A importância dos hábitos não negociáveis quando tudo está dando errado

A minha situação em casa está um caos. E quando digo caos não é exagero, por mais que gostaria que fosse. Com a reforma da casa tudo que tenho está em caixas ou empilhado em algum canto. Para ajudar a situação não temos água aquecida, o que significa que não tomamos banho em casa há um mês. O meu banheiro tem um cheiro misto de banheiro público com banheiro de shopping na véspera de Natal por conta do entra e sai de pedreiro. E, por último mas não menos importante é a presença constante de um pó fino branco que impregna nas roupas bem quando você está atrasada para sair de casa.

Hábitos não negociáveis e saudáveis

Todos os dias acordo e prometo não desperdiçar energia me estressando sobre algo que eu não posso mudar. É claro que 40 minutos mais tarde já estou enfurecida com algo que o pedreiro fez de errado ou com a roupa limpa que deixei cair no chão e ficou branca de pó.

Todos os dias eu falho consistentemente em manter a calma.

Quando chego em casa o que quero mesmo é uma pizza congelada gordurenta e cheia de sal ou um hambúrguer suado e chacoalhado na caixinha com o cheddar seco grudado no papelão. Tudo o que eu não quero é acender o fogão e começar a cozinhar.

Você já se sentiu assim?

Nesses momentos de incerteza e estresse, o que me mantém cuidando bem de mim são os hábitos não negociáveis e não força de vontade ou perseverança; esses dois últimos eu já perdi há algumas semanas e agora estou indo no piloto automático mesmo.

Todas temos alguns hábitos não negociáveis que acontecem mesmo que esteja chovendo canivetes. É escovar o dente mesmo voltando 4 da manhã da balada, é alimentar o seu filho ou animal de estimação mesmo sem vontade, é tomar banho mesmo estando cansada.

Já faz uns dois anos que tenho alguns hábitos não negociáveis que foram construídos aos poucos:

1. Malhar 3 vezes por semana pela manhã:

Eu não abro mão disso porque é através do esporte que tenho energia para o resto do dia. Por mais que pareça boa a ideia de dormir até mais tarde, eu sempre vou.

2. Cozinhar e lavar a louça em determinados dias da semana:

Mesmo querendo pedir pizza, continuo cozinhando porque é isso que eu faço. Nos outros dias, o Matt é responsável pela cozinha e eu ficaria bem chateada de chegar em casa e não ter comida.

3. Comer sobremesas e doces no final de semana ou ocasiões especiais:

A oferta de doces no escritório que trabalho é diária. Eu prefiro dedicar o meu momento doce a uma ocasião mais especial ou final de semana e comendo algo mais saboroso do que um pacote de bolacha. 

A maior vantagem de construir hábitos é usá-los quando a gente mais precisa, sem pensar e sem grandes esforços.

Pense em um hábito não negociável que você gostaria de construir na sua vida e comece a exercitá-lo. Demora semanas, meses até transformar um comportamento em hábito, então seja paciente.

Seja você e orgulhe-se disso!

A Páscoa está quase chegando.

E é neste clima de festa que eu te desafio a usar a sua melhor versão nesta Páscoa.

Faça o que você tem que fazer ou vá aonde você precisa ir com a autoconfiança de quem nasceu autoconfiante. Você pode começar agora mesmo lendo este post - endireite a coluna, levante o queixo e mostre ao mundo quem você é! Não é preciso se transformar em outra pessoa, não é preciso deixar de ser tímida.

Escolha aquela roupa linda guardada para quando você estiver mais magra.

Cuide bem de você hoje, ande confiante pela rua e sinta o seu corpo com o respeito que ele merece.

Para quem decidiu ir à praia, use aquele biquíni ou um maiô, mas não fique sentada cobrindo a barriga se a sua vontade é entrar no mar ou caminhar pela praia.

O desafio hoje é para honrar quem você é e se sentir orgulhosa disso.

