corpo.

Eu sou uma defensora de que devemos cuidar bem do nosso próprio corpo, mas a busca pela perfeição não é a maneira certa de fazer isso.

Querer alcançar a perfeição é um caminho sem fim, cheio de frustrações que vai nos deixando mais e mais inseguras sendo que o que mais queremos é nos sentirmos bem.

Ter o corpo perfeito não é uma escolha porque ter o corpo perfeito não é possível.

É uma ideia vendida para nos manter consumistas. Recuse essa ideia.

Vergonha de voltar a engordar

Este final de semana eu encontrei um texto que havia escrito em 2013 e não sei por que nunca havia publicado. É um post aberto e não editado sobre uma fase cercada de vergonha, de autoconhecimento e de autoaceitação. Li e lembrei daquela Erika com o maior carinho e compreensão pelo que ela estava passando.

Den Haag, 2013

Eu fui convidada para um chá de bebê onde um grupo de amigas que eu não vejo há mais de um ano estará presente. Só de pensar em ir já me dá dor no estômago e enjoo. Eu não faço ideia de como explicar o fato de ter engordado 19 kg em 9 meses enquanto a minha amiga grávida só havia engordado 13 kg.

Eu estou aterrorizada em mostrar um corpo que eu não reconheço como meu, de fingir estar feliz mesmo tendo me entupido de comida nos últimos meses. Sinto que a minha única saída é inventar alguma desculpa convincente para não aparecer no evento, algo urgente sei lá; o que eu não posso é dizer a verdade:

“Eu não vou porque estou me sentindo gorda e não sei como explicar o fato de ter engordado 19kg em meses.”

“Eu estou como medo que as suas amigas não vão me reconhecer.”

“Eu não quero ouvir comentários desagradáveis sobre o meu tamanho.”

Andando pela sala ansiosa com a ideia de aparecer em público eu paro frente ao espelho, levanto a blusa e começo a chacoalhar a minha barriga para cima e para baixo. A cada chacoalhada eu uso um adjetivo mais ofensivo que o outro para me descrever. Como é que eu me permiti chegar a este ponto?

Um dia antes do chá de bebê eu decido ir, independente do quão deprimida ou desconsolada eu me sinto. Eu decido que não importa o que as pessoas irão pensar ou dizer, eu não preciso e não vou justificar o fato de ter engordado.

Eu sei que todos verão a diferença já que não dá para disfarçar quase 20 kg extra, mas também sei que há algo em mim que não mudou.

Eu ainda sou eu mesma com todas as qualidades que me pertencem, e mereço ser tão feliz agora quanto era antes. Eu vou viver o meu dia da melhor forma possível.

E assim foi. E ninguém me perguntou o que havia acontecido comigo e eu não me expliquei. Eu cheguei à festa como eu chegaria se estivesse magra, eu falei com todo mundo que eu tive oportunidade de conversar e percebi que ninguém estava preocupada com o meu corpo como eu estava. Elas estavam simplesmente felizes em me ver.

Se tem algo que eu aprendi é que não devemos esperar sermos magros para viver, a vida é muito curta para isso. Vai desconfortável, mas vai.

Foi graças àquela coragem que eu cresci e comecei o Brigadeiro de Alface, para que ninguém precise passar por isso sozinha.

A importância dos hábitos não negociáveis quando tudo está dando errado

A minha situação em casa está um caos. E quando digo caos não é exagero, por mais que gostaria que fosse. Com a reforma da casa tudo que tenho está em caixas ou empilhado em algum canto. Para ajudar a situação não temos água aquecida, o que significa que não tomamos banho em casa há um mês. O meu banheiro tem um cheiro misto de banheiro público com banheiro de shopping na véspera de Natal por conta do entra e sai de pedreiro. E, por último mas não menos importante é a presença constante de um pó fino branco que impregna nas roupas bem quando você está atrasada para sair de casa.

Hábitos não negociáveis e saudáveis

Todos os dias acordo e prometo não desperdiçar energia me estressando sobre algo que eu não posso mudar. É claro que 40 minutos mais tarde já estou enfurecida com algo que o pedreiro fez de errado ou com a roupa limpa que deixei cair no chão e ficou branca de pó.

Todos os dias eu falho consistentemente em manter a calma.

