A arte de viver como se a magreza não fosse possível

Há pouco tempo tive uma ligação franca com uma amiga de décadas que me abriu os olhos para o que realmente importa - o durante e não o depois. Para você que sonha em emagrecer e mal pode esperar até ver o seu corpo do tamanho que você considera ideal, vem comigo.

Tudo começou quando expliquei à minha amiga o meu descontentamento por não estar com a minha vida no lugar que eu gostaria que estivesse. Eu estava angustiada com dúvidas sobre qual rumo tomar: mudar ou não de casa, ter ou não um filho, mudar ou não de trabalho, mudar ou não de academia, sair ou não de férias, comer ou não sobremesa, pesar ou não semanalmente. Ah, parecia que alguém tinha dado um nó em tudo e eu me vi como uma criança desorientada e ansiosa sem saber como resolver a equação na prova de recuperação.

Ela então me falou que talvez eu jamais chegaria onde eu quero, que o meu sonho tinha a possibilidade de nunca se concretizar, e que mesmo assim o meu dia deveria refletir a minha capacidade de viver e aproveitar o presente. Ao ouvir aquelas palavras me bateu um misto de depressão e raiva. Como assim os meus sonhos poderiam nunca se tornar realidade? Como assim eu tinha que viver considerando a possibilidade de nunca chegar onde quero? Que tipo de vida é essa, eu pensei, e como é que um pensamento desse ajudaria a acalmar as minhas dúvidas e ansiedade.

Ao perceber o meu aborrecimento com o comentário ela completou que o objetivo não era vivermos insatisfeitos com o que não temos, que isso sim era não viver de verdade. Que ter ambição qualquer que seja era maravilhoso, mas essa ambição não deveria nos impedir de enxergar o que acontece à nossa vida hoje e agora.

Ela tinha razão.

Não dá para ignorar a vida que temos hoje esperando até que o sonho se realize.

E mesmo que o sonho se realize, sempre haverão novos sonhos, novos planos, e assim estaremos confinados a viver no amanhã sem nunca prestar atenção e agradecer pelo que temos hoje.

Eu vejo tantas pessoas sobrevivendo no corpo que têm e sonhando com o corpo que gostariam de ter. Elas fazem dieta, exercícios, planos e tratamentos para alcançar o que querem. Algumas chegam lá, outras não, mas a insatisfação continua porque o perfeito não existe, nunca existiu e jamais existirá. Criamos esta ilusão na nossa cabeça do corpo perfeito e adiamos certas experiências para quando o alcançarmos.

E se tivéssemos a audácia de mudar essa mentalidade. Como seria a vida se você parasse de adiá-la até ter a barriga sonhada?

Faça algo por menor que seja diariamente para alcançar o que você quer.

Mesmo não alcançando a perfeição, todo o cuidado investido em você não será em vão. Foque no processo e não nos resultados, é durante o processo que você cresce e aprende, é durante que a mágica acontece.

Eu não me acho bonita para me amar

Feia demais para ser feliz

Vocês sabem o quanto gosto de falar sobre o amor-próprio e a importância dele para a nossa relação com o alimento e com nós mesmas, mas tem um assunto que eu preciso tocar e que parece não estar sendo explorado. Estou vendo espalhado pela internet a redução do amor-próprio à beleza física.

Hoje temos essa obrigação mascarada de amor-próprio de que devemos nos achar bonitas sempre ou de que, pelo menos, precisamos mentir que nos achamos bonitas sempre. Estamos sendo levadas a acreditar que só é possível nos amar de verdade quando conseguirmos ver a nossa beleza; e aqui estou falando da beleza física mesmo. É como se o amor-próprio fosse pura e simplesmente resultado do quanto nos achamos belas. Se isso fosse verdade, este seria o impasse em que todas estaríamos aprisionadas:

Só nos amaremos quando conseguirmos enxergar a beleza que temos, mas só enxergaremos essa beleza quando nos amarmos.  

Oras, dá para ver que não é fácil aqui sair deste impasse de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha.