Chegou a hora de começar a acreditar em você

Parece estar generalizada esta noção de que não conseguiremos nunca ter o corpo que queremos, os hábitos saudáveis que tanto admiramos e a paz de espírito de navegar por essa vida comendo normalmente e não se sentindo mal por isso.

o seu passado não define o seu presente ou o seu futuro

Entenda que ter o corpo que queremos significa ter um corpo que te permita mover e experienciar a vida em sua plenitude, e não necessariamente ter o peso da fulana de tal ou a cintura da modelo que você admira. Ninguém precisa ser tão magra ou beirar a perfeição para viver sem limitações.

Quando pensamos nas nossas dúvidas em relação a nós mesmas podemos simplificar em dois tipos de dúvida:

1. Nós duvidamos da nossa capacidade de criar as mudanças que queremos

2. Nós duvidamos da nossa capacidade de sustentar as mudanças que criamos

Esta dificuldade de acreditar em você mesma nasce daqueles momentos em que mais uma vez você se decepciona, mais uma vez você não consegue dar continuidade ao plano, mais uma vez você falha, você se sabota, você engorda, você come, você erra.

Quanto mais colecionamos escolhas ou experiências negativas mais acreditamos que as escolhas e experiências futuras também serão negativas. Consequentemente, mais desacreditamos em nós mesmas.

Nós temos a tendência de limitar o nosso futuro com base nas nossas experiências passadas. Nós limitamos o que achamos ser capaz de fazer porque as nossas escolhas passadas nos decepcionaram de certa forma.

Não, o seu passado não define o seu presente ou o seu futuro.

As suas experiências passadas, as suas escolhas feitas há um minuto atrás não têm nada a ver com a suas escolhas hoje ou amanhã, a menos que você continue a fazer a mesma escolha.

Comece a acreditar que você pode fazer diferente agora, independente do que tenha acontecido há um minuto atrás. Não há razão para desistir ou abrir mão de você pelo que já passou.

A arte de comprar o tamanho certo de roupa e o emagrecimento

Há um link muito interessante entre a nossa mania de comprar roupas menores que o tamanho do nosso corpo, o amor-próprio e a arte de viver o hoje.

sim, eu também já tentei me motivar com uma calça menor que meu número

sim, eu também já tentei me motivar com uma calça menor que meu número

Você entra na loja e pede o jeans 42 sabendo que só o 46 terá change de passar pelo quadril. Aquele jeans pequenino e lindo vai ser a sua motivação extra para perder os benditos quilos. Um pensamento incômodo passa pela sua cabeça sobre a possibilidade da vendedora sugerir que a peça não irá te servir, mas logo em seguida vem um alívio quando você encontra uma maneira de se explicar falando que será um presente para alguém. De repente, você até prova o 46 só para ter certeza que o 42 vai cair bem quando você tiver emagrecido o acesso.

Ao chegar em casa, você cheira o jeans novinho e deixa ele dobrado ainda com a etiqueta no armário.

Desta vez vai ser diferente, você vai emagrecer.

A cada tentação você vai olhar para a calça e relembrar que ela está lá no armário à espera de você mais magra.

Há alguns dias eu ouvi um podcast de uma coach de emagrecimento em que ela recomendava usar jeans apertados e desconfortáveis para te relembrar durante o dia que você precisa emagrecer.

O meu queixo caiu.

Segundo ela, o desconforto do botão pressionando a sua carne seria uma ótima motivação para comer menos durante o dia. Eu não tenho como discordar mais. Já estamos expostas a tantos contratempos diários, não vejo como se castigar por estar gorda vai motivar alguém a emagrecer. Alguém aí percebe a ideia absurda por trás disso?

Segundo muitos há duas maneiras de mudar - uma é pela dor e a outra é por amor. Eu escolho e recomendo a mudança pelo amor.

