Como eu lido com a vontade de comer? Digo sim ou não?

A grande dúvida para muitos é sobre o que é melhor: comer ou não quando a vontade bate? Se equilíbrio é a chave para uma vida saudável, como saber qual é a hora de dizer sim e a hora de dizer não?

No último post eu levantei a guerra mental que acontece quando não estamos seguindo uma dieta e bate aquela vontade enorme de comer fora de hora. O que fazer, comer ou dizer não?

Quando temos um plano alimentar fica fácil saber se comer é uma decisão adequada, mas quando temos a liberdade da escolha  ficamos meio perdidos sem saber o que escolher.

Depois de erros e acertos estou seguindo algo que funciona para mim e continuarei seguindo até que não funcione mais. Não há certo ou errado aqui, mas apenas o que dá certo ou não pra você. Isso é o que tem dado certo para mim.

Aqui vão algumas diretrizes que eu  levo em consideração na hora da escolha:

Diretriz 1: 

Eu fico atenta a sinais de cansaço, ansiedade, entediamento e estresse porque são nesses momentos que como emocionalmente.

Sim ou não?

Eu digo não à vontade de comer quando ela é ligada a comer emocionalmente. Para essas situações eu busco me dar o que preciso de verdade e não me distrair com comida. Esses são os momentos mais difíceis de dizer não.  

Diretriz 2: 

Eu não espero o dia seguinte para “recomeçar”. Se extrapolo volto à minha alimentação normal na próxima refeição. Evitar a mentalidade do tudo ou nada é um passo enorme para alcançar o equilíbrio.

Sim ou não?

Eu digo não à vontade de comer quando quero continuar comendo porque já “estraguei” o dia mesmo.

Diretriz 3:

Eu dou preferência a comer aquilo que amo. Houve um tempo em que eu dizia sim para tudo o que eu via, estando ou não com fome/vontade. Era um hábito de sempre aceitar comida sem nem parar para pensar.

Sim ou não?

Eu digo sim à vontade de comer quando o alimento está na lista dos que eu amo, como pudins, tortas ou bolos caseiros. Eu nem preciso pensar para dizer não a doces e bolos industrializados.

Diretriz 4:

Quando vou a restaurantes eu como o que sinto vontade e não o que é mais saudável.

Sim ou não?

Eu digo sim à vontade de comer quando vou a restaurantes. A única regra aqui é comer o que eu quero e parar de comer quando estou satisfeita.

Diretriz 5:

Eu não almejo perfeição nas minhas escolhas alimentares

Se todas as diretrizes forem por água abaixo, ou se como em excesso ou emocionalmente levanto a cabeça e sigo em frente. Se nada no mundo é perfeito, por que a nossa alimentação deveria ser?

Devo ou não comer quando bate a vontade?

Comer de maneira equilibrada é um sonho para muita gente. Se de um lado está crescendo o número de dietas e filosofias alimentares, de outro estamos nós lutando por um mundo mais sano em relação à alimentação em que pãozinho com manteiga é aceito.

Quero emagrecer

Para quem segue um plano ou dieta alimentar a liberdade de escolha é retirada da equação e isso até dá um certo alívio para muitas pessoas porque fica claro o que comer e o que não comer. Se você segue a dieta está fazendo algo certo e quando não está fazendo algo errado. É simples assim.

Mas com o equilíbrio a história é outra, o equilíbrio não julga.

Para ele tanto faz se você vai comer brigadeiro ou maçã, o que conta é como você se sente ao fazer a escolha e depois de ter comido. É assim que medimos se estamos comendo de maneira equilibrada ou não. É um processo.

Então vamos imaginar uma situação em que você queira emagrecer ou se alimentar de maneira mais saudável mas a vontade de um brigadeiro de panela te faz aguar a sua boca. Você não tem certeza se isso é uma escolha alinhada a comer mais saudável ou não.

Num momento como esse a nossa cabeça passa por uma tempestade de pensamentos até que a decisão seja tomada:

“Eu não posso comer o brigadeiro porque quero muito não é saudável”

“Mas eu não consigo ficar o resto da vida sem nunca mais comer brigadeiro, não é realista”

“Não, eu não vou comer porque ter saúde é mais importante para mim do que este brigadeiro”

“Mas eu mereço comer porque tenho me alimentado tão certinho”

“E também não tem nada demais comer brigadeiro, faz parte da vida”.