Quando chego em casa o que quero mesmo é uma pizza congelada gordurenta e cheia de sal ou um hambúrguer suado e chacoalhado na caixinha com o cheddar seco grudado no papelão. Tudo o que eu não quero é acender o fogão e começar a cozinhar.

Você já se sentiu assim?

Nesses momentos de incerteza e estresse, o que me mantém cuidando bem de mim são os hábitos não negociáveis e não força de vontade ou perseverança; esses dois últimos eu já perdi há algumas semanas e agora estou indo no piloto automático mesmo.

Todas temos alguns hábitos não negociáveis que acontecem mesmo que esteja chovendo canivetes. É escovar o dente mesmo voltando 4 da manhã da balada, é alimentar o seu filho ou animal de estimação mesmo sem vontade, é tomar banho mesmo estando cansada.

Já faz uns dois anos que tenho alguns hábitos não negociáveis que foram construídos aos poucos:

1. Malhar 3 vezes por semana pela manhã:

Eu não abro mão disso porque é através do esporte que tenho energia para o resto do dia. Por mais que pareça boa a ideia de dormir até mais tarde, eu sempre vou.

2. Cozinhar e lavar a louça em determinados dias da semana:

Mesmo querendo pedir pizza, continuo cozinhando porque é isso que eu faço. Nos outros dias, o Matt é responsável pela cozinha e eu ficaria bem chateada de chegar em casa e não ter comida.

3. Comer sobremesas e doces no final de semana ou ocasiões especiais:

A oferta de doces no escritório que trabalho é diária. Eu prefiro dedicar o meu momento doce a uma ocasião mais especial ou final de semana e comendo algo mais saboroso do que um pacote de bolacha. 

A maior vantagem de construir hábitos é usá-los quando a gente mais precisa, sem pensar e sem grandes esforços.

Pense em um hábito não negociável que você gostaria de construir na sua vida e comece a exercitá-lo. Demora semanas, meses até transformar um comportamento em hábito, então seja paciente.

Segunda-feira sem dieta e sem detox

Eu entendo que para muitos hoje é um dia em que o chocolate do feriado ganha um gostinho amargo na memória. Comemos demais e queremos mudar isso. Não queremos engordar nem ter que lidar com as consequências dos excessos festivos.

É por isso mesmo que hoje eu espero que estejamos juntas mais do que nunca resistindo esta urgência de “corrigir” o que comemos.

Hoje não vai ter dieta e nem detox.

Dieta não funciona

Hoje será uma segunda-feira em que vamos juntas aceitar o fato de que comer mais na Páscoa faz parte de um estilo de vida saudável e não nos torna fracas ou descontroladas. Hoje iremos aceitar que comer mais em dias festivos é natural.

Por mais que a internet esteja hoje te bombardeando com dicas de como se livrar do excesso da Páscoa, o que você precisa mesmo é confiar no seu corpo. Ele consegue lidar muito bem com excessos porque você tem um fígado para filtrar tudo. Confie nisso. O seu corpo foi criado para ser uma máquina de eliminar toxinas sem você fazer nenhum esforço. Confie nisso.

Comer açúcar e gorduras saturadas não é ingerir toxinas, é participar socialmente de eventos que fazem parte da nossa cultura, da nossa vida.

Mesmo que pareça uma ideia saudável reduzir a sua alimentação ao máximo para compensar o que você comeu em dobro no feriado de Páscoa, isso é um grande desfavor para a sua saúde física e mental. Você vai apenas reafirmar o padrão de comportamento que tem te mantido obcecada com comida:

Comer em excesso - sentir culpa - compensar (dieta/exercícios) - comer em excesso

Nós não queremos mais viver assim comendo demais num dia e passando os próximos tentando compensar a comilança de alguma forma. Não queremos e não precisamos. Eu repito - comer mais em dias festivos é normal e não tem nada para ser compensado aqui.

Volte à sua alimentação normal hoje, beba bastante água e é vida que segue. Tente nesta Páscoa não repetir o comportamento da compensação.

Vamos juntas firmes nesta segunda-feira sem dieta!

Seja você e orgulhe-se disso!

A Páscoa está quase chegando.

E é neste clima de festa que eu te desafio a usar a sua melhor versão nesta Páscoa.