Eu concordo plenamente de que o conceito de beleza precisa ser democratizado. Cada vez mais vemos circular fotos de diferentes tipos de corpo nas redes sociais para nos mostrar que a beleza não deve estar limitada à idade, tamanho ou determinada cor de pele e tipo de cabelo, o que é maravilhoso. Mas o que acontece naqueles dias ou períodos em que você simplesmente se acha feia? Eu estou falando daqueles dias que você se olha no espelho e parece que alguém programou o seu cérebro para ver todos os defeitos que você acha que tem.

O mundo inteiro tem nos dito que temos que olhar o nosso corpo nu no espelho e amar cada centímetro dele, e daí sim saberemos o que é nos amar de verdade. Mas esse exercício é para a maioria de nós uma tarefa impossível, o que nos faz sentir desmotivadas a pelo menos tentar gostar de quem somos.

Amar quem você é não pode ser reduzido a se achar bonita.

A realidade revigorante é que o amor-próprio é resultado da percepção que temos de nós mesmas, e essa percepção não é construída apenas da nossa aparência física, mas de todos os aspectos que faz de você, você. Os seus valores e ideais, os seus esforços em trazer propósito à sua vida, a sua fé e espiritualidade, as suas relações pessoais que foram construídas graças ao seu esforço diário, o seu trabalho, as suas conquistas e derrotas que só mostram que você teve a coragem de tentar, e a sua teimosia em continuar tentando e jamais desistir.

O fato de você estar aqui lendo este post é uma pequena amostra dos seus esforços em crescer e tentar ser melhor e mais compreensiva com você hoje do que você era ontem. E isso é motivo suficiente para se apaixonar por você mesma e pela sua inquietação em mudar, em melhorar.

Acordou se sentindo feia? Não tem problema. Passou a vida se sentindo feia? Não tem problema. Nós não precisamos nos sentir belas o tempo todo para sermos dignas de amor-próprio.

Por que achamos que temos que ser magra para ser feliz?

Ser magra está na moda e há diversas razões para isso que eu vou debatendo no blog. Querer ser magra é muito mais do que um conceito estético, é o desejo de alcançar tudo o que a ideia de magreza tem nos vendido nas últimas décadas. 

A mídia tem um papel fundamental na percepção que temos sobre nós mesmas. Infelizmente, a representação midiática do corpo feminino é distorcida, objetificada e irreal, e todos somos afetados por isso. Mas a explicação é simples:

A mídia sobrevive dos anúncios publicitários e a publicidade sobrevive da nossa procura pela felicidade.

Se a mídia nos convence que é preciso ser de determinada forma para ser feliz, a publicidade tem como usar este espaço para nos oferecer o que falta para que possamos alcançar a tão sonhada felicidade. 

Ao adquirirmos o produto ou serviço que promete nos deixar como as mulheres que vemos na mídia, estamos comprando a ideia de que seremos felizes. 

O ideal seria se todos saíssemos satisfeitos ao final do ciclo, mas não é isso que acontece. Não há produto no mercado que deixe toda a população do mundo loira, rica, magra, com a pele dourada, sem manchas, torneada, jovem, alta, sexy, feminina, delicada, sensual, com cabelos longos e volumosos, cheirosa, depilada e perfeita.  Então continuamos consumindo dietas, produtos e tratamentos que nos deixem mais próximas do ideal da felicidade feminina.

A mídia desconsidera que é possível ser feliz sendo como você é.

Você nunca será boa o suficiente ou magra o suficiente se continuar procurando validação nas pessoas que você vê na mídia. 

É que se você estivesse satisfeita com a sua aparência, não haveria razão para consumir muitos dos produtos e serviços que geram bilhões para a indústria do emagrecimento e beleza.

A maneira mais simples de nos libertar disso ou, pelo menos, de sermos menos afetadas por esses ideais é estarmos conscientes de como tudo a nossa volta tenta nos convencer de que ser magra é bom e todas as outras variáveis são ruins. 

Se estiver interessada em saber mais, leia o post sobre a romantização da magreza e o como a mídia trata o corpo feminino.

Defina o que é importante na sua vida

uma lição sobre vida e emagrecimento

A minha parada obrigatória depois da cirurgia me fez refletir sobre alguns pontos da minha vida que precisam de maior atenção, e o principal deles é o blog.

Às vezes, tudo o que precisamos na vida é de um empurrãozinho do destino para perceber o que é realmente importante para nós.