“Dane-se, neste momento o brigadeiro é mais importante do que todo o resto”

“Por que eu não posso comer brigadeiro como uma pessoa normal? O mundo é tão injusto”

Essa discussão interna acontece em segundos ou pode levar uma tarde inteira, mas a certeza é que pelo menos um desses argumentos vai vencer, mas como saber qual? Como saber se devemos ou não comer se não há regra definida para estar em equilíbrio? 

Parece simplista escrever aqui para você ouvir o seu corpo porque naquele momento o seu corpo está pedindo brigadeiro, mas por incrível que pareça quanto mais o ouvimos mais o entendemos.

A mágica da alimentação equilibrada é que ela não é preto ou branco, certo ou errado. É uma linha cinza que você vai segue dançando conforme a música.

Uma linha em que você começa a confiar no seu corpo aos poucos, em que você cria as suas próprias regras ou decide não criá-las, porque você é o dono da sua alimentação.

Logo, a resposta se você deve ou não comer só pode ser respondida por você. Em alguns casos, é claro, essa decisão é tomada por um profissional quando a nossa saúde física ou mental está em risco. 

Se a decisão é  fazer o brigadeiro de panela e comer todinho em uma sentada, honre-a. Se a decisão for adiar o brigadeiro para um outro dia, honre-a. Às vezes, o brigadeiro de panela é o que você precisa para evitar ter um episódio enorme de compulsão alimentar. Às vezes, dizer não e ir para a cama é o maior ato de amor que você pode se dar.

No próximo post eu conto como eu tomo essa decisão. Não é o caminho certo ou o caminho errado, é apenas o meu caminho e cada um tem o seu.

A dificuldade das gostosuras no trabalho

Você sabe bem como isso acontece. Você acordou decidida a ter um dia de bem com a comida, de bem com você. Aquele dia bom em que nutrimos o corpinho e cuidamos bem da nossa alimentação sem paranóia e com respeito.

No café da manhã deu tudo certo, você levou até frutas, castanhas e iogurte para comer entre as refeições principais. O almoço chega e você enche o prato de alimentos vibrantes, coloridos e nutritivos. Orgulhosa, você volta a trabalhar com a certeza de que hoje a sua alimentação vai ser tranquila, alinhada ao estilo de vida que você procura.

Comer demais no trabalho

No auge do seu cansaço, às 4 da tarde, a colega aparece com uma vasilha anunciando o bolo fresquinho assado na noite anterior. É hora do café. Ao abrir a vasilha o cheirinho da calda de chocolate te distrai do trabalho e em poucos minutos vem alguém te perguntar se você não vai querer.

Recusar comida oferecida com a maior boa vontade é um ato desconfortável para nós, para quem ofereceu o alimento e para outros ao redor. Por isso, muitas vezes é mais fácil dizer sim para manter todos satisfeitos e nos poupar do desconforto. MAs por que é tão difícil dizer não?

A função social

É na hora do café com bolo que você tem a possibilidade de interagir com colegas de trabalho. Compartilhar uma refeição ou um alimento é uma maneira de conectar o grupo, e é claro que não queremos ficar de fora disso.

A pressão social

Uma coisa é você dizer não, outra coisa é os outros aceitarem que você disse não. É incrível como tem pessoas que se sentem incomodadas quando você não está comendo o que elas estão. Você ouve coisas do tipo “só um pedaço não vai engordar”, “você não sabe o que está perdendo”, “você tá de dieta?”, “não faz desfeita”, “mas é receita original da minha tataravó que fiz especialmente”, e assim em diante.

Dizer não dói

Dizer não é chato em diversas ocasiões e com comida não é diferente. Você não quer ofender ninguém ou que os outros pensem que você é uma pessoa difícil.

Fome à tarde

No meu trabalho mesmo tem bolos e tortas servidos semanalmente devido a aniversários, comemorações ou à mão talentosa de colegas que adoram assar delícias. Mesmo que eu quisesse não tem como dizer sim toda vez senão eu estaria comendo bolo, torta e biscoito diariamente e este não é o estilo de vida que eu almejo. E mais importante, isso não é equilíbrio para mim.

Não há nada errado em aceitar o bolo no trabalho, mas não é preciso dizer sim sempre. No próximo post eu vou explicar maneiras que temos para entender se é hora de dizer sim ou não. Até lá!

É mais do que vontade de comer

Ano passado passei um bom tempo sem postar aqui no blog. De um lado a vontade de escrever sobre a nossa mentalidade em relação à alimentação e corpo não estava proeminente, e de outro a minha falta de organização nos dias livres me deixava ocupada com outras coisas bem menos relevantes que o blog.