Eu sei o quanto pode ser desconfortável ir comprar roupa quando você sonha com um corpo menor. De repente, pode até ser difícil encontrar roupas no seu tamanho, mas atualmente com tantas marcas plus size disponíveis não vejo porque não se sentir maravilhosa com 70, 90, 120 ou 180 quilos.

O emponderamento que você sente quando assume o seu corpo como ele está hoje é transformador. Você se sente bem, confiante e bonita sendo do jeito que você é.

A mágica é que quando você se sente bem fica fácil fazer escolhas que ajudem no emagrecimento, se é isso que você procura. Ninguém precisa sair andando de legging e camiseta todo dia até que tenha um corpo considerado magro o suficiente para usar roupas mais ousadas.

Comece a trabalhar o seu amor-próprio vivendo o hoje e cuidando bem do seu corpo com roupas que te façam sentir bem hoje e não em um futuro magro.

Ouse usar e comprar roupas do seu tamanho.

Devo ou não me pesar?

Para quem fica ansioso com o número na balança

Fico ansiosa ao me pesar

A balança faz parte da nossa vida.

Mesmo que você não queira se pesar, vai chegar o dia em que o seu médico vai querer ou vai ter a sua amiga te convidando a subir na balança da farmácia ou o instrutor da academia vai achar necessário anotar o seu peso na avaliação física. Mais cedo ou mais tarde, o se momento com a balança vai acontecer.

Quando eu me tratei da Bulimia, o dia da pesagem era um dia em que o estresse estava estampado no olhar de todos no grupo. Engordar ou emagrecer era o que definia o se o meu dia seria bom ou ruim. Mas se você pensa que isso era algo do transtorno alimentar, esqueça; o meu problema com a balança começou aos 10 anos, em São Paulo, na aula de Educação Física.

Por razões que na época eu não conseguia entender, o meu professor resolveu criar o dia da pesagem para todos os alunos. No pátio da escola estávamos todos enfileirados frente à uma balança, com o professor de um lado e a assistente do outro anotando os resultados. Ele chamava o aluno, media a altura, pedia para subir na balança e comunicava o resultado em alto e bom som à assistente: Erika, 1,38 metro, 40 quilos.

Ouvir que eu pesava 40 quilos enquanto todo o restante da classe estava em torno de 30 foi algo que me marcou profundamente. Eu sabia que era gorda e pesava mais que os meninos. Aquela foi uma das primeiras vezes que me senti vítima de um corpo que parecia existir para me envergonhar. Eu não conseguia entender por que eu não podia ser magra como os demais.

Anos mais tarde a subida na balança ainda era algo que salvava ou acabava com meu dia. Eu não conseguia olhar para aquele número da mesma maneira que eu olhava para outros números. Nem a minha conta bancária no vermelho me preocupava tanto quanto um número mais alto na balança.

Se você se sente assim com a balança, esqueça dela. Deixe-a de lado por alguns tempos e foque no seu dia a dia e não nos resultados.

Não se preocupe, você não vai engordar por ter parado de pesar. Se isso é algo que te preocupa, uma das maneiras de monitorar o seu corpo é verificar como as roupas estão te servindo. Você também pode dedicar aquele minutinho para olhar o seu corpo no espelho, tocá-lo, fotografá-lo. Sem julgamento e sem vergonha, por favor! Isso é só entre você e seu corpo e prometo não contar a ninguém. Além de ser um exercício de autoconhecimento é uma ótima maneira de exercitar o seu amor-próprio aceitando e reconhecendo cada centímetro desse corpinho lindo.

Eu não me acho bonita para me amar

Feia demais para ser feliz

Vocês sabem o quanto gosto de falar sobre o amor-próprio e a importância dele para a nossa relação com o alimento e com nós mesmas, mas tem um assunto que eu preciso tocar e que parece não estar sendo explorado. Estou vendo espalhado pela internet a redução do amor-próprio à beleza física.