Mas, como tudo o que é importante e valioso na nossa vida requer certo esforço, o blog também necessita de dedicação, foco, disciplina e, principalmente, tempo. Tempo este que poderia ser gasto com meu marido, amigos, colegas, no meu emprego, assistindo a filmes ou fazendo nada. E, no entanto, cá estou sentada depois do trabalho escrevendo este post, simplesmente porque eu percebi o quanto me faz falta colocar os meus pensamentos aqui e me comunicar com vocês.

Talvez você ame bolo de cenoura com chocolate, frango empanado e coca-cola a ponto de consumir isso todos os dias, mas por outro lado você talvez queira melhorar a sua alimentação, emagrecer e se sentir mais disposta. A verdade é que consumir bolo, fritura e refrigerante todos os dias não é o melhor caminho para você chegar aonde quer e você sabe disso. Mas tudo é tão gostoso que a vida sem as suas comidas prediletas parece não valer a pena.  

Eu poderia sair com amigos de segunda a segunda como se a vida fosse uma grande festa, mas também quero parar e processar tudo o que está na minha cabeça conversando com vocês aqui pelo blog.

Assim como é difícil emagrecer comendo doces, frituras e refrigerantes diariamente, também é difícil atualizar o blog quando o todo o meu tempo extra é gasto com diversão ou relaxamento.

Tem escolhas que são difíceis mesmo, mas os resultados mais incríveis vêm de pequenos sacrifícios que fazemos todos os dias.

Você não precisa abrir mão dos seus alimentos preferidos para emagrecer, basta reduzir o consumo deles. Eu não preciso abrir mão da minha vida social para me dedicar ao blog, basta reduzir o tempo gasto com isso e focar em algo que no momento é muito mais importante.

Definir prioridades não é tão complicado. O trabalho pesado está em aceitar os pequenos sacrifícios que vêm junto com esta decisão.

Nada precisa ser oito ou oitenta, mas não tem como querer tudo ao mesmo tempo. Se a sua prioridade é emagrecer ou se alimentar de maneira mais saudável, aceite as mudanças que vêm com esta escolha e não olhe para trás.

Chega de culpa ao comer

Eu vou tentar colocar isso da maneira mais simples possível -  a culpa é algo que não nos ajuda em nada a melhorar como vemos o alimento. Ela não te ajuda a emagrecer, ela não te ajuda a parar de comer emocionalmente, ela não acaba com a compulsão alimentar e ela não vai mudar o que você já comeu.

Eu já havia escrito sobre a tal da culpa no post com dicas de como lidar com os alimentos-gatilho, mas aqui vou repetir:

Se a culpa emagrecesse, estaríamos todos magrinhos! 

Neste vídeo eu explico cinco coisas que a culpa faz por você e cinco coisas que ela não faz.

O bullying transformou a minha relação com a comida e com meu corpo

Vocês sabem bem, o BDA também é um espaço para vocês usarem a sua voz para dividir sua história, pensamentos e para ajudar outras pessoas. Quando a Fernanda me mandou este depoimento logo me vieram as memórias de crescer gordinha

A grande lição que ela expõe aqui é que ser magra não significa que você se ama.

Com vocês, a Fernanda:

Compulsão Alimentar

Esse texto é sobre minha relação com a comida e com a vida no geral. Em primeiro lugar, considerações gerais: isso não é uma tese de mestrado, uma iniciação científica ou coisas do tipo. São constatações do coração e não do cabeção (como diz a terapeuta Gisella Vallin - sou fã- ️). Este texto NÃO é uma indireta ou direta pra quem quer que seja. E ah, minha intenção NÃO é gerar comoção do tipo : " ÓH CÉUS! Coitada da Fernanda.". 

Considerações feitas, gostaria também de dar uma explicadinha no porquê desse texto. 

A minha relação com meu corpo e com a comida nunca foi boa, mas há mais ou menos dois anos venho sofrendo um despertar. Tenho lido blogs incríveis, conversado com minha nutricionista e psicológa, com pessoas queridas e tudo isso realmente me fez PENSAR NO QUE DIABOS EU ESTAVA FAZENDO COM MEU CORPO E , PIOR AINDA, COM A MINHA CABEÇA.