Faça o que você tem que fazer ou vá aonde você precisa ir com a autoconfiança de quem nasceu autoconfiante. Você pode começar agora mesmo lendo este post - endireite a coluna, levante o queixo e mostre ao mundo quem você é! Não é preciso se transformar em outra pessoa, não é preciso deixar de ser tímida.

Escolha aquela roupa linda guardada para quando você estiver mais magra.

Cuide bem de você hoje, ande confiante pela rua e sinta o seu corpo com o respeito que ele merece.

Para quem decidiu ir à praia, use aquele biquíni ou um maiô, mas não fique sentada cobrindo a barriga se a sua vontade é entrar no mar ou caminhar pela praia.

O desafio hoje é para honrar quem você é e se sentir orgulhosa disso.

Como sobreviver à Páscoa sem se acabar no chocolate #pascoabrigadeirodealface

A semana da Páscoa chegou e com ela o receio de não conseguir se controlar com tanto ovo de chocolate ao redor. Dá uma vontade de se deixar levar e comer todo o chocolate que aparecer pela frente, afinal é Páscoa e isso só acontece uma vez por ano! Não dá nem para imaginar este feriado sem ovo de chocolate, e nem precisa.

Se você não quer passar esta Páscoa com o sentimento de culpa e arrependimento, ou pior, com a sensação de que todo mundo aproveitou enquanto você teve que ficar se controlando, vem comigo.

Como sobreviver à Páscoa sem se acabar no chocolate #pascoabrigadeirodealface

Em momentos como este vem aquele pensamento nada construtivo de que todo mundo pode comer o que quiser enquanto você fica aí lutando para se controlar e engordando só de sentir o cheirinho do cacau. Acredite em mim, dá para curtir a Páscoa sem engordar e sem abrir mão de comer o que você gosta, só é preciso seguir algumas estratégias para aproveitar o feriado ao máximo.

É por isso que a partir de hoje vou postar no Instagram e no Facebook o desafio #pascoabrigadeirodealface. Tudo vai acontecer entre os dias 10 a 19 de abril. Serão 10 dias juntinhas com a hashtag #pascoabrigadeirodealface. Usem a hashtag para que eu acompanhar o que vocês estão vivenciando esta semana e para que eu possa participar disso com vocês.

Para começar, entenda 3 coisas:

1. A Páscoa é apenas um dia e não uma semana ou um mês, estamos falando de UM DIA apenas

Se você se enfiar em chocolate dos pés à cabeça apenas no domingo de Páscoa vai chegar uma hora que não vai mais aguentar comer tanto chocolate e vai parar, mesmo que você só pare depois de comer um quilo de chocolate. Seguindo esse exemplo extremo, o dia da Páscoa em si não é o problema, é o que acontece antes e depois dele. É por isso que este post está saindo com certa antecedência para que você se prepare psicologicamente para ela.

2. A dificuldade de lidar com chocolate 24 horas por dia ao redor é real

Sabe qual é o problema? É o ovo que você ganhou com antecedência e que fica na sua casa olhando para você. É o ovo que você se comprou porque é Páscoa e se não comer agora só daqui há um ano. É o resto de comida e sobremesa que fica na geladeira. São os doces espalhados pela casa. É a colega que vende trufas e ovos especiais no trabalho. É o Instagram e Facebook com fotos incríveis de ovos inacreditáveis de churros de doce de leite ou de Nutella.

Como resolver a dificuldade de lidar com o chocolate à vista? Tirar ele da vista. Simples assim.

3. Você não precisa eliminar completamente o chocolate ou as comidas deliciosas para passar a Páscoa sem culpa

A gente tem uma mania de viver no 8 ou 80 como se isso fosse a única maneira possível de viver. Ou certo ou errado. Ou tudo ou nada. Entre comer um ovo de Páscoa de meio quilo em um dia e passar a Páscoa sugarfree tem um oceano de possibilidades.

Escolha uma maneira de ver a alimentação que não siga nenhum extremismo, que priorize o prazer, a nutrição do corpo e da mente e alegria de viver livre de preocupações com o alimento.

Se você estiver nas redes sociais, publique a sua semana de Páscoa com a hashtag #pascoabrigadeirodealface que eu vou te acompanhar por lá.

Vamos fazer desta Páscoa uma para ser relembrada.