Hoje temos essa obrigação mascarada de amor-próprio de que devemos nos achar bonitas sempre ou de que, pelo menos, precisamos mentir que nos achamos bonitas sempre. Estamos sendo levadas a acreditar que só é possível nos amar de verdade quando conseguirmos ver a nossa beleza; e aqui estou falando da beleza física mesmo. É como se o amor-próprio fosse pura e simplesmente resultado do quanto nos achamos belas. Se isso fosse verdade, este seria o impasse em que todas estaríamos aprisionadas:

Só nos amaremos quando conseguirmos enxergar a beleza que temos, mas só enxergaremos essa beleza quando nos amarmos.  

Oras, dá para ver que não é fácil aqui sair deste impasse de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha.

Eu concordo plenamente de que o conceito de beleza precisa ser democratizado. Cada vez mais vemos circular fotos de diferentes tipos de corpo nas redes sociais para nos mostrar que a beleza não deve estar limitada à idade, tamanho ou determinada cor de pele e tipo de cabelo, o que é maravilhoso. Mas o que acontece naqueles dias ou períodos em que você simplesmente se acha feia? Eu estou falando daqueles dias que você se olha no espelho e parece que alguém programou o seu cérebro para ver todos os defeitos que você acha que tem.

O mundo inteiro tem nos dito que temos que olhar o nosso corpo nu no espelho e amar cada centímetro dele, e daí sim saberemos o que é nos amar de verdade. Mas esse exercício é para a maioria de nós uma tarefa impossível, o que nos faz sentir desmotivadas a pelo menos tentar gostar de quem somos.

Amar quem você é não pode ser reduzido a se achar bonita.

A realidade revigorante é que o amor-próprio é resultado da percepção que temos de nós mesmas, e essa percepção não é construída apenas da nossa aparência física, mas de todos os aspectos que faz de você, você. Os seus valores e ideais, os seus esforços em trazer propósito à sua vida, a sua fé e espiritualidade, as suas relações pessoais que foram construídas graças ao seu esforço diário, o seu trabalho, as suas conquistas e derrotas que só mostram que você teve a coragem de tentar, e a sua teimosia em continuar tentando e jamais desistir.

O fato de você estar aqui lendo este post é uma pequena amostra dos seus esforços em crescer e tentar ser melhor e mais compreensiva com você hoje do que você era ontem. E isso é motivo suficiente para se apaixonar por você mesma e pela sua inquietação em mudar, em melhorar.

Acordou se sentindo feia? Não tem problema. Passou a vida se sentindo feia? Não tem problema. Nós não precisamos nos sentir belas o tempo todo para sermos dignas de amor-próprio.

Devo desistir do desejo de emagrecer para me aceitar?

Quero emagrecer

De forma alguma.

É fundamental que todas entendamos o que está por trás da ideia de ser magra, mas o desejo de emagrecer é legítimo e deve ser respeitado.

Talvez você seja nova no BDA, mas aqui a sua liberdade de escolha está em primeiro lugar.

Eu não acredito que você tem que desistir do emagrecimento para se aceitar, nem tampouco para provar que a mídia não tem influência alguma sobre as suas escolhas. Nós estamos falando sobre o seu corpo e você é a única pessoa que convive com ele diariamente. Ele é seu e as decisões são suas. 

Da mesma forma, ninguém precisa emagrecer para se sentir aceita. O movimento plus size e de autoaceitação abriu uma porta maravilhosa para essa discussão. Gordofobia é um preconceito como qualquer outro.

Quando representantes do movimento são acusadas por serem gordas o suficientes ou por expressarem o desejo em emagrecer, acho que estamos replicando o mesmo controle social do qual somos vítimas.

Ninguém é obrigada a ser magra e ninguém é obrigada a ser gorda. 

Você pode se aceitar e querer emagrecer. Aceitar-se não é estar passiva a tudo o que acontece, é simplesmente honrar quem você é.

Se o emagrecimento te confunde um pouco, leia este post sobre emagrecer ou se aceitar.

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