Bom, poderia passar anos luz citando os blogs que me ajudaram nesse despertar, mas gostaria de citar os principais e agradecer a todas as pessoas iluminadas e incríveis que os escrevem : @flaviamelissa, @adrianasouza, @brigadeirodealface, @naosouexposicao, @eimulhermelhore e @giselavallin.

Culpa ao comer

Entre textos e conversas, descobri que os alimentos não são vilões. Eles são, além de uma simples fonte de nutrientes, elementos simbólicos que tem a conotação de união. Sim, união!

Nós comemos como forma de celebração, de confraternização e atribuir CULPA ao ato de comer só estraga todo o significado bonito que a comida tem.

Somos bombardeadxs TODOS os dias por blogueiras fitness com dietas mirabolantes, vidas perfeitas e horas e horas de exercícios físicos. Tudo verdezinho e pseudo saudável. Você está na padaria comendo um pãozinho de queijo quentinho e delicioso quando abre o Instagram e vê corpos socialmente perfeitos, refeições socialmente perfeitas, vidas fingidamente perfeitas. CULPA. Cada mordidinha no pãozinho de queijo é como um tiro. Você se sente mal. Sente que deveria estar comendo uma maça, ou sei lá, batata doce com aveia. 

Bom, todo esse sentimento passa desapercebido aos olhos de quem nunca flertou/ teve um transtorno alimentar. Se você, assim como eu, já passou por essa situação, então toca aqui e continua lendo, quem sabe a gente não troca umas figurinhas, né? Pretendo, no fim do texto, compartilhar algumas técnicas que me ajudam a lidar com tudo isso.  Pra quem não me conhece a fundo, as informações agora parecem jogadas, então eu vou contar um pouquinho da minha relação com a comida e meu corpo. 

Comida e corpo depois do bullying

Eu sempre fui boa de garfo. Desde que eu me lembre, adoroooooo comer! Minha avó (um ser humano incrível que está pertinho de Deus, nesse momento) era uma cozinheira de mão cheia e , como toda boa vovó italiana ADORAVA me servir as mais maravilhosas receitas: desde o nhoque de domingo - que eu, euzinha, eu mesma ajudava a fazer-, até o churros caseiro de lanche da tarde. Quando eu estava comendo na casa da minha avó, eu não sentia culpa em comer. Na verdade eu não sentia nada além de um sentimento gostoso (que me causa uma nostalgia).

Com o passar do tempo, algumas pessoas que se diziam preocupadas com a minha saúde, começaram a dar pitaco na minha alimentação e no meu corpo. Não quero entrar em detalhes nisso, mas eram comentários bem maldosos pra uma CRIANÇA. Sim, uma criança NORMAL, sem NENHUM problema de saúde. A criança que está na foto aí em cima ouviu: " você não pode comer esfihas porque vai engordar"; "fulana vai ser modelo e você não ! Você é gorda."; " você não vai repetir a sobremesa. Sua irmã vai porque ela é magrinha e você não".

Fora os amiguinhos que me chamavam zoavam usando o termo " gorda". Fora o bullying com a minha orelha de abano - a qual eu não sabia que eu tinha até que uma menina perguntou se eu não ia operar minha orelha de abano- eu era chamada de Dumbo. Sim, adultos e crianças - que aprenderam com adultos/ falavam essas coisas para a criança da foto. E a criança da foto cresceu acreditando que ser gorda era feio, que era feia, , que comida engorda, que comer doce é algo feio e errado, que comer sobremesa era tão feio, mas tão feio que deveria ser feito às escondidas e todos os etc e tal da insegurança nossa de cada dia ( que está sendo desconstruída , assim, passinho por passinho! )

Quando eu tinha 9 anos passei pela cirurgia da correção da orelha de abano e achei que todos os meus problemas seriam resolvidos. Não foram. Eu continuava complexada com quem eu era. Não conseguia mais comer minhas bolachinhas em paz. Eu mesma me cobrava! 

No início da minha pré adolescência fiz minha primeira dieta  por conta própria. Tudo isso porque no fim daquele ano meu colégio ia para o Wet'n Wild e eu simplesmente me RECUSAVA a mostrar meu corpo de biquíni sem que eu emagrecesse uns quilinhos. Eu emagreci e mesmo assim continuava noiada com meu corpo, e eu tinha 12 anos. Sim, 12 anos. 

