Esqueça a ideia de comer perfeitamente

Comer totalmente clean como o que costumam dizer é uma ideia completamente irrealista, mas de alguma maneira somos estimuladas a pensar que este é o nosso ideal de alimentação.

A única maneira de alcançar a "perfeição" na alimentação é quando você adquire um transtorno alimentar e, ainda assim, você se sente horrível em relação ao que come e à sua aparência. E quando dizem perfeição seria perfeição em relação ao que? Se você for completamente vegana, vai haver crítica. Se você for vegetariana, vai haver crítica. Se você nunca mais comer açúcar refinado, vai haver crítica. Se você só comer frutas, legumes e carne, vai haver crítica.

Perfeição não existe.

Nem na alimentação, nem na vida, nem no corpo... em nada.

Como evitar repetir o prato em ocasiões sociais

Eu como demais

Como eu havia prometido no último vídeo, aqui estou de volta com as dicas de como lidar com os excessos que cometemos ao comer em ocasiões sociais. Lembrando que faz parte da vida e de uma relação saudável com a alimentação comer demais aqui e ali; mas se você tem dificuldade em comer porções normais (que não te deixam estufada) quando está em um evento, o vídeo pode ajudar.

Então vamos ao resumo das dicas:

1. Planeje com antecendência

Defina o que é a uma porção para você e planeje com antecedência só comer aquela porção.

2. Coma devagar, é sério!

Eu sei que é clichê dizer isso, mas no vídeo você vai ver o porquê é tão importante exercitar este hábito.

3. Não se faça de vítima

Comer uma porção não é ser vítima das circunstâncias e sim ser dona das suas escolhas.

4. Use e abuse dos líquidos

Exercite a arte de usar a bebida para continuar com a sensação de que você está fazendo parte do grupo . Uma ressalva aqui para as bebidas alcoólicas - substituir comida por álcool não é bom para ninguém, ok? Ok.

 

Emagrecer sem dieta para quem precisa perder muito peso

No meu post sobre o meu emagrecimento , a leitora Veronika deixou uma dúvida que muitas de vocês provavelmente também devem ter.

"Erika, eu já li bastante seu blog e vi seus videos. Amei que vc vai compartilhar esse momento conosco! Minha dúvida: Já entendi e fez todo o sentido pra mim a ideia de não fazer dieta - já vi esse seu video do youtube umas 3x - No sentido de que, realmente, numa dieta não aprendemos a nos alimentar. Ok. Devemos ouvir o nosso corpo e não ter medo dos alimentos. Ok. Mas quando se precisa perder muito peso isso é complicado. Por menor que seja vai ter restrição, afinal para emagrecer precisamos diminuir os alimentos ingeridos. Isso me angustia. Vc entende o q quero dizer? Qual sua opinião? Um beijo!"

E aqui a minha resposta:

Mesmo quando temos muitos quilos para emagrecer é fundamental que o nosso foco seja em construir uma alimentação saudável e prazerosa que possa ser mantida PARA SEMPRE. Se mudarmos a nossa alimentação pensando simplesmente na eliminação dos quilos, as chances de não conseguir manter o peso quando a dieta chegar ao fim são gigantescas.

É claro que os resultados aparecerão mais lentamente, mas você se sentirá bem durante todo o processo. Sem falar que se o emagrecimento for lento você terá tempo suficiente para aprender a lidar com a comida e com as suas emoções, e esse aprendizado vai ser necessário para o resto da sua vida.

Normalmente, a razão para alguém estar acima do peso é simplesmente estar comendo mais do que precisa, salvo excessões quando há desequilíbrio hormonal ou alguma condição especial de saúde que impeça o funcionamento normal do organismo. Logo, se você está comendo mais do que precisa, reduzir o quanto você come é essencial para emagrecer.

Mas isso não é tão simples quanto reduzir as calorias de 2.600 a 2.000 por dia. Se você está comendo mais do que precisa, provavelmente há uma razão para isso. A maioria das pessoas não engorda 20, 30, 50 ou 100 quilos por sentir mais fome do que a média, elas comem mais porque a comida as faz sentir melhor de alguma maneira.