O maior motivo pela minha falta de concentração foram mudanças este ano que prefiro guardar para mim por enquanto mas quem sabe um dia conseguirei dividir, mas o outro motivo é simplesmente ignorar que comida continua sendo um ponto que precisa de atenção na minha vida. Eu simplesmente fingi que não era comigo nos últimos meses. O resultado? Dias ótimos e equilibrados de alimentação seguidos por idas ao supermercado depois do trabalho para uma barra de chocolate. Jantares e happy hours deliciosos com amigos seguidos por batata frita na estação de trem.

Eu não sei quanto à você mas eu percebo quando não estou comendo pelos motivos certos. O problema não é o chocolate ou a batata frita mas a maneira como os comi. Sabe aquela alimentação que não é para matar a vontade ou para saciar a fome? Então, essa mesmo.

Identificar esse tipo de alimentação é algo que eu faço rapidamente porque a minha experiência é de longa data, rs. Para quem está começando tem duas observações simples que vão indicar rapidamente se você está comendo por vontade de comer ou por alguma outra razão:

  1. Observe se está se alimentando de maneira estressada ou escondida. Quando nos alimentamos assim o nosso corpo fica tenso, os ombros comprimidos e o coração meio acelerado. Você sente uma excitação mais forte em comprar ou comer o alimento do que durante o almoço.

  2. Pergunte-se se você se sentiria confortável em comer o que está comendo na frente de conhecidos ou de comentar o quão saboroso estava o alimento a um amigo ou familiar. Se a resposta for não, há uma chance grande de você estar comendo emocionalmente.

Algo para se levar em consideração é que essas observações não se aplicam para quem não tem distúrbio alimentar. Pessoas com essa condição frequentemente associam alimentação a um momento estressante e também podem se sentir envergonhadas ou desconfortáveis de comer em público mesmo que estejam com fome. Da mesma forma, muitas pessoas obesas mesmo sem ter um transtorno alimentar se sentem envergonhadas em comer na presença de outros por conta do julgamento que sofrem.

Qualquer que seja a sua dificuldade, o primeiro passo é se observar e entender de onde vem o impulso quando você percebe que não é simplesmente vontade de comer.

Vai malandra, você tem bumbum você pode

Como assim eu ainda não havia assistido ao novo clipe da Anitta? Mesmo estando isolada aqui na Holanda, o Spotify me levou de volta ao Brasil malandro quando adicionou o hit da Anitta às minhas sugestões do dia. Só então me dei conta da repercussão do “Vai Malandra”.

A batida da música é contagiante e fiquei feliz de ver um artista brasileiro representado no cenário mundial independente de gostos musicais. Foi só quando parei para assistir ao clipe e prestar atenção na letra que o batidão mudou.

A Anitta tem celulite

O clipe é um exemplo do empoderamento feminino através das nádegas, essa maneira distorcida de colocar a mulher no papel central como se ter poder fosse andar rodeada de homens enlouquecidos pelo seu bumbum, com ou sem celulite.

É a velha narrativa da mulher sendo o objeto admirado pelo homem, o sujeito admirador. E a ideia falsa de que a mulher tem poder ao ter homens atraídos por ela.

Ao assistir ao clipe não pude evitar de relembrar o começo da minha adolescência, com 13 ou 14 anos, quando eu me trancava no quarto, ligava o som e dançava axé me imaginando em situações em que eu era a mais admirada da festa. Na minha imaginação eu tinha o corpo da Carla Perez, usava aqueles shortinhos e tops provocantes e dançava enquanto todos me olhavam. Aquele sonho acordado era a representação que eu tinha do que era ser uma mulher poderosa.

Ainda hoje, 20 anos mais tarde, continuamos com a mesma referência do poder feminino da bunda.

Vai malandra e a celulite da Anitta

É claro que achei lindo ver a celulite da Anitta sem retoque, é claro que achei lindo ter uma mulher gorda sendo representada, e travestis, e negros, e uma parcela da realidade da favela que é onde o funk nasceu.

Eu poderia falar aqui sobre apropriação cultural, sobre o “enegrecimento” da cantora, o uso do diretor Terry Richardson com várias acusações de abuso sexual, mas vou me ater a um ponto. Estamos sim evoluindo, mas o que incomoda é a ironia de ver como empoderamento mulheres hipersexualizadas na mídia de um lado, enquanto de outro lado essas mesmas mulheres são censuradas ao expressar sua sexualidade na vida real. Onde está o poder então?