Nos anos seguintes, eu continuava com vergonha do meu corpo. Eu me achava gordinha e não conseguia mais fazer minhas dietas loucas. Eu tinha picos de restrição alimentar e picos de  compulsão alimentar .

Em 2010 as coisas pioraram bastante.  Eu literalmente flertei com a anorexia. Comia 500 kcal por dia - comia basicamente só kiwi-, com o intuito de ir pra viagem de formatura da escola e estar magrinha. Eu literalmente me torturava psicologicamente caso eu saísse da dieta. Era um chororô, um sofrimento, uma culpa do tamanho do mundo. Cheguei a pesar 50 kg e eu me sentia feia, me sentia gorda e, naquela época, a palavra gorda estava atrelada à outras palavras como incapaz, feia, frustrada.

Sim, eu era extremamente preconceituosa porque me faziam acreditar nisso. Fui pra viagem da formatura e PASMEM: não consegui tirar o shorts NENHUM DIA!! Eu morria de vergonha do meu corpo.  Ah , só pra constar, eu tinha 14 anos nessa viagem de formatura. Depois dessa viagem, as coisas pioraram. Eu parei de ir de biquíni pra praia. Ia de shorts e camisetão. Depois eu evoluí e só ia de shorts, mas sentar na cadeira sem uma camiseta larga? Risos, isso não acontecia. Eu fazia tudo o possível pra esconder meu corpo. Em 2011 , com 15 anos, passei por uns problemas e acabei trocando várias vezes de colégio. Engordei cerca de 8 kg e minha autoestima continuava baixa, tive crises terríveis de compulsão alimentar, aquelas de comer até passar mal MESMO. Bom, mesmo me sentindo feia, aos 15 anos eu comecei a chamar a atenção das pessoas porque , DO NADA , eu tinha me tornado linda aos olhos das pessoas que sempre me zoaram.  De repente, o " dumbo" se tornou a " diva" e minha mente, meu corpo SIMPLESMENTE NÃO ACOMPANHARAM. Eu não via isso. 

Foi a época em que os meninos mais me paqueraram na vida e eu morria de vergonha. Não me sentia nem um pouco bonita e/ou atraente. 

Em 2012, troquei novamente de escola e encontrei pessoas maravilhosas. Fiz amigos maravilhosos . Eu tinha um grupo especial de amigos que repetiam incansavelmente que eu era bonita ,boa o suficiente e etc ( se vcs estiverem lendo isso, fogueteros, saibam que eu amo vcs e tô morrendo de saudade.) Mas eu continuava não acreditando.  

Continuava num ciclo interminável de dietas restritivas seguidas de culpa e compulsão alimentar. Cada doce que eu comia me machucava de verdade. Era como se eu fosse ficando cada vez mais feia. Era como se minha beleza e meu valor estivessem medidos numa balança.

Em 2013 eu decidi que iria emagrecer de vez. Fechei a boca. Eu literalmente comia só frango no almoço. Só frango. E a lei da atração que rege esse universo trouxe pra minha vida uma pessoa tão complexada quanto eu nesse quesito. E ah, a culpa de nada disso relacionado a corpo/ insegurança é dessa pessoa, só pra deixar BEM CLARO!

Em 2014 foi meu ano de cursinho e eu simplesmente surtava a cada 15 dias. Na época eu namorava, e a cada briga eu ficava sem comer porque simplesmente me sentia triste demais pra comer. Mas isso intercalava com períodos em que eu estava tão exausta da rotina do cursinho que eu saia comendo tudo o que eu via pela frente. Mesmo pesando 64 quilos eu me sentia HORRÍVEL. Sério. (E , modéstia a parte, eu estava MARAVILHOSA- hoje eu vejo isso). 

Em 2015 eu entrei na faculdade de medicina , e não preciso nem comentar que minha rotina começou a ficar DOIDA , né? Engordei pra caramba, e , pra variar, continuei me sentindo um lixo. No fim de 2015 , mil coisas conturbadas aconteceram, eu me sentia pior ainda, olhar para o me corpo me dava NOJO. Eu realmente era, mais uma vez, a " doida" que se olha no espelho e não gosta do que vê. Bom, em 2014 eu comecei a ler os blogs que citei lá em cima no meu texto , e me arrisquei a ir sem shorts pra praia. Foi libertador ! Mesmo eu me sentindo esquisita, eu estava indo com as roupas que as pessoas costumam ir à praia. Eu estava de biquíni. Sem shorts. Sentada na cadeira de praia sem camiseta. 