1. Diminuir o alimentos industrializados

O primeiro aspecto e o mais fácil de ser mudado é reduzir os alimentos industrializados porque eles contêm mais sal, açúcar e gordura do que a mesma variante feita em casa. Só em escolher alimentos mais naturais você reduz as calorias ingeridas sem se dar conta disso, além de evitar colocar todos esses aditivos químicos no seu corpo que só te estimulam a comer mais.

Não é preciso eliminar completamente os industrializados, mas dá para notar a diferença só em diminuir o consumo.

2. Aprender a ser infeliz

O segundo aspecto e o mais importante é aprender a sentir as suas emoções e estar confortável em se sentir desconfortável. A verdade é que sempre haverão momentos em que você estará estressada, triste, entediada, perdida ou cansada. Ao aprender a lidar com esses momentos, não temos mais porque comer emocionalmente. Por isso é tão fundamental se fortalecer como pessoa para melhorar a sua relação com a comida.

3. Mudar gradualmente

Esqueça as mudanças drásticas que prometem te transformar em musa fit da noite para o dia. Opte por mudanças pequenas que você vai adicionando ao longo do tempo para não causar nenhum choque ao seu organismo e ao seu bem-estar mental. Por exemplo: você conseguiria não comer doce para sempre? Se a resposta for não, cortar completamente o açúcar não seria a melhor solução. Você conseguiria viver sem pão, arroz ou massa? Se não, talvez a abordagem de cortar o carboidrato não seja a melhor também.

Esses três passos são um bom começo para abrir mão da dieta e construir uma alimentação que satisfaça o seu corpo e a sua mente.

Devo procurar um nutricionista?

Preciso ir ao nutricionista

A procura por nutricionistas tem aumentado loucamente e a oferta deles no mercado também. Aqui no BDA somos uma comunidade de mulheres e alguns homens que procuram ter uma vida mais equilibrada com a alimentação, então pensar sobre o nutricionista faz parte da nossa conversa.

É ótimo estarmos mais interessados em saber o que comemos e qual a consequência disso no nosso corpo, mas também queremos melhorar a nossa aparência. E, de alguma forma, o nutricionista se transformou neste profissional que aliado ao dermatologista vai nos deixar linda.

Observação aos nutricionistas que me leem: eu sei gente, eu também sinto a sua dor e acho que nutrição é muito mais que isso.

Mas a pergunta que não quer calar é - devemos ou não procurar um nutricionista?

1. Para quem quer emagrecer ou melhorar a relação com a comida

Para quem sente que a dieta tomou conta da vida mas no entanto não sofre de um transtorno alimentar, o primeiro passo seria começar a confiar que o nosso corpo é capaz de regular o quanto precisamos comer, mas há algumas estratégias para alcançar uma alimentação mais intuitiva que eu divido aqui no blog. 

Eu acho muito válido procurar um nutricionista para quem quiser aprender mais sobre alimentação, mas a nutrição não pode virar um terror que divide as nossos alimentos em bons e ruins, e isso é o que mais vejo. No entanto, há ótimos profissionais em nutrição que dividem valores semelhantes aos meus e a esses profissionais o meu muito-obrigado.

O objetivo é que tenhamos autonomia e liberdade para fazer as melhores escolhas e não simplesmente seguir o que o outro nos manda comer. Quando conseguimos identificar o sentimento de fome e saciedade e entendemos como cada alimento nos faz sentir não precisamos seguir dieta alguma.

Se você quer melhorar a relação com a comida, não basta seguir um plano alimentar, você tem que aprender a confiar nas suas próprias escolhas e preferências alimentares.

O emagrecimento sem dieta é mais lento, mas é muito mais duradouro e não nos priva do prazer de comer.

Nutricionista? É claro que é bem-vindo, mas escolha um profissional que estimule a sua autonomia e autoconfiança em se alimentar.

2. Para quem tem transtorno alimentar

O primeiro passo a ser tomado para quem tem ou acredite que tenha um transtorno alimentar é procurar um tratamento especializado que envolve mais do que nutrição.

O problema com transtornos alimentares não é o que você come, mas o porquê você come. É uma doença mental que deve ser tratada como tal. Nesses casos, é preciso avaliar se há ansiedade, depressão ou algum outro transtorno envolvido que também deve ser tratado, isso sem falar no acompanhamento dos danos causados ao corpo como disfunção cardíaca e distúrbios metabólicos. O nutricionista sozinho não poderia diagnosticar ou tratar todos esses aspectos. Ele tem papel fundamental na prevenção e no tratamento de TA, mas ele não deve ser o único profissional envolvido. 