Enquanto estamos aqui preocupados com a celulite da Anitta, olha o que o mundo está cantando:

 

“Vai malandra
Me mostre algo
Gata brasileira, você sabe que te quero
Bunda grande, dá pra equilibrar um copo em cima
Olha pro meu zíper, vem botar essa bunda aqui
Tô hipnotizado pelo jeito que você se mexe
Não posso negar que quero te ver pelada
Anitta, gata, estou tentando dar uns tapas
Eu posso dar isso para você, será que você aguenta?”

 

A favela é mais do que funk e bunda. A Anitta é mais do que celulite. E nós somos mais do que corpos.

Vai malandra, você pode.

Começar sem pensar no fim

Hoje é segunda-feira, dia 1 de janeiro de 2018. É Ano Novo e não tem como não se contaminar com a energia de recomeço e transformação que o Ano Novo traz.

A gente se sente impulsionada a mudar, a melhorar, a fazer diferente, e é exatamente o que vou fazer este ano. Todo começo de ano eu escrevo uma lista de tudo o que eu quero alcançar, mas desta vez eu fiz de outra forma. Eu decidi não mudar a minha vida drasticamente, não fazer promessas que não conseguirei cumprir, e não viver pensando no dia de amanhã.

É claro que continuo tendo sonhos e metas, mas o meu esforço este ano vai ser no processo e não no resultado.

É o caminho que nos ensina o que precisamos e não o destino.

Esqueça a meta de quantos quilos emagrecer este ano, o foco vai ser nas decisões mínimas tomadas diariamente. São essas decisões consideradas desimportantes que nos aproximam ou distanciam de onde queremos chegar.

Esqueça o sapato de design italiano, o foco é cuidar das minhas finanças com inteligência e diligência, um dia de cada vez. Eu espero trocar o desnecessário pelo relevante.

Esqueça o smartphone, o meu foco é trocar o consumo de mídia por criação. Eu ando assistindo, lendo e vendo tanta coisa online que se você me perguntar o que assisti ontem eu já nem lembro.

Em 2018 a minha meta é dedicar a minha energia ao processo e confiar que o resultado virá quando e se tiver que vir.

Um ótimo 2018 para todos nós.

A nossa necessidade de agradar os outros

Ontem durante o almoço com algumas colegas comentei o quanto havia gostado da minha adolescência. A maioria franziu a testa. Era óbvio que nem todos ali tinham vivido o paraíso que vivi, mas todos haviam sentido o que eu senti, aquela certeza adolescente de que tudo é possível e a excitação de ter um futuro pela frente que seria escrito pela pessoa mais especial do mundo, eu.

Quando revisito a minha adolescência como um paraíso não é com a ilusão de que tudo era perfeito porque a realidade foi longe disso. Os meus pais, como muitos outros pais, tentaram me manter em casa e na igreja de todas as maneiras, mas eu queria ver o mundo. Eu passei a adolescência estudando em duas escolas e viajando 4,5 horas por dia em ônibus e metrôs para ter acesso à educação que eu queria. Eu desobedeci meus pais e os entristeci profundamente ao parar de frequentar a igreja e foi a custo de muitas brigas, discussões e choros que eu consegui ser eu.

Cada rosto de desapontamento da minha família valeu a pena. Era o preço que eu tinha que pagar para ser quem eu sou. Aquela fase com todas as dificuldades foi o meu paraíso porque eu aproveitei cada dia, mesmo os dias ruins.

Mas a fase adulta chegou e como ela veio o medo. O medo de desapontar pessoas que conhecemos e até desconhecidos, medo de ser criticada, medo de não ser aceita e acabar sozinha, medo de falar o que pensamos, medo de errar.

Este medo chega porque de repente nos damos conta de que tudo o que fazemos ou falamos tem consequência, e para nos proteger do pior paramos. Paramos de tentar, de arriscar, de nos expressar, de errar.

Mas o conforto de ser aceita por todos também vem com um preço. Imagine se a sua própria opinião tivesse mais importância para você do que a opinião dos demais? O que você seria, quem você seria?

Autoconfiança é algo que vamos construindo aos poucos, todos os dias. A cada medo que ignoramos e seguimos em frente é um passo mais perto de nos tornamos a nossa melhor versão.

É impossível silenciar tantas vozes te dizendo quem você deve ser. Mas é possível aumentar o volume da sua voz interior para que ela fale mais alto.

Viva o seu paraíso. Com dias bons e ruins, mas um paraíso.