E nas últimas férias de verão, decidi começar a tentar colocar em prática tudo o que tinha lido: resumindo, tentei esquecer a minha aparência externa e ir curtir as férias, a praia e o mar com as minhas amigas. Essa foi minha primeira meta de libertação corporal concluída com sucesso. Essas férias foram especialmente boas porque eu não tive crises de compulsão alimentar, eu não briguei com o que eu estava comendo. Realmente achei uma evolução! E foi! 

Recaídas

Bom, há duas semanas tomei algumas decisões na minha vida e , pra que uma delas seja realizada eu " preciso" emagrecer 5 kg. 

Comecei a ir na nutricionista, lá no CIS da Anhembi e comecei a emagrecer. Ok, tudo lindo e maravilhoso, só que não. 

Hoje eu estou completamente consciente. Estou com a cabeça contaminada com os transtornos novamente. Tudo o que eu comi na última semana foi regado de culpa e quase choro. Tenho quase 20 anos, fiz e faço muitas terapias (amo), estou indo na nutricionista e mesmo assim continuo com os sentimentos da menininha que ouviu palavras indesejadas lá no passado.

Eu decidi que NÃO quero mais nenhum transtorno alimentar na minha vida.

Não quero mais dividir os alimentos em " bons" ou "maus". Não quero mais sentir culpa por COMER. Eu amo comer. Pra mim, comer tem significado! Eu amo sair pra comer com as pessoas que eu amo. E isso não tem a ver com meu peso ou com o que eu acho do meu corpo. Nunca teve nada haver com peso!

Quando eu descobri isso, foi simplesmente CHOCANTE. E sabe como eu descobri isso? No último Dia das Mães fui fuçar meus álbuns da infância pra postar fotos com a mamis  ( FAÇO ISSO TODOOO ANO!) e me deparei com as minhas fotos de infância. As fotos que eu sempre olhava, mas nunca via. Na verdade, até ano passado eu olhava para as mesmas fotos e me sentia um ETzinho. Mas esse ano foi diferente. Eu olhei pra criança que eu era e , pela primeira vez, fiquei apaixonada pelo que eu era/ fui/ sou. Sério, chegou a ser emocionante. Eu me vi linda , fofa e nada estranha! Sou eternamente grata por essa sensação. 

A lição

A conclusão de tudo isso é que todo mundo sofre por alguma coisa/ alguém em algum momento da vida. A sociedade em si é extremamente cruel e padronizada, nos fazendo sentir o cocô do cavalo do bandido. Mas apesar disso tudo, apesar de todo esse chorume ambulante que as pessoas falam, postam e fazem, há amor. Há muito amor. O nosso amor por nós mesmxs.  Claro que lidar com toda essa insegurança estrutural e do passado não vai sumir de uma hora pra outra!

Mas é hora de arregaçar as mangas e literalmente começar uma revolução lenta e dolorosa: a do amor-próprio em todos os aspectos! Principalmente com a comida.

Estou bem no meio desse processo todo e confesso que está difícil! Mas eu não vou desistir. Não agora. Aprendi que temos que mover as mini peças pra formar o quebra-cabeça e é isso que eu estou fazendo. A cada semana tenho uma nova meta com ajuda da minha psicóloga e a meta dessa semana é tentar praticar o mindful eating, que sucintamente é comer prestando atenção naquilo que está comendo. Tem uma nutricionista de São  José dos Campos que é aliada da Ana Perdigão, se eu não me engano o nome dela é Nathália Petry e ela tem vídeos no Youtube falando sobre alimentação consciente e intuitiva - o último vídeo dela fala sobre o mindful eating . Eu sou apaixonada pelos vídeos, mesmo! Descobri há pouco tempo, mas o conteúdo dos vídeos já tem mudado minha vida. 