Pode demorar um pouco até encontrar um profissional ou tratamento que funcione, mas eu diria para não desistir nas primeiras tentativas. Estar curada vale a pena qualquer esforço.

 

Quando o problema é não comer

Às vezes eu recebo uns depoimentos de vocês que me emocionam de verdade, e este da Blanka é um exemplo disso. Tudo que ela já passou e o aprendizado que tirou disso está sendo fundamental para enfrentar um dos maiores desafios que ela terá na vida - o câncer.

Com vocês, a Blanka: 

Anorexia

Pensei diversas vezes em te mandar essa mensagem, e a timidez sem vencia. Eu não sei nem seu nome, mas sei que a "brigadeiro de alface" me ajudou a sair da anorexia e depressão.

Ano passado neste mesmo mês eu estava com 33kg, e hoje tenho 50. Com a onda "fitness" por volta de 2012 eu fui aos poucos cortando os alimentos e, em 2015, só me permitia comer frango, salada e eventualmente fruta ou um iogurte desnatado.

Eu tomava café preto entupido de canela o dia inteiro pra emagrecer, enquanto me preparava pro vestibular no final do ano. O resultado foi o pior ano da minha vida com depressão, anorexia, dependência da minha mãe e sem amigos.

Por volta de setembro comecei a ler o BDA e adotar muitas das dicas. Eu ia em uma ótima psicóloga e um psiquiatra desde abril, mas só a partir de setembro comecei a me empenhar de verdade em melhorar.

Parecia antes que nada mais tinha graça, que ninguém era interessante. 

Meu psiquiatra avisou minha mãe que se emagrecesse mais um quilo ele iria me internar. Mas ela teve toda paciência do mundo pra esperar o meu tempo de melhorar.

Hoje estou outra pessoa, rodeada de amigos e com uma alegria que nada me abala.

Em janeiro minha mãe descobriu um câncer de pulmão. Tenho certeza que se não fosse essa pessoa forte que aprendi a ser depois que comecei a ler seu blog, teria me abalado muito. Mas tenho certeza que ela vai melhorar assim como eu melhorei. Continue sempre com esse trabalho lindo de inspirar pessoas a apreciarem a vida acima de qualquer corpo que tenham!

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Blanka, obrigada pelas suas palavras e muita, mas muita força para você e para a sua família durante o tratamento da sua mãe. 

Para quem quiser dar um alô para a Blanka é só mandar um email para finokettiblanka@gmail.com.

Se você tem ou acha que tem um transtorno alimentar, não tenha medo ou vergonha de conversar com um familiar ou amigo. Tem muita gente passando por isso em silêncio. Procure ajuda de um profissional porque a cura é possível.

Ser gorda não é defeito

Gordofobia

Tá, acho que todos já entendemos que a obesidade é uma epidemia que vem crescendo e que faz parte da nossa realidade. É evidente que precisamos fazer algo a respeito, principalmente relacionado às regulamentações da indústria alimentícia, aos espaços públicos que não temos para nos exercitar,  à educação nutricional de crianças e outras medidas que deveriam ser tomadas pelo governo.

Tá, muitos estão preocupados com a medida das nossas cinturas expandindo rapidamente, mas a preocupação com a saúde não pode ser usada como desculpa para sermos preconceituosos.

Discriminar alguém por ser gordo não é uma opção para diminuir a obesidade.

Tá, vamos considerar que uma pessoa esteja com a saúde comprometida por conta do excesso de peso. Qual o direito que isso nos dá de emitirmos a nossa opinião sobre a gordura que aquela pessoa carrega? 

Chega de usar a gordofobia em nome da saúde.

Pressão social em repetir o prato

Você sabe bem como isto acontece.

Antes mesmo de se dar conta você já está no segundo ou terceiro pedaço porque simplesmente está tão saboroso. E você olha ao redor e todo mundo está fazendo o mesmo, então está tudo bem, não é mesmo? Sim, está tudo bem repetir o prato, o pedaço ou a porção de vez em quando. O que não está bem é quando isso vira um hábito.

Repetir o prato no Brasil também é uma maneira de demonstrar o quanto gostamos de um alimento. E no meio de tanta gostosura e da pressão social, o que podemos fazer?