Outra diquinha da minha querida psicóloga pra lidar com essa corda bamba da insegurança + transtornos alimentares é : cuidar de mim nos pequenos detalhes. Isso inclui usar os melhores pratos e talheres comigo mesma, usar a toalha de mesa mais bonita quando eu mesma for almoçar, e não esperar visita pra usarmos nossos melhores itens. A gente merece carinho e cuidado.

Vamos todxs juntxs! 

Lembrando que gorda, gordo, magro, magra, baixo, alto são só adjetivos e NÃO determinam valor de ninguém. Se teve algo precioso que aprendi, foi isso. 

Instagram : @fernandaoreb ou @penteadeiraterapia

Facebook: \penteadeiraterapia

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Fernanda, acho tão pertinente você ter tocado na sua última recaída. Esses hábitos alimentares conturbados ficam um bom tempo cochichando ao pé do ouvido para voltarmos a restringir o alimento. Muita gente desiste de ter equilíbrio na alimentação porque acredita que nunca mais terá recaídas e quando isso acontece não sabem o que fazer.

O seu texto é um bom alerta a isso - não tem como melhorar 100% da noite para o dia. É um processo que leva tempo e vem acompanhado de altos e baixos. 

Obrigada pela citação de pessoas incríveis na internet que compartilham valores parecidos aos meus. Eu já conhecia o NSE, Ei Mulher Melhore, a Nathália Petry e a Ana Perdigão, mas foi ótimo ver que somos muitas. Obrigada.

Foque no que você PODE fazer

Uma diferença essencial entre ser passiva ou ativa

Vamos jogar a real. A vida é cheia de surpresas e acontecimentos que nem sempre são agradáveis e sobre os quais nós não temos nenhum controle. É fácil então a gente se ver como vítima das circunstâncias achando que não há nada a fazer a respeito.

Bem, aí eu sou obrigada a discordar.

É verdade. Todos os dias acontecem coisas que estão fora do nosso controle. Não dá para controlar um chefe autoritário que te estressa diariamente te levando a comer as trufas que o colega oferece às 4 da tarde.

Não dá para controlar o namorado/marido faminto que se recusa a comer grelhado no jantar, te levando a fritar e comer os nuggets de frango que ele tanto gosta. Ou os filhos que sempre querem bolacha recheada e salgadinho no armário, testando a sua resistência e força de vontade dia após dia.

Para quem come emocionalmente, compulsivamente ou excessivamente, o que acontece à volta pode ser facilmente usado como a causa das escolhas alimentares.

Acredite ou não, cada vez que colocamos algo na nossa boca é uma escolha - consciente ou não. Mas é uma escolha.

O segredo está em saber a diferença entre o que você NÃO TEM controle e o que você TEM controle.

Você não controla o chefe, as preferências alimentares de familiares, os alimentos servidos na festa ou como as pessoas vão agir. Mas você tem uma enorme influência sobre como reagir a tudo isso.

Essencialmente, quando nos concentramos naquilo que não podemos controlar, como o que aconteceu ontem ou a correria do dia que não nos deixa tempo para cozinhar à noite, nós nos sentimos menos no controle das nossas escolhas e ficamos frustradas com isso. Estamos numa posição passiva ao que nos acontece.

Por outro lado, quando nos concentramos naquilo que podemos fazer a respeito da situação, nos sentimos emponderadas e confiante em fazer a melhor escolha. Estamos numa posição ativa ao que nos acontece.

Você pode não ter tempo para cozinhar à noite, mas você tem como preparar as refeições com antecedência no final de semana ou você pode dividir esta tarefa com alguém na sua casa ou você pode pagar alguém para cozinhar o jantar ou comprar a refeição de uma fonte confiável. Foque no que você pode fazer a respeito.

De repente, a sua família não compreende a dificuldade que você tem de lidar com certos alimentos em casa. Você pode ter uma ou muitas conversas francas com eles explicando porque você não quer ter esses alimentos no seu armário e qual a consequência disso. Você pode adaptar a sua compra do mês aos seus objetivos. Você pode envolver a família na sua busca por mais saúde sem extremismos. Lembre-se, a dificuldade em lidar com alguns alimentos é temporária; não significa que você nunca mais vai poder ver um pote de Nutella na sua frente. Foque no que você pode fazer a respeito.

Em cada situação eu quero que você se pergunte: o que eu posso fazer?